Preços mundiais do arroz continuam estáveis
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Agronegócio

Preços mundiais do arroz continuam estáveis

Estoques são significativos e disponibilidade é excedente
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Em março, os preços mundiais continuavam estáveis, mas com algumas quedas nos mercados asiáticos, enquanto o mercado norteamericano mostrava firmeza mais uma vez. Na Ásia, as colheitas devem aumentar pelo terceiro ano consecutivo graças às boas condições climáticas. Os estoques são significativos e as disponibilidades exportáveis seguem sendo amplamente excedentes.

Nos Estados Unidos, por outro lado, as disponibilidades são menores e a demanda regional continua ativa. A principal incerteza do mercado está nas futuras condições de vendas do governo tailandês para se desfazer do estoque de arroz acumulado desde outubro de 2011.

Alguns analistas estimam que há risco de quebra dos preços mundiais em caso de vendas massivas e a baixo preço; uma opção que as autoridades tailandesas excluem, por enquanto.

Em março, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 1,4 pontos para 237,4 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 238,8 pontos em fevereiro. No início de abril, o índice IPO marcava abaixo de 236 pontos.

Produção e Comercio Mundiais

Segundo a FAO, a produção mundial em 2012 aumentou ligeiramente 1% para 734,1 milhões de toneladas (489,5Mt de arroz branco) contra 726,7 milhões de toneladas de arroz em casca em 2011. Esta relativa estabilidade se deve ao equilíbrio entre as colheitas asiáticas. Os bons resultados na China (1,6%) têm compensado a redução da produção na Índia (-4%). Na África, a produção avança, especialmente no Egito, que anuncia um grande retorno ao mercado de exportação. Na África Subsaariana, a produção também aumentou, especialmente nas regiões ocidentais. Já na América do Sul, e mais particularmente no Cone Sul, a produção deve cair em 10% devido ao declínio das áreas de arroz.

O comércio mundial finalmente registrou um novo recorde em 2012, com um volume de 37,8 milhões de toneladas, alta de 4% em relação ao recorde anterior, de 2011. Em 2013, as projeções indicam um possível declínio da demanda da Ásia e da África, levando a uma redução de 2% no comercio global, para 37Mt. Este volume representa, ainda assim, um nível bem acima da média dos últimos três anos.

Os estoques mundiais de arroz até o final de 2012 atingiram o maior nível histórico, de 161,5 Mt, um aumento de 11% em relação a 2011. As perspectivas para 2013 indicam um novo aumento para 173Mt (+7%). Estas reservas representam 36% das necessidades globais, a mais alta proporção observada nos últimos dez anos.

Mercado de Exportação

Na Tailândia, os preços continuam a cair sob pressão das amplas disponibilidades exportáveis, mas ainda são pouco competitivos frente aos preços vietnamitas, com os quais o diferencial chega a cerca de US$ 140/t. As exportações tailandesas avançam lentamente em comparação com o ritmo do início do ano. Elas registram agora um atraso de 10% em relação ao ano passado, na mesma época.

Estima-se que o governo vai revisar para baixo sua previsão de exportação para 2013. As vendas poderiam ser de 7,5Mt, contra as 8Mt anteriormente esperadas. Enquanto isso, as autoridades tailandesas confirmaram, sob pressão dos produtores de arroz, a intenção de
manter o programa de compras a preços subsidiados. E, para financiar este programa, entendem que devem usar ativamente os contratos de exportação de Governo a Governo. Em março, o Tai 100% B foi cotado a US$ 549/t FOB, contra US$ 563 em fevereiro. O Tai Parboilizado também caiu para US$ 555/t, contra US$ 578/t. Por sua vez, o quebrado A1 Super permaneceu estável em $ 529/t contra US$ 530 anteriormente.

No Vietnã, os preços de exportação permaneceram relativamente estáveis, exceto para os arrozes de alta qualidade, que mostraram alguma fraqueza. As exportações têm crescido fortemente, 35% em relação ao ano anterior. O Vietnã apresenta atualmente os preços mais baixos do mercado. As previsões de exportações foram atualizadas e podem atingir cerca de 7,7 milhões de toneladas, como em 2012. Em março, o Viet 5% foi cotado a US$ 399/t contra US$ 403 em fevereiro. O Viet 25% manteve-se estável em US$ 365/t.

Na Índia, os preços de exportação também permanecem estáveis dentro de um mercado relativamente ativo. As perspectivas de exportação seriam melhores do que o previsto. As vendas podem se aproximar novamente do recorde no ano passado, atingindo cerca de 10Mt, colocando a Índia no primeiro lugar do ranking mundial pelo segundo ano consecutivo. Este sucesso se deve especialmente à consolidação do arroz indiano nos mercados de importação do Oriente Médio, Sudeste Asiático e da África Austral. Em março, o arroz indiano 5% foi cotado a US$ 445/t contra US$ 446/t em fevereiro. O arroz indiano 25% foi ficou em US$ 390/t contra US$ 394 anteriormente.

No Paquistão, ao contrário de outros mercados asiáticos, os preços de exportação aumentaram de novo, mas ainda se mantêm competitivos frente à Índia. O mercado de exportação mostra uma forte atividade, com as vendas aumentando 65% em relação a 2012, na mesma época. Em 2013, as exportações poderiam exceder 3,5Mt. Em março, o Pak 25% foi cotado US$ 378/t contra US$ 370/t em fevereiro. No início de abril, este voltava para US$ 370.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação continuam firmes. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 foi de US$ 633/t em março, contra US$ 620 em fevereiro. O mercado de exportação esteve mais ativo em março, com vendas que ultrapassaram as 300 mil toneladas contra 250.000 toneladas em fevereiro e 275 mil toneladas em março de 2012. Durante o primeiro trimestre de 2013, as exportações aumentaram 20% em relação à mesma época do ano passado. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros também vêm subindo desde meados de março, graças a um novo interesse dos compradores, mesmo que eles acreditem que os preços ainda continuam elevados. No início de abril, os preços futuros do arroz em casca marcavam cerca de US$ 345/t contra US$ 335 em meados de março.

No Mercosul, a colheita está quase finalizada e os preços tendem a cair. No Uruguai, as exportações progrediram em março, mas mostram um atraso de 28% em relação a 2012, na mesma época. No Brasil, o preço indicativo do arroz em casca continua a cair, recuando 8% em um mês, para US$ 305/t no início de abril, contra US$ 330 anteriormente. As projeções de exportação do Mercosul foram reduzidas em 2013 após um declínio na produção de arroz. Mas elas ainda podem ser revistas durante o ano, em função da evolução dos preços mundiais e da taxa cambial.

Na África subsaariana as previsões de importação em 2013 indicam um declínio de 10% para 11Mt, contra 12Mt em 2012. Essas distinguem especialmente o caso da Nigéria, principal importador do mundo, que espera reduzir significativamente as suas importações em função de uma política de incentivo à produção e uma proteção reforçada para limitar as importações. No restante do continente, as importações também poderiam diminuir graças a condições climáticas favoráveis para a produção, como por exemplo na Costa do Marfim e Senegal, segundo e terceiro importadores africanos. Por outro lado, no sul da África e, sobretudo, na África do Sul, a demanda de importação deve aumentar novamente e chegar a 1Mt em 2013.


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