Preços do arroz fecham novembro com baixa de 3,2%

Agronegócio

Preços do arroz fecham novembro com baixa de 3,2%

Começa a perder preço, mas valores ainda são 40% superiores a 2011
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Cepea indica queda mais forte nas cotações na semana final do mês, e novembro acumula redução de 3,2% nos preços ao produtor
Os preços do arroz em casca estão fechando o mês de novembro com baixa no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e estabilidade nos demais estados. Na sexta-feira, 30 de novembro, a média do indicador de preços do arroz em casca ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias - BM&FBovespa, para o cereal (50kg – 58x10) colocado na indústria e com pagamento a vista, manteve-se em R$ 37,56, com 93 centavos de desvalorização em 10 dias. Em dólar, a saca fechou, pela cotação do dia, ao equivalente a US$ 17,66, ou 65 centavos de dólar abaixo da cotação de 10 dias atrás. Isso graças ao momento de recuperação do dólar. No acumulado do mês, o indicador registra queda de preços de 3,22% nos preços ao produtor. Ainda assim, em comparação com os preços da mesma época no ano passado, a alta nos preços se mantém acima de 40%.

No mercado livre os preços oscilam entre R$ 37,00 e R$ 38,00 nas principais praças. As variedades nobres alcançam R$ 44,00 de remuneração no Litoral Norte (64x6) e R$ 38,50 na Fronteira-Oeste (60x8). É baixo o volume de arroz ainda nas mãos dos produtores, as empresas de maior porte estão abastecidas até a safra e ainda contam com a oferta de grão do governo, caso seja necessário repor estoques. Ainda assim, indústria e produtores solicitaram ao MAPA a suspensão dos leilões e direcionamento, por meio de políticas de apoio, destes volumes para o mercado externo.

Quatro fatores principais estão definindo essa trajetória de mercado: os leilões de oferta de arroz dos estoques domésticos pela Conab; um avanço nas importações de arroz do Mercosul, pelo Brasil; a retração das exportações nacionais diante de um mercado externo altamente competitivo; e a repetição de área cultivada nas safras gaúcha e catarinense, com redução menor do que o previsto nos demais estados. O fato novo é o anúncio pelos institutos de meteorologia de que o fenômeno El Niño arrefeceu e a previsão é de chuvas abaixo da média no Sul do Brasil. Desta forma, muitos produtores que estão realizando a chamada “aguação” para o arroz emergir, poderão ter problemas de recomposição das barragens para cumprir toda a rotina de irrigação desta safra. Dias secos, muito quentes e com vento, têm predominado no Rio Grande do Sul, exigindo que em muitas lavouras o arroz seja banhado para nascer.

SETORIAL

Na última quarta-feira o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) confirmou ao presidente da Federarroz, Renato Rocha, que até a próxima colheita será concluído e colocado em prática o Programa de Refinanciamento das Dívidas Arrozeiras, o que poderá reduzir a pressão de oferta nos primeiros meses após a colheita. Os arrozeiros também pediram a suspensão dos leilões de arroz em casca, pela Conab, mas o governo informou que os leilões cujos editais já foram publicados serão mantidos. Em dezembro serão suspensos e retornam a partir de meados de janeiro, à medida em que houver preços compensadores.

SAFRA

Alertas com o anúncio de que as chuvas que acontecerão no RS e SC serão abaixo da média histórica, os produtores catarinenses e gaúchos estão dando por concluída a nova safra nos próximos dias. Em Santa Catarina a área cultivada já supera a marca de 99%. No Rio Grande do Sul, a Emater/RS estima que a área cultivada já chega a 95% da expectativa. Segundo a Emater/RS, neste momento o clima vem ajudando para a formação da lavoura.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica desvalorização de R$ 1,23 na saca de arroz nos últimos 11 dias, e o preço referencial de 50 quilos em casca (58x10) no mercado gaúcho agora é R$ 37,38. A saca de 60 quilos de arroz branco teve queda de 50 centavos, agora cotada a R$ 75,00 sem ICMS/FOB e chega a São Paulo entre R$ 90,00 e R$ 97,00 com os tributos. Os quebrados de arroz registraram queda para o canjicão, referenciado em R$ 39,00/60kg. A quirera, em R$ 38,00, para 60 quilos (FOB/RS) e o farelo de arroz, tonelada FOB/Arroio do Meio (RS) em R$ 380, mantiveram cotações estáveis.

Última hora

Produtores de arroz poderão renegociar as dívidas de crédito de custeio e investimento contratadas até 30 de junho de 2011. A medida foi informada na sexta-feira, 30 de novembro, pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. A proposta do Ministério da Agricultura (Mapa) será aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nos próximos dias.

“Essa é uma conquista histórica para o setor, fruto do esforço dos produtores e dos governos Federal e estaduais. Espero que não tenhamos problemas com o setor até 2020”, afirmou o ministro Mendes Ribeiro Filho.

O total disponibilizado para a amortização de dívidas será de até R$ 1,5 bilhão por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para as dívidas até R$ 1 milhão de reais, a taxa de juros será de 5,5% ao ano, com juros especiais também para débitos acima deste valor. O prazo de financiamento é de até 10 anos, em parcelas anuais, e a primeira parcela deverá ser paga apenas em maio de 2014.

Também poderão ser refinanciadas as dívidas de operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) de arroz da safra 2009/10 e aquelas ao amparo de linha de crédito FAT Giro Rural. Os interessados devem procurar a instituição financeira credora até 30 de abril de 2013, a qual deve formalizar a operação até 31 de julho de 2013.

Para a renegociação, o produtor deverá pagar 10% do saldo devedor até a data de formalização do novo contrato.

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