Preços do algodão valorizaram fortemente
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Imagem: Pixabay
PERSPECTIVAS

Preços do algodão valorizaram fortemente

Variações foram principalmente influenciadas pela quebra significativa na safra indiana, pela alta dos preços do petróleo que deixaram a fibra sintética menos competitiva que a fibra natural
Por: -Aline Merladete

Os preços do algodão valorizaram fortemente ao longo do mês de abril e início de maio. Em Nova York os contratos de 1º vencimento fecharam a última 5ª feira, 12/mai, negociados a cUSD 145,5/lp, aumento de 11% desde o início de abril. Para outubro/22, contrato que reflete parte da pluma negociada pelo Brasil na safra 2021/22, a alta foi de 15% no mesmo período fechando em 12/mai cotado a cUSD 134,1/lp.

Essas variações foram principalmente influenciadas pela quebra significativa na safra indiana, pela alta dos preços do petróleo que deixaram a fibra sintética menos competitiva que a fibra natural, e pelo atraso no plantio da safra norteamericana devido à seca em parte relevante do cinturão de produção. No caso do Texas, por exemplo, estado responsável por 50% da produção nos Estados Unidos, estimativas da Bloomberg indicam que quase metade da área a ser cultivada tem sido afetada pelo clima mais seco. De acordo com a agência de notícias, áreas não irrigadas do estado estão sofrendo a pior seca desde 2011, quando 55% da área plantada foi abandonada.

No Brasil, o cenário de alta de preços internacionais e a desvalorização do Real puxaram as cotações locais novamente para cima, com o indicador Cepea/Esalq atingindo patamares nominais recordes no início de maio. De acordo com a instituição, a pluma fechou a 5ª feira, 12/5, cotada a R$ 264,9/@, alta de 10,5% desde o início de abril.

As cotações da pluma em NY deverão continuar firmes no curto prazo com as perspectivas de balanço global apertado e com a alta dos preços do petróleo. De fato, os últimos dados do USDA sobre a oferta e demanda global da pluma voltaram a apontar para uma redução dos estoques globais na safra 2021/22 frente ao ano anterior diante do desequilíbrio do balanço, com a demanda ainda se sobrepondo a produção.

Entretanto, as primeiras projeções para a safra 2022/23 já começam a apontar para um aumento da oferta maior que o consumo, o que tende a trazer um
pequeno alívio para o balanço. Aliado a isso, o cenário de inflação global corroendo a renda da população ao redor do mundo atrelado ao aumento de juros internacionais, que pode tirar fôlego do crescimento global, poderão impactar a capacidade da indústria de seguir repassando as altas da pluma para o consumidor final.

Apesar disso, o “jogo ainda está aberto”. As preocupações em relação a área e a produtividade da pluma a ser colhida nos Estados Unidos aliadas ao tamanho da próxima safra no Brasil – o 2º maior exportador global – podem tirar parte do crescimento da produção esperada em 2022/23 e dar mais sustentação às cotações.

É válido ressaltar que, no Brasil, nos patamares de preços futuros atuais para a safra 2022/23, a rentabilidade do algodão deverá voltar a se assemelhar à de outras culturas menos intensivas em capital.

Análise Agro Mensal Itaú BBA.


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