Produtor rural goiano está assustado
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Agronegócio

Produtor rural goiano está assustado

Presidente da Faeg diz que crise chegou ao setor Agrícola e pede mais crédito para a próxima safra
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Goiás precisa de pelo menos mais R$ 1,2 bilhão para o custeio da próxima safra, caso o governo queira manter o nível de produção da safra anterior. A declaração foi feita ontem pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, ao analisar os reflexos da crise financeira sobre o setor.

De acordo com o dirigente da Faeg, a necessidade real de crédito para a safra 2008/2009 no País é de R$ 140 bilhões, mas o governo disponibilizou apenas R$ 65 bilhões, dos quais, R$ 55 bilhões para custeio. O mais grave, segundo ele, é que dos recursos para custeio apenas R$ 35,4 bilhões são recursos a juros equalizados (6,75% ao ano), tendo o produtor de buscar a complementação de sua demanda no mercado livre.

Custos
Até o momento, conforme José Mário, os produtores adquiriram apenas 80% dos insumos necessários ao plantio da nova safra, devido à alta exagerada dos preços e à escassez de crédito. Segundo ele, os preços dos insumos subiram 50%, na média, e podem subir ainda mais por causa da alta do dólar, enquanto os preços dos produtos se mantiveram nos mesmos patamares do ano passado, como é o caso da soja.

Em relação aos insumos, acredita José Mário, os 20% que o produtor deixou de adquirir até o momento se referem à parcela que normalmente era financiada pelas tradings, no sistema de troca por produtos. Para ele, como nessa questão não se operam milagres, ou o governo suplementa o crédito para a compra de insumos em pelo menos R$ 22 bilhões, ou só restam duas saídas para o produtor: reduzir a área plantada ou o nível de tecnologia empregada.

Plantio
O presidente da Faeg diz que a recomendação da entidade é para que o produtor não reduza o uso de tecnologia, pois isso implica perda de produtividade e potencializa os riscos de prejuízos. “Em último caso, se o produtor não consegue completar a aquisição de insumos, é preferível que reduza a área plantada. Vamos fazer menos e fazer bem feito”, frisa o dirigente da Federação da Agricultura.

Para complicar ainda mais a situação do setor, lembra José Mário, muitos produtores ficaram de fora do sistema de crédito rural, por estarem inadimplentes com financiamentos de safras anteriores ou por terem alongado dívidas. Ele classifica como ilógica a atitude do governo, que autoriza a renegociação das dívidas do produtor, mas ao mesmo tempo o exclui do sistema de crédito, retirando-lhe as condições de produzir para pagar a própria dívida.

Previsão
Quanto à previsão de aumento da produção agrícola,divulgada essa semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), José Mário diz que, provavelmente, precisará ser revista no futuro. “Como os dados foram levantados em setembro, naturalmente a Conab não levou em conta o impacto da grave crise financeira que estamos atravessando”, argumenta José Mário.

Segundo o presidente da Faeg, já é tida como certa a redução de crescimento Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário, que de uma previsão anunciada de 9% a 10%, não deve passar dos 7% ou 8%. José Mário teme ainda que se repitam os exemplos de outras safras, em que o produtor adquiriu os insumos na alta do dólar e depois vendeu a produção na baixa.

“Essa preocupação é maior ainda, porque nessa época do ano , o normal é que o produtor já tenha contratado a venda antecipada de pelo menos 40% da produção, mas esse ano ainda não chegamos a 20%”, afirma o presidente da Federação da Agricultura.


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