Produtor de café quer prorrogar só a dívida recente

Agronegócio

Produtor de café quer prorrogar só a dívida recente

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Depois de ver negada a sua proposta de refinanciamento da dívida rural, os cafeicultores decidiram pedir somente a renegociação da dívida mais recente, de R$ 349 milhões, referente à produção da safra 2003/04.

De acordo com o deputado Carlos Melles (PFL-MG), 20% da safra 2003/04 está nas mãos dos produtores neste momento de preço alto e o restante foi comercializado quando as cotações do grão estavam em baixa. Naquele ano foram tomados R$ 86 milhões para custeio e outros R$ 263 milhões para colheita e estocagem. As dívidas vencem até julho deste ano, mas o setor pede que o débito seja pago em três etapas: 20% em maio (quando começa a colheita), 40% em julho e 40% em setembro.

Inicialmente, o setor havia pedido a renegociação de R$ 536 milhões de custeio e comercialização das últimas três safras, mas o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que as chances de reescalonamento eram "pouco promissoras". Da dívida total, até agora já foram pagos R$ 100 milhões, de acordo com levantamento feito no último dia 10.

Frente parlamentar

Criar ações conjuntas dos países produtores de café na América Latina e Caribe poderá ajudar o setor a equalizar o quadro de oferta e demanda e, com isso, evitar crises na cafeicultura, como a vivida entre 2000 e 2004, quando os preços do produto caíram. Estima-se que, nesse período, apenas os brasileiros tenham perdido US$ 20 bilhões. Por isso, ontem foi divulgada a Carta de Brasília, que determina a criação da Frente Parlamentar Latino Americana e Caribenha do Café.

No encerramento do seminário "Café – Novos Desafios e Oportunidades", ontem, foi anunciada a liberação de R$ 250 mil pelo governo de Minas Gerais para a criação do Centro de Inteligência do Café, que pretende reunir um banco de dados e pesquisas do setor.

Os futuros membros da Frente Parlamentar Latino Americana e Caribenha do Café representarão 80% da produção mundial de café arábica fino, que é de 50 milhões de sacas. Eles esperam concluir o estatuto da organização até o fim de maio, quando os congressos nacionais desses países terão ratificado a criação da frente. A primeira reunião do grupo será em junho na Colômbia. "Queremos levar propostas concretas para o setor no congresso mundial de Salvador", diz Melles. Ele acredita que a União Européia e os EUA poderão vir a participar do grupo até dezembro.

Outra proposta levantada durante o encontro foi a criação do Centro de Inteligência do Café, que será constituída pelo setor produtivo e instituições de pesquisa. Segundo o secretário adjunto de Agricultura de Minas Gerais, Alberto Duque Portugal, o governo mineiro já tem disponível R$ 250 mil para o funcionamento do centro, que terá sede em Brasília. O valor representa 25% do total a ser gasto anualmente para a manutenção da instituição.

A expectativa é que os governos dos demais estados produtores de café também aportem recursos, além da iniciativa privada. O centro deverá unificar os dados do setor, além de realizar pesquisas de mercado e conjunturais. "Precisamos nos organizar e estar preparados para enfrentarmos os momentos difíceis de forma mais profissional", diz Portugal. Segundo ele, futuramente, o centro poderia abranger os principais países produtores de café no mundo.


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