Leite

Produtores de leite precisam reduzir custos para quitar financiamentos

Diversificação das atividades ajuda família a se manter no campo em meio à queda do preço
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Se fosse depender apenas do leite, o casal de produtores Christina e Egon Horst, moradores de Colinas, no Vale do Taquari, estaria operando no prejuízo. O impacto da queda nos preços só não é maior porque a família tem se apoiado nos ganhos que obtém com a creche de suínos e com uma agroindústria de panificação. “O leite é nossa fonte de renda há 35 anos e não vamos desistir”, afirma Christina. Em abril, a família chegou a receber da indústria R$ 1,50 pelo litro. Em outubro, ganhou R$ 0,96. O preço é superior à média estadual, mesmo assim, a família de seu Egon deixou de ganhar R$ 6 mil ao mês com a queda na remuneração. “Sem este valor, não conseguimos investir mais na propriedade”, lamenta Egon, apontando uma das consequências da crise.

Nos últimos dois anos, a família investiu na compra de seis vacas, fechando um plantel com 34 animais e uma produção mensal de 12 mil litros. A ideia era que o aumento da produção ajudasse a bancar as aquisições feitas nos últimos anos, visando a profissionalização da propriedade e a redução do serviço pesado. Para isso, casal comprou um trator, montou uma nova sala de ordenha e adquiriu uma nova área de terras. 

Agora, frente à crise, para conseguir quitar os financiamentos em dia a família tem tomado uma série de cuidados com o intuito de reduzir os custos de produção. Eles cultivam pastagens o ano todo, evitam serviços terceirizados, usam mão de obra familiar, melhoram a alimentação do rebanho, optam pelo uso de medicamentos homeopáticos em vez de antibióticos para evitar o descarte de leite por muitos dias seguidos. Um projeto que Egon pretende implantar é a fabricação de ração dentro da propriedade, já que atualmente o milho é transformado apenas em silagem.

Enquanto há planos, há esperança de dias melhores e de que os jovens se mantenham no campo. “Já conseguimos chegar ao nosso objetivo, que é deixar alguma coisa para os quatro filhos. E a gente vai seguir em frente enquanto der”, garante Christina. Mas muitos produtores próximos do casal Horst não conseguiram resistir. De acordo com a chefe do escritório municipal da Emater de Colinas, Lídia Margarete Muller Dhein, 19 dos 143 produtores de leite do município abandonaram a atividade somente neste ano.

Apesar de a produção de leite não ter caído na cidade, porque houve a migração de animais entre as propriedades, a crise é sentida pelo comércio local. “O impacto é duplo, porque as famílias diminuíram as compras para consumo próprio e também as compras para as vacas, já que não precisam mais suplementar a alimentação, não precisam de medicação, reduzem o uso de frete”, aponta o comerciante de um tradicional mercado da cidade, Ari Herrmann. “As famílias vão para o comércio com o dinheiro contado, escolhem o mais barato e levam o estritamente necessário”, acrescenta. 

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