Produção à americana
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Agronegócio

Produção à americana

Biotecnologia e infra-estrutura influenciam mais a agricultura dos EUA do que os subsídios
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A capacidade de recuperação das lavouras norte-americanas a intempéries, como as enchentes sofridas na última quinzena de julho nas regiões dos rios Missouri e Mississipi - nominada por corn belt, ou cinturão do milho -, mostra todo o potencial da tecnologia agrícola gerada nos Estados Unidos. Boa parte dos campos de milho e soja teve que ser replantada, promovendo um atraso de seis semanas no período de safra e, mesmo assim - segundo os números oficiais - a estimativa de produção é até superior às previsões divulgadas antes das enchentes. Para o milho, o USDA (Departamento Agrícola dos Estado Unidos) prevê 318 milhões de toneladas - 5% a mais do que a previsão de julho divulgada antes das enchentes. Para a soja, os números da colheita - que apontam queda de apenas 1% - é de 81 milhões de toneladas.

Para os quase mil produtores brasileiros que visitaram a região na última semana, que coincidiu com a 54 edição da Farm Progress Show, a mais importante feira agrícola daquele país, este ano sediada na cidade de Boone, no estado de Iowa, fica clara a necessidade de mais empenho das autoridades brasileiras para a liberação de tecnologias como as sementes transgênicas. "Não perdemos para eles (os produtores norte-americanos) no manejo das lavouras. Mas quando o assunto é seleção de sementes aí não dá para comparar", diz Laudir Rottava, de Toledo, no oeste do Estado, que integrava um grupo de produtores que, organizados pelo sindicato rural, bancou a viagem aos EUA.

"Nosso atraso no acesso a novas tecnologias é de pelo menos dez anos. Nos faltam variedades novas, mais resistentes e produtivas. Num mundo globalizado e competitivo como o que vivemos, pagamos caro por isso", desabafa o presidente do sindicato de Toledo, Nelson Paludo.

Outra facilidade dos produtores norte-americanos observada pelos brasileiros é relativa à logística para o escoamento da safra. "Dá inveja a qualidade das rodovias daqui", confessa o produtor Paulo Sérgio Assunção, de Tangará da Serra (MT), que tem também propriedades em Alvorada do Sul. "Além das estradas, eles contam com ferrovias e hidrovias muito bem organizadas. Se tivéssemos uma parte disso seríamos muito mais eficientes", diz. O custo de transporte da safra brasileira, como calcula, é de mais de R$ 10,00/saca. "Para o norte-americano não chega a US$ 1,00 (cerca de R$ 1,65)", compara.

Assunção não teme os subsídios do governo norte-americano que, segundo os produtores locais, é de cerca de US$ 20,00 por acre (R$ 13,20/hectare). Na última colheita da soja a média de produtividade de sua fazenda foi de 68 sacas/hectare. "Tivemos talhões com até 72,8 sc/ha. Imagine o que não faríamos se pudéssemos contar com o uso da biotecnologia", questiona. "Eles (os norte-americanos), com a biotecnologia estão na "moleza"."

Para baratear o custo de transporte ele utiliza os terminais hidroviários de Porto Velho (RO). As duas empresas que recebem a produção, entretanto, só aceitam grãos livres de transgênicos e não repassam, como afirma Assunção, o bônus obtido das importadoras de cerca de US$ 1,50/SC. "Eles ficam com os bônus e nós ficamos sem a tecnologia"", ironiza outro produtor, Davi Francisco Bernartt, que trocou a região de Catanduvas, no oeste do Paraná, por Sapezal (MT). "Se quiser aumentar a produção (referindo-se ao governo federal) tem que liberar tecnologia. Não dá para esperar muito tempo", sentencia.

Célia Guerra
Reportagem Local


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