Agronegócio

Produção de milho pode ficar abaixo das 20 mi/t em Mato Grosso, afirmam produtores

Alguns municípios, como Sorriso, têm apresentando retração semanal na produtividade de aproximadamente 10 sacas.
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A quebra na produção de milho em Mato Grosso pode ser maior que o esperado levando o estado a fechar a safrinha abaixo das 20 milhões de toneladas e assim seguir pressionando os preços da saca de 60 quilos. Alguns municípios, como Sorriso, têm apresentando retração semanal na produtividade de aproximadamente 10 sacas.

A colheita do milho 2ª safra 2015/2016, mais conhecido como milho safrinha, em Mato Grosso chegou no último dia 30 de junho a 25,78% dos 4,245 milhões de hectares semeados. Os trabalhos apresentaram uma variação semana de 9,16 pontos percentuais e ao se comparar com o ciclo passado de 4,34 pontos percentuais.

A princípio as projeções apontam para uma produção de 21,244 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso, 18,9% abaixo das 26,199 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/2015. Entretanto, o setor produtivo mato-grossense acredita que esse número vai ser menor. “A quebra pode ser maior que o esperado. Em Sorriso é feito um acompanhamento semanal e constatou nas duas últimas semanas uma queda de 108 para 100 sacas por hectare”, comenta o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Elso Pozzobon.

De acordo com Pozzobon, quanto mais à colheita do cereal avança no estado mais a tendência é de retração da produtividade, uma vez que 34,7% da cultura foi semeada fora da janela ideal de plantio que encerrou em fevereiro. 

O resultado visto no milho assemelha-se ao constatado nas lavouras de soja. A falta de chuva no período da semeadura da oleaginosa em Mato Grosso trouxe um efeito cascata de atraso de plantio para as duas culturas, uma vez que, no caso do milho, a sua semeadura foi prejudicada pelo atraso da colheita da soja.

O vice-presidente da Aprosoja-MT destaca que diante a baixa oferta de milho não se vê perspectivas do preço do cereal recuar, pois “o que já foi comercializado o produtor terá de honrar com a entrega e ficará pouco produto no mercado interno para a venda”. “E, isso preocupa o setor de animais, ou seja, essa dificuldade de estocar, porém serem os últimos a receber o produto”.

Preços 

A saca de 60 quilos de milho em Mato Grosso nesta segunda-feira, 04 de julho, varia entre R$ 24,35 em Ipiranga do Norte e R$ 30,55 em Alto Araguaia. A média mensal está na casa dos R$ 26,65, abaixo da média de R$ 31,60 de junho e de R$ 34,68 constatado em maio. O decréscimo do preço da saca do cereal ocorre conforme a colheita avança.

“Ainda é cedo estimar em quanto o preço da saca de 60 quilos do milho pode ficar. Tudo depende da conclusão da colheita e o quanto ficará no mercado interno”, salienta Pozzobon.

Safra 2016/2017

Apesar dos problemas com o clima na safra 2015/2016, a tendência para o ciclo 2016/2017 é de manutenção da área destinada ao cereal, com possibilidade de incremento, como destaca o produtor de Sorriso, Nelson Piccoli. “O produtor tende a plantar a maior área possível diante a demanda alta e os preços constatados hoje”.

Piccoli ressalta, ainda, que o produtor deve estar atento às condições climáticas e se programar para a colheita não se concentrar no período chuvoso.

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