Preocupação ambiental abriu novo mercado para a juta

Agronegócio

Preocupação ambiental abriu novo mercado para a juta

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Valorizado pela boa safra de café e pela crescente preocupação com o meio ambiente, o mercado brasileiro de juta deverá faturar R$ 100 milhões este ano 40% mais que em 2007. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto de Fibras da Amazônia (Ifibram), mostram que a safra de juta e de malva neste ano será de 14,5 milhões de toneladas, número 12% maior que 2007. Os Estados do Pará (30%) e Amazonas (70%) são os principais produtores do Brasil.

"As culturas da juta e malva são importantes para as comunidades ribeirinhas. Além de impulsionar a economia, essas atividades evitam o êxodo rural", argumenta Arlindo de Oliveira Leão, secretário executivo do Ifibram. Os números do Ifibram apontam que após atingir o ápice em 1981 - quando a produção chegou a 95,1 milhões de toneladas -, o cultivo quase desapareceu em 1996, período em que a produção chegou a 6,4 milhões de toneladas. "O uso das sacolas plásticas e a redução do incentivo do Estado fez o setor perder espaço, além de afugentar muitas empresas do setor". Leão acrescenta que das 19 empresas que atuavam em 1981, restam apenas 3.

Brenno Pacheco Borges Neto, gerente geral da fábrica da Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), diz que o setor passa por uma ótima fase, o que é atribuído ao bom momento da agricultura nacional. "Tanto em volume de fabricação como em receita, nunca passamos por um momento tão bom". Segundo ele, 75% da produção da empresa é absorvido pelo mercado de café e batata. "O que vem crescendo nos últimos três anos é o consumo de fios, telas e sacolas, que hoje já ocupam 20% do portfólio da companhia. Antes esse número não chegava a 3%". O restante é absorvido pelos setores de cacau, amendoim, castanha, fumo, minério e outros.

O presidente da companhia, Oscar Faria Pacheco Borges, diz que o objetivo não é substituir plástico, mas oferecer uma opção limpa ecologicamente. "Ainda não temos como cobrir o excesso de produção. Mas empresa está investindo para ampliar a participação". Ele avalia que em menos de dois anos, o consumo de sacolas poderá crescer 50%. "As sacolas de juta duram bem mais que as de plástico e podem ser usadas mais de uma vez. Se o consumidor incorporar o uso desse material no supermercado, por exemplo, teremos um mercado imenso", prevê.
Para isso, a empresa amplia seu parque industrial e planeja investir até o final deste ano R$ 1 milhão. Cenildo Mota Gomes, gerente industrial da CTC, revela que parte dos antigos equipamentos já foram substituídos por outros mais modernos e eficientes. "Na parte modernizada, a capacidade produtiva cresceu de 8 para 24 quilos por hora", calcula. Para 2009, os recursos na modernização do parque industrial serão de R$ 1,5 milhão. O processo de fabricação não utiliza nenhum produto químico e dura 5 dias. Antes de ser feito o fio, a fibra recebe uma pulverização de óleo de palma como amaciante, passa por um período de descanso e depois é engomada em uma emulsão de farelo de milho ou fécula de mandioca misturada com água.

A CTC possui 65% do mercado e o faturamento esperado neste ano é de R$ 65 milhões, 22% maior que 2007. Neste ano, a empresa está investindo R$ 500 mil em um fio para amarrar folhas de fumo. As vendas deverão atingir 400 toneladas por ano, 4 % da capacidade produtiva .


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