Produção de feijão cresce 26% no Paraná


Agronegócio

Produção de feijão cresce 26% no Paraná

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Safra das águas está quase toda colhida nos Campos Gerais e não apresenta maiores problemas.

A região dos Campos Gerais está encerrando a colheita de feijão das águas da safra 2002/2003. Segundo levantamentos do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), entre 95% a 98% do feijão foi colhido. A produção estimada é de 85 mil toneladas, um crescimento de 26% em relação ao período de 2001/2002, quando foram colhidas 67 mil toneladas.

De acordo com o chefe do Deral de Ponta Grossa, José Roberto Tosato, o clima foi excelente para as culturas de verão nesta safra. A área de feijão das águas – também conhecida como primeira safra – foi de 58,6 mil hectares, um crescimento de 17,5% em relação a 2001/2002. A diferença foi de 8,5 pontos percentuais em favor do crescimento da produção. As chuvas registradas em janeiro, em plena colheita, não foram suficientes para atrapalhar os resultados. Tosato diz que o único fator negativo de impacto apresentado foi a ocorrência de geadas em setembro. Na época foram perdidos praticamente todos os 23 mil hectares que já se encontravam plantados. Deste total, 21 mil hectares foram replantados. "Os outros dois mil, devido a época adiantada e falta de sementes, foram ocupados com milho", explica.

O feijão das águas é uma das principais culturas de verão dos pequenos produtores rurais dos Campos Gerais. Dos 58 mil hectares plantados no ano passado, 23 mil hectares se concentram em Reserva, que lidera a ocupação de área com a cultura. Em segundo lugar aparece Ivaí, com 8 mil hectares. Todos os outros municípios, juntos, respondem por pouco mais de 27 mil hectares de feijão.

Segunda safra

A conclusão da safra de verão não significa que o ciclo da cultura está fechado, já que ainda há plantio do chamado feijão das secas. Esta segunda safra tem início por volta de 10 de novembro e vai até o dia 15 de fevereiro. "É um feijão plantado principalmente por grandes produtores, com alta tecnologia", explica Tosato. Ao contrário da primeira safra, onde predomina o feijão preto (em torno de 90%) nesta a prioridade é para feijão de cor, com 95% da área, principalmente de carioca. A estimativa é de que a safra deste ano feche em 30 mil hectares, segundo dados do Deral.

A cultura é trabalhada por muitos agricultores como forma de diversificação para o milho e a soja e ocupa as áreas de onde é colhido o milho silagem e pastagens de inverno, preferencialmente. Devido aos bons resultados, José Roberto acredita que estes agricultores, quase todos ligados às grandes cooperativas, já podem ser considerados tradicionais produtores de feijão. Mas a segunda safra não é exclusividade dos grandes, muitos pequenos agricultores costumam plantar feijão após a colheita do fumo.

Apesar da área menor, a segunda safra apresenta números mais significativos, devido a participação dos grandes produtores. Enquanto na safra das águas apenas entre 15% e 25% são áreas de plantio direto na palha, a segunda safra apresenta 85% de plantio direto. A média de produtividade na segunda fica entre 2 mil e 2,2 mil quilos por hectare, contra 1,5 mil da primeira. Nas colônias holandesas de Carambeí, Castro e Arapoti muitos produtores conseguem até 2,7 mil quilos de média, produtividade próxima da soja, que é de 3 mil quilos. A colheita também é quase toda mecanizada.

Qualidade

A segunda safra também apresenta como peculiaridade a alta qualidade. Este feijão abastece as regiões do interior do Paraná onde o hábito de consumo de feijão de cor é comum, Curitiba e mercados do Rio de Janeiro e São Paulo. "A procura é tão intensa, devido a boa qualidade, que às vezes o feijão já sai direto da lavoura para as carretas dos atacadistas, nem passa pelo armazém", explica Tosato.

Preços continuam estáveis

Com a safra das águas quase concluída, o preço do feijão continua em alta. Ontem o carioca era vendido entre R$ 60,00 e R$ 105,00 em Ponta Grossa. A larga diferença entre menor e maior preço é explicada pela diferença de qualidade, segundo Tosato. Mas estes preços apresentam tendência de queda. Em 27 de janeiro o carioca oscilava entre R$ 95,00 e R$ 110,00. A colheita da safra é que está puxando os preços para baixo.

No caso do feijão preto, ontem os preços estavam estabilizados entre R$ 58,00 e R$ 65,00. Os valores, nos dois casos, segundo Tosato, são excelentes, pois garantem uma lucratividade boa aos produtores.


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