Preços mundiais do arroz continuam baixando

Agronegócio

Preços mundiais do arroz continuam baixando

Brasil continua seu programa de promoção das exportações com vistas ao Oriente Médio
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Por Patricio Méndez del Villar*
 
Tendências do mercado
 
Em dezembro, os preços mundiais tiveram forte queda em todos os mercados de exportação. Os compradores tendem a estimular a competição entre os exportadores graças aos baixos preços indianos. A tendência baixista deve prosseguir nas próximas semanas. Ainda assim, há incertezas a respeito das perspectivas que dependerão de decisões políticas nos principais países exportadores e importadores.
 

O retorno da Índia ao mercado de exportação foi determinante na orientação dos preços mundiais durante o último trimestre de 2011. Esta política de abertura será mantida em 2012? A Tailândia poderá manter uma política de preços internos altos sem comprometer sua liderança no mercado mundial? Os grandes importadores, por sua
vez, anunciam novamente objetivos ambiciosos de auto-suficiência a médio prazo. Mas os analistas se questionam sobre o caráter factível deste anúncio. De qualquer forma, o comércio mundial deve cair 5% em 2012 devido ao incremento da produção mundial e ao elevado nível dos estoques mundiais.
 
Em dezembro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu fortemente 17,5 pontos para 249,4 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 266,9 pontos em novembro. No início de janeiro, o índice IPO marcava 240.
 
 
 
 
Produção e comércio mundiais
 
Segundo a FAO, a produção mundial em 2011 alcançou 720 milhões de toneladas (480Mt na base arroz branco) contra 700Mt de arroz em casca em 2010, aumento de 3%. As colheitas têm melhorado em quase todas as regiões arrozeiras do mundo graças a uma extensão das áreas de cultivo, as quais podem ter alcançado 164 milhões de hectares. Este aumento deve se concentrar nos principais países produtores asiáticos, especialmente China, India e Indonesia, que totalizam quase dois terços da produção mundial.
 
Em 2011, o comércio mundial subiu 8% alcançando um volume recorde de 34,3Mt contra 31,5Mt em 2010. Em 2012, o comércio pode baixar 1,5% para 33,8Mt devido a uma menor demanda de importação asiática. Ainda assim, as disponibilidades exportáveis continuam sendo amplamente suficientes para atender a demanda
mundial.

Os estoques mundiais de arroz no final de 2011 aumentaram novamente e devem atingir 140,6Mt contra 134,7Mt em 2010. Estas reservas representam 30% das necessidades mundiais. Em 2012, as projeções de estoques mundiais indicam um novo incremento significativo de 8% para 150Mt..
 
 
 
Mercado de exportação
 
Na Tailândia, os preços caíram 7% em dezembro em função da falta de interesse dos compradores e do enfraquecimento do Bath em relação ao dólar. As vendas externas em dezembro foram 50% inferiores à média mensal. Ainda assim, as exportações em 2011 ultrapassaram as 10,5Mt. Em 2012, as autoridades tailandesas estimam um volume de exportação de apenas 8Mt, por causa da queda da produção 2011/12. Em dezembro, o Tai 100%B foi cotado a US$ 588/t Fob contra $ 630 em novembro. O Tai Parbolizado também caiu para $
574/t contra $ 598/t em novembro. Por sua vez, o quebrado A1 Super resistiu e ficou em $ 526/t contra $ 529/t em novembro. No início de janeiro, os preços do arroz mantinham uma tendência baixista.

No Vietnã, os preços de exportação caíram 12% em relação a novembro. Os vietnamitas têm tido que baixar seus preços devido à forte concorrência paquistanesa e, sobretudo, indiana, que tem os preços mais baixos do mercado. Ainda assim, as autoridades pretendem elevar os preços mínimos de exportação. No total, as exportações alcançaram cerca de 7,3Mt graças a um mercado particularmente ativo no final de 2011. Em 2012, as exportações podem aumentar novamente para 7,5Mt, aproximando-se assim do primeiro lugar no ranking mundial. Em dezembro, o Viet 5% marcou $ 491/t contra $ 555/t em novembro. O Viet 25% baixou para $ 450/t contra $ 506 anteriormente. No início de janeiro, os preços tendiam a se estabilizar.

No Paquistão, os preços baixaram moderadamente. Estes se encontram em níveis já baixos. A oferta de exportação deve melhorar nos próximos meses graças a uma produção que provavelmente voltará a seus níveis normais em 2012. As perspectivas de exportação aumentaram para 3,7Mt contra 3Mt em 2011. O Pak 25% foi cotado a $ 383/t contra $ 391/t em novembro.

Na India, o mercado externo mantém uma forte atividade graças a preços competitivos. Em 2011, as exportações quase dobraram em relação ao ano anterior. Estas podem subir 50% em 2012. Alguns analistas estimam, no entanto, que as autoridades indianas podem limitar suas vendas de arroz não aromático nos próximos meses. Por enquanto, esta opção não parece ser factível já que os estoques nacionais ainda são bastante altos. O arroz Indiano 5% caiu 2% para $ 385/t contra $ 394/t em novembro.
 
Nos Estados Unidos, os preços de exportação foram também afetados pela tendência baixista dos mercados asiáticos e caíram 6% em um mês. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 ficou em $ 555/t contra $ 593 em novembro, diferença de $ 33 em relação ao preço tailandês de referência.

Na Bolsa de Chicago, os preços futuros também caíram, embora se notasse certa firmeza dos preços no final de
dezembro. O mercado parecia antecipar uma reativação dos negócios depois das festas de fim de ano.
No Mercosul, os preços de exportação caíram 3%, acompanhando assim a tendência geral dos mercados
internacionais. No Brasil, o preço do arroz em casca se manteve relativamente estável dentro de um mercado pouco ativo. O Brasil continua seu programa de promoção das exportações com vistas ao mercado do Oriente Médio, em parte já ocupado pelo Uruguai.

Na África, as importações se reativaram em 2011 depois de dois anos de relativa estabilidade da demanda de importação. Neste mercado, que representa um terço das importações mundiais, há uma competição agressiva entre os principais exportadores asiáticos e sulamericanos.
 
*pesquisador do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD, www.cirad.fr) da França. E-mail: patricio.mendez@cirad.fr

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