Preços da soja e milho prejudicam cadeias produtivas
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Agronegócio

Preços da soja e milho prejudicam cadeias produtivas

Representantes dos setores já falam em repasse dos valores para o consumidor final
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Representantes dos setores já falam em repasse dos valores para o consumidor final

A explosão recente dos preços das commodities de soja e milho está influenciando diretamente os custos de produção das cadeias de aves, suínos e peixes, que dependem dos produtos para a alimentação dos animais. Representantes dos setores conversaram com a FOLHA e já falam em repasse dos valores para o consumidor final. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), a soja chegou ontem ao patamar de R$ 70,55 a saca, sendo que no período de um ano o valor saltou 74%. Já o milho atingiu a casa dos R$ 26 a saca, aumento de 9,4% comparado com julho de 2011.


A engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, disse que a alta recorde destas duas commodities está balizada na quebra da safra 2011/12 de soja na América do Sul, a quebra da safra da soja e do milho nos Estados Unidos e a variação cambial, favorecendo a exportação e dificultando a aquisição dos produtos pelos setores internos. ''Tais insumos são fundamentais para estas cadeias. A produção da soja já está fechada. Já o milho, existe a expectativa da colheita recorde para a segunda safra, ultrapassando, no Estado, 10,3 milhões de toneladas'', relatou.

No caso da avicultura, a alimentação corresponde a 70% do custo de produção, sendo que 32% da receita padrão da ração inclui farelo de soja e 65% milho. A tonelada do farelo de soja ultrapassou o valor de R$ 1 mil: uma alta de 59% comparado a junho do ano passado.


O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, comentou que o preço do quilo do frango vivo saltou 30% (de R$ 1,46 para R$ 2,12) nos últimos nove meses, muito devido à alta da soja e do milho. ''Ainda não repassamos ao consumidor porque nossa cadeia é integrada e trabalhamos com prazo. Porém, não há como a indústria reter este preço. Também não é possível repassar todo o custo, até porque temos que sentir como será nossa demanda.''

No caso da piscicultura, a situação dos produtores é mais complicada, até porque a cadeia não possui a força como a de aves no Paraná. Neste setor, a ração é responsável por 75% do custo de produção. Segundo o gerente da Câmara Setorial de Piscicultura do Paraná, Jefferson Osipi, a tabela de preços das empresas que comercializam rações tem oscilado quase diariamente. ''Em alguns estabelecimentos, o quilo da ração saltou de R$ 1,10 para R$ 1,40 o quilo. Nós nunca havíamos visto o mercado desta forma na última década'', salientou Osipi.


Para o representante da cadeia, este aumento abrupto pode acabar inviabilizando a produção dos animais. Osipi disse que é fundamental que a cadeia de produtores esteja mais integrada para enfrentar tais adversidades. ''Não conseguimos mensurar ainda, mas os peixes que estão sendo alimentados hoje certamente chegarão com preços mais caros ao consumidor.''


Victor Lopes

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