Produtor discute crise da Chapecó Alimentos


Agronegócio

Produtor discute crise da Chapecó Alimentos

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Cerca de 800 integrados da agroindústria Chapecó Alimentos são aguardados hoje no Parque de Exposições Tancredo Neves (Efapi), em Chapecó (SC), para avaliar a situação da empresa e buscar medidas que viabilizem a continuidade da produção, enquanto seguem as negociações de compra e venda. O assessor jurídico do Sindicato dos Criadores de Aves do Estado de Santa Catarina (Sincravesc), André Kovaleski, disse que durante a assembléia dos integrados será feita uma avaliação da evolução nas negociações desde a última assembléia, realizada em Xaxim, para posterior deliberação.

Kovaleski disse que o maior problema é manter a produção durante o tempo de negociação entre os grupos interessados ou até a liberação de recursos por parte de alguns bancos. Ele destacou que o fornecimento de ração continua problemático, embora ainda sem a morte de animais, como ocorreu no final do ano passado. Além disso, muitos produtores estão sem capital de giro, pois não receberam os lotes. As dívidas com os criadores chegam a R$ 14 milhões (R$ 11 milhões para os suinocultores e R$ 3 milhões para os avicultores).

A empresa Chapecó possui 1,7 mil integrados e muitos deles estão recorrendo a empréstimos bancários ou agiotas para se manter na atividade. A estimativa é de que a empresa necessite de R$ 1 milhão por dia para a manutenção de todos os aviários integrados. O suinocultor Neudi Carraro entregou 600 suínos à empresa há 33 dias e ainda não recebeu os R$ 4,7 mil referentes à venda. O pior, diz ele, é que nos próximos dias vence uma parcela de R$ 4 mil da construção do chiqueiro, que atualmente está vazio em virtude da crise.

Seu irmão, Neuri, tem 240 suínos que devem ser entregues nos próximos dias. Por causa da falta de ração, o peso dos animais está em 90 quilos, quando o normal seria mais de 100 quilos. Neuri também não sabe se vai receber o dinheior deste lote. “Eles estão demorando muito para resolver o problema”, disse. Seu pai, João Carraro, lembra dos tempos em que a Chapecó Alimentos era uma empresa sólida. Ele ainda guarda uma nota referente a uma venda de 101 suínos, em 1968. João Carraro disse que atualmente a situação é de instabilidade e transtorno tanto no interior quanto na cidade, onde milhares de pessoas podem perder o emprego.

O Sincravesc solicitou à direção do Besc a concessão de créditos emergenciais com juros subsidiados aos produtores. O presidente da Associação dos Municípios do Oeste Catarinense (Amosc) e prefeito de Chapecó, Pedro Uczai, também está em Brasília, onde deve se reunir hoje com a diretoria do Banco do Brasil para pressionar a liberação de crédito à Chapecó Alimentos. A agroindústria necessita de R$ 1 milhão por dia somente para adquirir matéria-prima. André Kovaleski, da associação dos criadores de aves, disse que diante dos milhões que já foram investidos na empresa não custa aplicar mais um pouco para ajudar os produtores, até que seja encontrada uma solução definitiva.

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