Preços de fertilizantes sobem em GO pressionado pelo mercado internacional

Agronegócio

Preços de fertilizantes sobem em GO pressionado pelo mercado internacional

Momento é bom para aquisição do produto para safra de verão
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Os preços de fertilizantes não param de subir em Goiás. O preço dos produtos agrícolas, que exercem correlação direta com os preços dos insumos, apesar das leves oscilações, tem se mantido em um bom momento. As perdas na safra de soja estimadas em 2,5 milhões de toneladas no país, que representa pouco mais de 3,5%, não têm condições de afetar o preço dos produtos segundo os especialistas. Em Goiás os produtores de soja mais tardia estavam animados com os preços e esperavam uma boa entrada de safrinha que foi descartada por problemas de atraso na colheita da soja o que tornou um risco muito grande entrar com o plantio do milho ou sorgo nessas áreas. Esses produtores inclusive haviam feito aquisição de fertilizantes para esta segunda safra, mas cancelaram os seus pedidos junto às misturadoras.

Acredita-se que a safrinha em Goiás não será afetada, pois estas áreas onde houve perda de safra são áreas de soja de ciclo médio ou longo e as áreas onde tradicionalmente é plantada a safrinha são áreas de soja ciclo precoce, com isso prevê-se aumento de área de safrinha este ano em Goiás já que não foi todo estado afetado pelo problema das chuvas, mas casos localizados. Diante desse cenário a previsão é de que Goiás este ano o consumo de fertilizantes irá aumentar. Preços bons dos produtos agrícolas e demanda internacional aquecida são fatores que levam a previsão de mais alta de preços pela frente, o que preocupa bastante o produtor, que apesar dos preços bons dos produtos existe o fantasma do aumento dos custos de produção que são impactados diretamente pelos preços dos insumos.

O grande fator negativo da dependência de importação de matéria-prima ainda é o grande gargalo do setor que poderia estar em um momento melhor se não fosse os 30% dos custos totais comprometidos somente com fertilizantes. Junto a isso a infraestrura portuária brasileira acaba gerando mais ônus no produto por conta de problemas dos mais diversos, como por exemplo, os atrasos nos desembarques que acabam gerando multas e diárias para os importadores. A taxa portuária chega a até US$ 30 mil dólares por navio que não consegue atracar, e obviamente, esse custo acaba sendo repassado ao produto final.

Conforme relatado anteriormente, os investimentos para diminuir essa dependência estão aumentando e o Governo Federal tem estado sensível ao problema, tanto que anunciou no mês de março a construção de uma unidade de fabricação de fertilizantes nitrogenados em Uberaba – MG em uma parceria da Petrobrás e do Governo Mineiro. Segundo informações preliminares, poderá tornar o país auto-suficiente nesse tipo de fertilizante. Com os investimentos previstos para o futuro, certamente os produtores brasileiros reacendem uma esperança de terem seus custos de produção mais baixos e uma melhor rentabilidade, o que certamente gerará ainda mais produção.

Enquanto isso não acontece, as importações de matéria-prima deverão continuar a responder pela maior parte da demanda em 2011. Somente no primeiro bimestre deste ano, as importações cresceram mais de 68% em relação ao ano passado, evidenciando a forte demanda nesse momento. Essa demanda é refletida nos índices de fertilizantes entregues ao consumidor que cresceu 10,3%.

Em números, os preços dos fertilizantes aumentaram em média 5% março. No comparativo anterior (jan/fav) essa média foi 1,5%. O fechamento médio de preços do mês de março/10 foi de R$ 900,27 a tonelada, já nesse ano o fechamento médio foi de R$ 1052,57, alta de 17%.

As matérias-primas em Goiás tiveram, em média, uma alta de 1%, isso em função da queda de preços dos nitrogenados, especialmente a Uréia onde há baixa demanda mundial nesse momento, apesar da alta considerável do preço do petróleo. Apesar da queda do preço dos nitrogenados no mercado local, o Sulfato de Amônio está 34% mais caro este ano e a Uréia 11,5% mais cara em relação ao mesmo período de 2010. No caso dos fosfatados o MAP está 19% mais caro e o Super Simples 18,5%. O Cloreto de Potássio está quase 6% mais caro em relação a fevereiro e 6,5% mais caro relativo a mar/10. Este é o único produto que se aproxima dos preços praticados em 2010.

No mercado internacional os preços estão quase 29% a mais, na média geral, em relação a abril/10 e nesse momento o curva de preços é crescente em 3% motivado pela alta de todas as matérias-primas, com exceção da Uréia que cai 5 pontos percentuais no preço em relação a março. O Potássio continua disparado devido à forte demanda do sul da Ásia. O produto está 5,9% mais caro nos principais terminais internacionais relativos ao preço verificado em fevereiro e nesse momento mais picos de alta são registrados. Os fosfatos também continuam subindo e o MAP fechou março com alta de quase 2% e neste momento fecha com alta de mais de 4% com a definição de compra por parte da Índia, principalmente do Marrocos. Na China há grande movimentação nos portos para exportação de fósforo. No comparativo de preços com o ano passado, ocorre a mesma evidência no comparativo do mercado local. Este ano os preços dos fertilizantes no mercado internacional estão, em média, 29% mais caros. O MAP custou em abril/10, em média, US$ 469,00 a tonelada, já este ano está fechando em US$ 640,00 a tonelada, alta de 36,6%.

Nas relações de troca os destaques foram o feijão e a soja. No caso do feijão, com o aumento de mais de 30% no preço recebido pelo produtor em relação a fevereiro, a relação de troca caiu de 18 para 14 sacas por tonelada de fertilizantes, já a soja a relação de troca aumentou em 14% sendo necessárias 23 sacas para aquisição de 1 tonelada de fertilizantes. Outro destaque foi a cana-de-açúcar, que com aumento de 12% no preço da tonelada em relação a fevereiro, proporcionou a necessidade de pouco mais de 19 toneladas de cana para se adquirir uma tonelada de fertilizantes para a cultura, queda de 7,5%.

A previsão é de continuidade da elevação de preços dos fertilizantes nesse momento em Goiás, o que mostra que pode ser um bom momento para aquisição do produto para a safra de verão 2011/2012, o que de fato já acontece onde muitos produtores já anteciparam compras e outros compram nesse momento.
Mercado de Fertilizantes - Regional Goiás
FERTILIZANTE (Formulados) fev/10 jan/11 fev/11

Variação (%)

entre Fev/11 e

Jan/11

Variação (%)

entre Fev/11 e

Fev/10

Adubo (02-20-18 + 3% FTE) 831,00 885,00 915,80 3,48 10,20
Adubo (04-14-08 + 0,3% ZN) 631,67 683,33 706,20 3,35 11,80
Adubo (04-30-10 + 0,3% ZN) 894,33 980,00 1.006,20 2,67 12,51
Adubo (05-25-15 + 0,3% ZN) 896,00 966,67 999,80 3,43 11,58
Adubo (08-20-18 + 0,3% ZN) 941,67 990,00 1.026,40 3,68 9,00
Adubo (12-06-12) 698,75 790,00 813,50 2,97 16,42
Adubo (20-00-20) 830,00 952,50 976,50 2,52 17,65

 

Preços médios dos produtos em Reais (R$)
FERTILIZANTE (matéria-prima) fev/10 jna/11 fev/11

Variação (%)

entre Fev/11 e

Jan/10

Variação (%)

entre Fev/11 e

Fev/10

Adubo (Cloreto de Potássio) 1.086,67 1.050,00 1.077,20 2,59 -0,87
MAP 1.214,00 1.325,00 1.370,25 3,42 12,87
Adubo (Sulfato de amônio) 592,50 785,00 761,40 -3,01 28,51
Adubo (Super 03-17-00) 532,67 575,00 608,20 5,77 14,18
Adubo (Uréia Agrícola) 921,75 1.088,75 1.058,40 -2,79 14,83
 

A análise dos preços de fertilizantes é realizada mensalmente pela Gerência de Estudos
Técnicos e Econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG).
Gerente de Estudos Técnicos e Econômicos: Edson Alves Novaes
Responsável técnico: Alexandro Alves dos Santos

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