Produção de celulose e papel fica estagnada em 2011
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Agronegócio

Produção de celulose e papel fica estagnada em 2011

Em contrapartida, receita com exportações cresce 6,4%
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Em contrapartida, receita com exportações cresce 6,4%. “Ficamos no empate técnico”, diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa
A produção brasileira de celulose e papel ficou estagnada em 2011. A crise econômica nos principais destinos das exportações do setor, bem como a redução da atividade industrial no mercado doméstico levaram ao resultado.

Para este ano, segundo estimativas da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), serão produzidas 14,2 milhões de toneladas de celulose e 9,8 milhões de papel, volumes praticamente idênticos aos registrados em 2010. Em contrapartida, a receita de exportação deverá chegar a US$ 7,2 bilhões, 6,4% superior a de 2010, devido à valorização cambial.

“Ficamos no empate técnico, o que não é de todo ruim, já que o ano passado foi bem positivo”, afirmou Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Bracelpa, na quarta-feira (14), em São Paulo (SP), ao anunciar o desempenho do segmento em 2011. O fato, disse ela, é que a instabilidade do cenário mundial preocupa, assinalando, ainda, que o setor é dependente do mercado externo. “Qualquer oscilação lá fora interfere. No curto prazo, as empresas deverão adotar medidas de contenção de caixa e a meta para 2012 é, ao menos, manter o ritmo de deste ano.”

Mercados
Mesmo passando por um período turbulento, a Europa permaneceu como o maior importador da celulose produzida no Brasil, respondendo por 46% da receita obtida com a exportação do produto, seguida da China (25%) e América do Norte (19%). Por sua vez, a América Latina lidera a compra do papel brasileiro ao responder por 56% da receita de exportação.

Importação
No âmbito das importações, que cresceram, a presidente da Bracelpa reforçou a crítica contra a entrada de papéis, que gozam de benefício fiscal de 40% para o uso em livros. Segundo Elizabeth, parte do produto importado declarado para uso editorial é desviado e, sem o pagamento de impostos, compete de modo desleal com o papel nacional tributado. “Há uma fraude fiscal em curso.”

Futuro
Além da produção de celulose e papel, Elizabeth pontuou que o setor de florestas plantadas, que deve dobrar de tamanho para 14 milhões de hectares cultivados nos próximos anos, precisa ampliar o uso de sua matéria-prima para as áreas de energia, biocombustíveis, nanotecnologia, entre outras. “Neste desafio, os investimentos em genética, em transgenia serão fundamentais para o desenvolvimento, por exemplo, de clones mais produtivos.”

Outro ponto destacado pela presidente da Bracelpa é a necessidade de valorização do carbono florestal no tocante a negociações relacionadas a mudanças climáticas. Cálculos da entidade apontam que os estoques de carbono nas áreas de florestas plantadas no Brasil armazenam aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas de CO2 equivalente.

Polêmicas
Sobre o aperto jurídico para a compra de terras por estrangeiros, Elizabeth lembrou que é preciso diferenciar capital destinado a investimentos nos setores produtivos de operações que envolvam a soberania do País. “As empresas do setor de papel e celulose são brasileiras, com CNPJ nacional, de capital misto.” De acordo com a presidente da Bracelpa, cerca de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões em recursos para o segmento estão represados, em razão, do imbróglio relativo ao tema.

Já no que diz respeito ao novo Código Florestal, Elizabeth lamentou o adiamento da votação na Câmara dos Deputados para 2012. Em sua avaliação, o texto aprovado no Senado concilia produção e proteção ao trazer uma mudança importante que é o estímulo ao pagamento por serviços ambientais. “O novo Código traz segurança jurídica.”
 

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