Preços do algodão encontram novos patamares no mercado

Agronegócio

Preços do algodão encontram novos patamares no mercado

Apesar da estabilidade, valores estão muito acima das médias verificadas em anos anteriores
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Apesar da estabilidade, valores estão muito acima das médias verificadas em anos anteriores e devem se manter assim, de acordo com analistas

O mercado mundial do algodão parece ter encontrado um novo ponto de equilíbrio nos valores de comercialização do produto. Após seis meses de altas nos preços, que acumularam quase 200% de valorização desde o final do ano passado, e gerou muita dor de cabeça, fechamento de unidades e desemprego às indústrias têxteis do País. Os preços do algodão, que começaram a recuar desde o mês passado, devem entrar em equilíbrio nos próximos meses, isso porque as safras mundiais são muito promissoras, e ajudarão a equilibrar a relação oferta e demanda do produto.


O resultado da elevação dos preços mundiais do algodão, não trouxe maior rentabilidade ao produtor, mas também acarretou o fechamento de mais de 80 fábricas têxteis em um dos maiores polos industriais do produto no Brasil, na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, que também reduziu pela metade o número de empregos no estado, que era de 4,5 mil postos de trabalho no setor. Com uma produção de pouco mais de 900 toneladas de algodão por ano, o estado sofreu ainda mais por depender das importações do produto pela indústria, que consome cerca de 70 mil toneladas de pluma por ano. Boa parte adquirida da Bahia e da Região Centro-Sul do País.

Na safra 2008/2009, o estoque de passagem do algodão no mundo era de 55%, ou seja, a quantidade estocada era suficiente para suprir a demanda por seis ou sete meses. Essa relação começou a se alterar na safra seguinte quando o percentual chegou a pouco mais de 35%, ou três meses de consumo, contou Lucilio Rogério Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). "Na verdade tivemos as safra 2009/2010 e 2010/2011 inferiores a demanda de mercado. Isso fez com que parte do estoque fosse consumida. Se pegarmos uma relação estoque e consumo do ano, ela era de 55% na safra 2008/2009. Na safra seguinte o consumo cresceu e a oferta diminuiu, parte desses estoques foram consumidos, e a relação caiu para 36%", disse. Na safra 2010/2011, apesar do algodão já gerar uma renda maior, a produção se manteve estável, e o consumo seguiu em alta, gerando, nos últimos seis meses, uma alta acumulada de 200% nos preços dos produtos. "A demanda ao invés de diminuir, já na safra 2009/2010, ela cresceu em ritmo acelerado, e com isso os preços começam a se elevar. Com isso as cotações começaram a disparar de forma expressiva, até para atrair o produtor de volta a cultura, para que a demanda reduza, a oferta aumente, e os estoques sejam reconstituídos."


Em março deste ano, os preços médios chegaram à marca de R$ 3,99 por libra-peso, alta de 166% ante o mesmo período do ano passado. Após atingir este teto, os valores começaram a recuar em abril deste ano, até atingir o patamar atual de R$ 2,10 por libra-peso. "Os preços do algodão em pluma seguiram em queda nos últimos dias, pressionados pelas baixas nas paridades de exportação e importação. As recentes quedas, no entanto, foram menos intensas que as observadas na primeira semana de maio", afirmou o pesquisador do Cepea.

Para o analista da consultoria Safras & Mercado, Élcio Bento, após as continuas altas, e as recentes baixas, o mercado tende a uma estabilidade, ainda com alguns recuos, por conta da entrada da nova safra em agosto. "Esse ajuste que tivemos no mercado é como se o rio voltasse ao seu leito normal. Estávamos no ponto de total exagero. O mercado voltou ao normal, e os que preços não devem voltar àqueles patamares de 2009 e 2010. Acredito que essa média de R$ 2,1 por libra-peso passará a constar como o novo ponto de equilíbrio do mercado".


Para ele, as quedas não só representaram um mercado voltando à sua normalidade, mas mostrou que os produtores de todo o mundo voltaram a apostar no algodão, e que as indústrias chegaram a seu limite. "O mercado se fechou, e estava com a demanda muito reprimida sem interesse em compras, sabia que se fosse ao mercado no dia seguinte os preços poderiam estar muito mais baixos. Foi assim que no mês passado vimos uma queda de 40% no preço do algodão", frisou.

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