Produtor pressiona e pára de vender café

Agronegócio

Produtor pressiona e pára de vender café

A especulação sobre ocorrência de chuva nos cafezais do Brasil fez as cotações do produto recuarem e acabaram por travar as negociações
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A especulação sobre ocorrência de chuva nos cafezais do Brasil fez as cotações do produto recuarem e acabaram por travar as negociações no mercado interno, que vinham a todo vapor. Na Bolsa de Nova York (Nybot), o contrato de dezembro chegou a bater em 12 de outubro US$ 139,30 centavos a libra-peso. Ontem, a cotação voltou a cair, fechando em US$ 120,60, 13,4% menos do que os preços de 12 de outubro e 2,3% inferior à cotação do dia anterior.

No mercado interno, segundo o indicador de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), os preços recuaram na mesma proporção, de R$ 270 a saca (60 quilos) em 3 de outubro para R$ 240 (ontem) - arábica, tipo 6. "O produtor parou de vender. Não quer liberar o grão a esse preço", diz a analista de mercado de Café do Cepea, Daiana Braga.O diretor comercial da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Lúcio Dias, confirma a paralisação das vendas. Ele conta que antes do recuo mais acentuado dos preços, a comercialização vinha em ritmo mais acelerado que o normal, tanto que, em 45 dias, os 1,6 mil cooperados da Cooxupé negociaram 901 mil sacas, volume que, normalmente, é de 300 mil sacas em 30 dias.

Dias explica que, de fato, a ocorrência de chuvas foi normalizada e os pés de café estão abrindo florada. "Devemos ter boa safra para o ano que vem", diz o diretor comercial. Antes da estiagem dos últimos meses, a expectativa inicial do mercado para todo País era de uma safra recorde de 50 milhões de sacas. "Não há, neste momento, uma nova projeção para 2008", diz a analista do Cepea.

Com abrangência no Norte de São Paulo, Sul de Minas e no Cerrado, os cooperados da Cooxupé respondem por mais de 12% da produção brasileira de café arábica. Nesta safra, a cooperativa produziu 2,3 milhões de sacas (60 quilos) do produto. Além do recuo nos preços internacionais, os cafeicultores também estão desestimulados pela forte desvalorização da moeda americana nas últimas semanas. Em 1 de setembro, o dólar fechou valendo R$ 1,9304, valor que ontem foi de R$ 1,7896, recuo de 7,2%.

Queda de braço:

A necessidade de cumprir contratos de exportação por parte das torrefadoras de café estão provocando negociações acima do preço de mercado. Segundo Daiana, do Cepea, houve negócios ontem a R$ 250 a saca do arábica, R$ 10 acima da cotação do dia. "As torrefadoras vão ter que aceitar o preço do vendedor", avalia a analista.

Boa parte dos produtores de café podem esperar e pressionar por preços melhores, pois estão capitalizados. "Alguns deles adquiriram empréstimos do governo, e por enquanto, não apresentam necessidade de vender grandes volumes do produto", completa Daiana.


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