Agricultura

Produção de castanhas e arroz afetada pela seca

O Instituto Nacional de Estatística publicou esta segunda-feira o destaque sobre as previsões agrícolas de outubro num momento em que o país está em seca severa e extrema
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Outubro foi o mês mais quente dos últimos 87 anos. Com a falta de precipitação, este mês foi também o mais seco das últimas duas décadas. Em consequência, a produção de castanhas e de arroz está, em parte, comprometida, revela o INE. Por outro lado, a produção nos frutos, nas amêndoas, no vinho e nos olivais está a registar aumentos, apesar da seca. O stress hídrico afetou ainda a palha para os animais e está a adiar as sementeiras.

Esta informação é revelada pelo destaque do Instituto Nacional de Estatística relativo às previsões agrícolas divulgado esta segunda-feira. Há seis meses que o país está numa situação de seca. O destaque assinala que os castanheiros foram “claramente afetados pela falta de precipitação”. Por isso, o INE prevê uma redução de 15% na produção face ao ano anterior. Além disso, há um problema na produção: as castanhas colhidas são de menor calibre.

“Sendo uma cultura quase exclusivamente de sequeiro, e em resultado da escassa humidade dos últimos meses, os castanheiros instalados em solos com menor capacidade de retenção de água apresentam sinais de grande stress hídrico, com situações extremas de morte de árvores“, explica o INE, assinalando que a colheita feita tem “fraco poder de conservação”. O destaque aponta que, “apesar de ainda existirem muitos ouriços que não abriram, estima-se que o número de frutos que completem o desenvolvimento normal seja inferior ao habitual”.

Além das castanhas, a seca também chegou ao arroz. “No arroz, a falta de água disponível na bacia hidrográfica do Sado conduziu a uma diminuição da área semeada, com implicações na produção alcançada (10% inferior à média 2012-2016)”, indica o Instituto Nacional de Estatística. Em outubro, o teor de água no solo, em relação à capacidade de água utilizável pelas plantas, estava baixo, de tal forma que há zonas onde as plantas não foram capazes de retirar mais água do solo.

Os problemas identificados no presente terão consequências no futuro: “A falta de chuva continua a atrasar o início de ciclo das pastagens de sequeiro, que apresentam reduzida disponibilidade forrageira”, adianta o INE, apontando que a situação é ainda mais grave nas zonas afetadas pelos incêndios de 15 de outubro, “dado que uma quantidade significativa de palhas e fenos armazenados foi destruída”.

Em causa está o stress hídrico provocado pela falta de precipitação que tem afetado todo o território português. “Este cenário de seca teve impactos substanciais, quer sobre as culturas instaladas, quer sobre a programação da ocupação cultural do ano agrícola que agora se inicia”, explica o INE, referindo que “a falta de humidade dos solos impossibilitou a realização das operações culturais de preparação das sementeiras das culturas de outono/inverno”.

Em contraciclo, existem outras produções onde o tempo quente e seco não comprometeu a campanha. É caso da maçã (+25%), a pera (+20%), a amêndoa (+282%), o milho (+5%), o tomate (5%) e o vinho (+10%) — “a julgar pelo estado das uvas vinificadas, deverá ser de qualidade superior”, antecipa o destaque. “As vindimas já terminaram em todas as regiões vitivinícolas, tendo decorrido com tempo seco, condição fundamental para a obtenção de vinhos de qualidade”, esclarece o INE, referindo que a uva vinificada apresentava “boa qualidade”.

No último destaque, relativo a julho, o INE explicava que a seca afetava principalmente a produção de cereais de outono/inverno e a alimentação dos efetivos pecuários, em consequência das condições adversas — temperaturas muito baixas e baixos teores de humidade do solo. No final de julho, cerca de 70% do Continente estava afetado por seca severa e 9% por seca extrema. Nessa altura já se verificavam “situações em que os recursos hídricos disponíveis nas explorações são manifestamente insuficientes para fazer face às necessidades das culturas”.

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