Preços do milho devem voltar a ganhar força, diz Consultoria
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Imagem: Pixabay
ANÁLISE

Preços do milho devem voltar a ganhar força, diz Consultoria

Preços de milho em Chicago caíram fortemente no acumulado do mês de agosto até esse início de setembro
Por: -Aline Merladete

Os preços de milho em Chicago caíram fortemente no acumulado do mês de agosto até esse início de setembro, com o contrato com vencimento em setembro, por exemplo, apresentando queda de 7,3%, com o grão negociado a USD 5/bu na última 4ª feira (8/9), menor valor desde o início de janeiro desse ano. Para setembro/22, contrato que ajuda a referenciar a safrinha do próximo ano, a redução foi de 4,4%no mesmo período, também para USD 5/bu.

Do mesmo modo que o observado na soja, o mercado de milho em Chicago também foi influenciado negativamente pela volta das chuvas em parte do cinturão de produção nos Estados Unidos, embora o alívio para as áreas que mais preocupavam deva ser menor diante da fase mais avançada do desenvolvimento da lavoura. Ainda assim, algumas consultorias já apontampara uma produção superior à estimada pelo USDA em agosto. Pressões adicionais às cotações também vieram do enfraquecimento do mercado de etanol nos EUA, com a produção média diária caindo 8%no fimde agosto frente ao início do mês, e também dos danos causados à infraestrutura de exportação na Louisiana como reflexos da passagem do furacão Ida e os possíveis atrasos de embarques.

No Brasil, apesar da consolidação do cenário de quebra de produção do milho safrinha, a proximidade do fim da colheita e o consequente aumento da disponibilidade do grão acabaram impactando as cotações. Adicionalmente, a dificuldade de parte da indústria de proteína animal em repassar preços ao consumidor - notadamente suínos, ovos e boi - atrelado à lentidão das exportações também influenciaram negativamente os preços. Em agosto, as exportações somaram 4,3 mm t, aproximadamente 30% inferior ao ano passado.

No curto prazo, a nossa perspectiva é que os preços em Chicago deverão perder um pouco de valor com o início da colheita nos EUA aumentando a disponibilidade local do cereal com pressão adicional podendo soprar da observação de níveis de produtividade superiores às estimativas atuais do USDA. Além disso, uma redução momentânea da mistura de biocombustíveis em combustíveis fósseis nos EUA também poderá influenciar negativamente as cotações.

Preocupa também as contratações de exportações dos Estados Unidos para o próximo ano diante da possibilidade de a China reduzir os níveis de importação em relação ao ano anterior face à redução da velocidade de recomposição do rebanho suíno, embora a nossa expectativa ainda seja de compras elevadas por parte dos chineses. Assim como na caso da soja, o espaço para quedas significativas na CBOT é limitado pela perspectiva de balanço de oferta e demanda ainda apertado nos Estados Unidos mesmo diante do cenário traçado acima. Adicionalmente, a redução da disponibilidade do milho brasileiro com a quebra da safrinha atrelada ao cenário de alta do mercado de trigo também deverão ajudar a dar sustentação às cotações em Chicago.

No Brasil, a combinação de preços um pouco mais acomodados na CBOT juntamente do fim da colheita da safrinha e da fragilidade do mercado local tendem a limitar as cotações nas praças locais no curto prazo. No entanto,  a medida que avançarmos para o fim do ano e a disponibilidade de milho for ficando cada vez mais apertada os preços deverão voltar a ganhar força.

dados Relatório mensal Consultoria Agro Itaú.


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