Presidente da Parmalat deixa o cargo no país

Agronegócio

Presidente da Parmalat deixa o cargo no país

A assembléia geral de acionistas da companhia deve aprovar hoje a saída de Nelson Bastos
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A Parmalat Brasil ficará sem a figura do presidente-executivo. A assembléia geral de acionistas da companhia deve aprovar hoje a saída de Nelson Bastos da presidência da empresa. A mudança, entretanto, não alterará o conselho de administração, presidido por Bastos. O executivo, que é sócio da consultoria Íntegra, foi contratado no ano passado pela italiana Parmalat Spa para reestruturar a dívida da Parmalat Brasil. "O trabalho de recuperação já foi feito. A crise ficou para trás. Continuo no conselho, mas sem o dia-a-dia das operações", disse Bastos.

Segundo ele, a sua saída da presidência da Parmalat estava prevista desde o início. "O cargo [de presidente da empresa] era para ser interino. O mandato de um ano está acabando e não serei reconduzido ao cargo. O cargo deverá ficar vago por um tempo". A administração executiva da Parmalat Brasil será exercida por um comitê formado pelos diretores financeiro (Alberto Tepedino), comercial (Bernardino Costa) e de operações (Othniel Lopes). "Eles [três] vão tocar a companhia e se reportar ao conselho de administração", afirmou Bastos.

Na assembléia de hoje, os acionistas deverão aprovar a reeleição para mandato de mais um ano do atual conselho de administração. Outros dois executivos da Íntegra participam do conselho: Raul Rosenthal e Renato Carvalho Franco. As alterações na estrutura organizacional da Parmalat Brasil ocorrem às vésperas do vencimento da primeira parcela da concordata, que precisa ser paga em julho. Nesta data, a empresa precisa pagar 40% da dívida, estimada em R$ 1,8 bilhão.

Até lá, a Parmalat Brasil pretende renegociar a dívida com o credores -- são 17 bancos. "Conseguiremos atingir uma composição com os credores até esta data [julho]", disse Bastos. Entre as possíveis opções de negociação está o alongamento do prazo de pagamento. Na Itália, a empresa está entregando ações como pagamento. Essa alternativa não deve ser usada no Brasil.

Bastos afirmou que essas mudanças vão ocorrer porque a Parmalat Brasil conseguiu sair da crise. "Saímos de uma situação caótica. Estamos numa situação de normalidade agora". Entre os sinais positivos estaria o Ebtida -- lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização do diferido --, que serve para avaliar o fluxo de caixa de uma empresa.

"Pela primeira vez na história das operações no Brasil teremos um Ebtida positivo em 2005", afirmou o executivo. Segundo ele, a empresa chegou a registrar resultados positivos no passado de forma artificial -- resultado de "ajustes contábeis".

O faturamento da empresa atingiu R$ 85 milhões em março. No auge da crise, as vendas haviam despencado para R$ 29 milhões por mês. A captação de leite, que havia chegado a menos de 10 milhões de litros por mês, saltou para 50 milhões de litros mensais.


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