Produtores de carne bovina investem em certificação e exportação para a Europa cresce quase 9% em 2018

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Produtores de carne bovina investem em certificação e exportação para a Europa cresce quase 9% em 2018

Com mais embarques totais de carne e aumento no número de solicitações para rastreamento de animais em janeiro e fevereiro
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Performance continua boa em 2019, com mais embarques totais de carne e aumento no número de solicitações para rastreamento de animais em janeiro e fevereiro

O Brasil provavelmente irá bater em 2019 um novo recorde na exportação de carne bovina para o mercado internacional, com o apoio do embarque da proteína para o exigente mercado europeu, aonde os frigoríficos chegam a pagar até R$ 4,00 a mais por arroba ao pecuarista.

O Brasil teve um ótimo desempenho na comercialização total de carne bovina no ano passado. O país embarcou 1,643 milhão de toneladas, crescimento de 11% sobre 2017, quando negociou 1,478 milhão. Foi o maior volume já comercializado pelo país na história e também recorde entre todos os produtores tradicionais do segmento no planeta. Em receita, o valor alcançado foi de US$ 6,57 bilhões, 7,9% acima do ano anterior.

"Os bons resultados são frutos de um trabalho de melhoria em todas as etapas do processo produtivo, que nos permite cumprir as mais exigentes regras internacionais com uma carne de qualidade e competitiva", afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. Hong Kong e China se revezaram como o principal destino. Em volume, Hong Kong foi o principal, com 24% do total, quase 395 mil toneladas. A China se destacou no faturamento, representando US$ 1,49 bilhão (22,63% do total).

E o envio de carne bovina para um dos mercados mais exigentes do mundo, a União Europeia, seguiu na mesma trilha, 8,8% de crescimento nas exportações em 2018. Envio de 118,317 mil toneladas sobre as 108,75 mil toneladas verificadas em 2017. Basicamente, com os cinco cortes nobres da carcaça, algo perto de oitenta quilos por animal. E um faturamento alcançado de US$ 728,1 milhões, 2,65% a mais do que em 2017, quando o país teve receita cambial de US$ 709,5 milhões. Os dados são da ABIEC e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil).

O mercado europeu representa um selo que atesta a qualidade de produção de carne bovina para o mundo inteiro. E paga a mais pela proteína desde que ela seja produzida com normas pré-estabelecidas. É justamente a certificação destas normas e a habilitação de fazendas pecuárias que seguem as regras que representam uma importante janela de oportunidades para os produtores de carne bovina do país no futuro. É o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV), que identifica individualmente os animais de fazendas que desejam fornecer carne para mercados mais exigentes. E que hoje pode ser usado pelos pecuaristas brasileiros para agregar valor ao seu produto e qualificar melhor à carteira de compradores, no mercado interno e externo. O Brasil possui 1.780 fazendas certificadas e aproximadamente 4,3 milhões de animais por ano são rastreados. A exportação brasileira representa 22% da produção, onde 18 % deste total são destinados ao mercado Europeu.

O Serviço Brasileiro de Certificações (SBC) é uma das empresas credenciadas a realizar este trabalho e atualmente atende 820 fazendas com identificação, sendo que aproximadamente 540 delas estão habilitadas para a exportação Europa. São dois milhões de animais por ano, o que equivale a um pouco mais de 40% do mercado. “Participamos ativamente desta evolução no ano passado e crescemos 15% em fazendas certificadas, além de outros 23% em animais rastreados. A certificação SISBOV traz lucro para toda a cadeia. Premia o pecuarista, valoriza os negócios dos frigoríficos, obtém proteína de qualidade e ganha a confiança dos consumidores exigentes”, explicou Sérgio Ribas Moreira, Diretor da SBC.

E pelos números obtidos nos dois primeiros meses deste ano, o segmento pode avançar ainda mais nas duas frentes em 2019. As vendas totais da proteína atingiram 102,4 mil toneladas em janeiro, evolução de 2,9% sobre o mesmo mês de 2018, quando foram embarcadas 99,4 mil toneladas. Os dados são da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais.

Em fevereiro, um recorde. 115,5 mil toneladas embarcadas, 17,37% mais ante as 98,4 mil toneladas de fevereiro do ano passado e avanço de 12,79% sobre as 102,4 mil toneladas embarcadas em janeiro. Um recorde para meses de fevereiro. Resultados que sinalizam o mesmo caminho trilhado pela SBC em relação aos pecuaristas que acessam o mercado europeu. A empresa registrou em janeiro uma evolução de 26% no número de animais rastreados, em relação a janeiro de 2018. “O ano começou realmente acelerado, penso que 2019 será um ano promissor para as exportações de carne bovina”, analisou Sergio Ribas.

Segundo os especialistas, o mercado internacional de carne bovina vai continuar atraente para a proteína brasileira, de olho na ‘fome’ de importadores como China, Hon Kong e demais países Asiáticos, nas compras consistentes de países como Chile e a volta da Rússia, e a possibilidade dos Estados Unidos reabrirem suas compras. “Estamos projetando nosso crescimento em 2019 em 15%. Há demanda de novos produtores ingressarem ao SISBOV, os frigoríficos estão fomentando, pois precisam atender aos compradores mais exigentes. E a certificação para Europa ajuda a agregar mais lucro aos produtores”, conclui Sérgio Ribas.


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