Preços do arroz estão altos em plena colheita
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Agronegócio

Preços do arroz estão altos em plena colheita

O produtor está segurando o grão e, com isso, vendendo o cereal a preços mais altos
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O produtor de arroz está segurando o grão e, com isso, vendendo o cereal a preços mais altos em plena safra. Desde o início da colheita, as cotações já se valorizaram 13,4% no Rio Grande do Sul e 6,7% em Mato Grosso. A menor oferta do cereal - a produção será inferior a do ano passado - e a intervenção do governo também ajudaram a manter os preços em patamares mais elevados que os da safra passada.

No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, os valores negociados atualmente - R$ 21,24 a saca (50 quilos) - são 22% superiores aos de março de 2006. O gaúcho está ganhando mais, colhendo mais rápido e obtendo um produto de melhor qualidade. Segundo levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), até o momento 38% da área foi colhida ante a 27% no mesmo período do ano passado. A produtividade média também está superior: 6,9 toneladas por hectare - na safra anterior foi de 6,6 toneladas por hectare. O produto tem ainda obtido percentual maior que 58% de inteiros.

"A safra será menor, mas a produtividade por hectare deve ser maior fruto de alguns fatores como a tecnologia empregada e o clima extremamente favorável", diz Rubens Silveira, diretor-comercial do Irga.

O clima que favoreceu o desenvolvimento da cultura, vem atrapalhando a colheita nos últimos dias - estima-se que cerca de 6 mil hectares (menos de 1% da área) foram prejudicados.

"O mercado deu uma diminuída no aquecimento dos últimos dias em função da dificuldade da indústria de repassar os preços pedidos pelos produtores", diz Tiago Barata, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, na última semana, o ritmo da alta diminuiu: aumento de apenas 1,1% ante aos 13,4% acumulados no mês.

Apesar da evolução das cotações em plena safra, o valor ainda está abaixo do preço mínimo e não cobre o custo de produção por saca - de R$ 22 e R$ 26 , respectivamente. Valter Pötter, presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), diz que mesmo com os preços mais altos, o ano não é tão bom, pois houve redução de área e há a expectativa de quebra de 5% devido às intempéries. Além disso, segundo ele, tanto a qualidade quanto a produtividade tendem a cair assim que a colheita avançar.

"Mas o produtor vislumbra um ano com preços melhores, pois a produção brasileira será menor que o consumo", diz Pötter. Segundo ele, diante deste quadro, o arrozeiro segura o grão, pois também tem a intervenção governamental. As expectativas são que as cotações do cereal cheguem a R$ 27,50 no segundo semestre.

O governo realizou três leilões com oferta de opções para 312,1 mil toneladas, sendo 100% comercializadas. Nesta terça-feira (27-03) ocorre novo leilão, com ofertada de opções para 90 mil toneladas do Rio Grande do Sul e 16 mil toneladas de Santa Catarina. As opções saíram a R$ 25,50 a saca para vencimento em agosto, nos três primeiros leilões, e setembro para o remate desta terça-feira. A intervenção governamental é de R$ 700 milhões - R$ 400 milhões para operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) e o restante para opções e aquisições.


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