Produtores de Mato Grosso querem mudar Lei Ambiental

Agronegócio

Produtores de Mato Grosso querem mudar Lei Ambiental

Para o presidente da Famato, caso os produtores fossem cumprir a legislação ao pé da letra, o Brasil retornaria 40 anos no passado, quando era um importador de alimentos ao invés da atual potência exportadora
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Os agricultores e pecuaristas de Mato Grosso afirmaram na última semana serem favoráveis ao desmatamento zero, porém, querem em contra partida a legalização das áreas já abertas. O posicionamento foi feito pelo presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, que sustentou a necessidade de mudanças na legislação federal para que seja feito de fato a preservação ambiental com a manutenção dos atuais preços dos alimentos.

A entrevista ao Preserve-MT foi concedida após a reunião que debateu a moratória da carne oriunda de áreas da Amazônia.

“Nós vamos pedir a bancada mato-grossense que só vote questões ambientais. Não tem como cumprir a atual legislação que traz uma reserva legal de 80%. Nós queremos preservar sim, mas é inviável retornar com o que já está desmatado. A área aberta é um ativo econômico-financeiro para a sociedade. As pessoas estão dispostas a pagar mais caro pela cesta básica? É isto que o país quer?”, questionou Rui Prado.

Para o presidente da Famato, caso os produtores fossem cumprir a legislação ao pé da letra, o Brasil retornaria 40 anos no passado, quando era um importador de alimentos ao invés da atual potência exportadora. “Nós queremos comprar arroz da Ásia, trigo, milho, soja? O campo gera muitos empregos e tudo isto está correndo risco atualmente”.

Ele defendeu mudanças também na legislação estadual. “Este conceito de reserva legal é burro. Queremos que seja possível se compensar as áreas abertas em uma outra propriedade. Nós somos favoráveis à criação dos corredores ecológicos, e não das atuais ilhas de conservação”, defendeu.

De forma enérgica, o ruralista afirmou que “quem mais preserva é o produtor, que depende da manutenção da natureza, dos recursos hídricos para sua atividade”. Questionado sobre a atuação das ONGs em Mato Grosso, ele criticou o que chamou de ingerência. “Estas ONGs deveriam estar mais preocupadas com questões como a fome na África. Elas devem estar atuando a serviço de alguém que não quer um Brasil tão competitivo”, opinou.

Sobre o MT Legal, programa do Governo do Estado que pretende mapear e resolver os passivos ambientais em Mato Grosso, o representante dos agricultores e pecuaristas disse que a Famato anseia que a compensação de reservas possa ser feita em outras propriedades. Para ele, a efetiva recuperação de áreas desmatadas deve acontecer caso sejam somente em áreas de preservação permanente.

O decreto do executivo estadual que detalha os procedimentos para o funcionamento do projeto e coloca definitivamente em prática o MT Legal deve ser concluído em no máximo 30 dias. Esta previsão foi feita pelo secretário responsável pela implantação do MT Legal, Adilton Sacheti. “Colocar este programa em prática não é simples e rápido. Nós precisamos de um grande reforço no Governo para poder atender toda a demanda que será criada.

Nós já adquirimos aproximadamente R$ 2 milhões em equipamentos de informática, a estrutura física da Secretaria de Meio Ambiente está sendo ampliada e ainda haverá a contratação de pessoas qualificadas para o trabalho”, disse Sacheti.

AÇÕES

Entre as deliberações aprovadas durante a reunião dos pecuaristas na Famato, o presidente da instituição destacou ações de conscientização. “Nós vamos utilizar a mídia para chegar até as pessoas”. Ele explicou que o objetivo das campanhas a serem montadas pela entidade pretendem mostrar como o preço dos alimentos podem subir e a necessidade de uma mudança na legislação.

Para Rui Prado, a sociedade precisa ver o inevitável. “Nós vamos praticar o desmatamento zero, sem a abertura de novas áreas. Mas vai chegar um momento que os alimentos não serão o suficiente para todos”, reiterou.

O site www.preservemt.com.br é a favor do cumprimento da legislação. É necessário se respeitar o meio ambiente e buscar caminhos para se aliar produtividade e ecologia. O momento é o da conscientização, na redução do consumo, do aproveitamento dos alimentos. A conscientização individual gera o exemplo para a mudança de uma sociedade.


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