Produtores debatem engorda intensiva de bovinos jovens a pasto em Santa Maria

Agronegócio

Produtores debatem engorda intensiva de bovinos jovens a pasto em Santa Maria

O encontro ocorreu na quinta-feira (24/11), na propriedade do casal Vicente Victório Schuster e Maria Derani Bassaco Schuster, no distrito de Boca do Monte
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Produtores debatem engorda intensiva de bovinos jovens a pasto em Santa MariaEm Santa Maria, na região Central, a Emater/RS-Ascar realizou reunião técnica sobre a engorda intensiva de bovinos jovens a pasto, utilizando o sistema de Pastoreio Racional Voisin (PRV), além de integrar os pecuaristas familiares do município visando a formação de um grupo de trabalho desse setor. O encontro ocorreu na quinta-feira (24/11), na propriedade do casal Vicente Victório Schuster e Maria Derani Bassaco Schuster, no distrito de Boca do Monte. "O objetivo foi o de ilustrar a viabilidade de engorda de bovinos a pasto, utilizando o PRV e ainda a transição de propriedades de produtores de leite para pecuária de corte, em função da falta de sucessão rural", justifica a supervisora da Emater/RS-Ascar, Auria Geanet Schroder.

Na oportunidade foram apresentados e debatidos os dados colhidos até o momento pela família Schuster com essa metodologia. Conforme o extensionista do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, médico-veterinário Ricardo Machado, o casal Schuster trabalhou na atividade leiteira por 39 anos e em fevereiro deste ano, em função da idade avançada e falta de sucessão rural, resolveu migrar para a pecuária de corte. "O projeto de Pastoreio Racional Voisin na propriedade foi iniciado em 2011, piqueteando uma área de 5,5 hectares para implantação de um sistema de produção de leite à base de pasto, onde a pastagem foi formada por campo nativo e tifton no verão e aveia e azevém sobressemeados no inverno", explicou o técnico. 

O sistema foi aprimorado com a inclusão de elementos para o bem-estar animal dos animais como sombra, água nos piquetes e uso de homeopatia animal. "Como resultados, além dos ganhos ambientais, o volume de leite produzido aumentou de 100 para 400 litros dia, com excelentes resultados na qualidade do leite, bem como tendo um resultado de renda líquida gerada superior a R$ 5.000/hectare/ano", avaliou Ricardo Machado.

Porém, com o avanço da idade do casal, a escassez de mão-de-obra e o desinteresse dos filhos pela atividade leiteira surgiu a ideia da conversão das áreas voltadas à produção leiteira para o engorde de bovinos jovens a pasto. "Foram colocados a pasto, nos meses de junho e julho de 2016, dois lotes de terneiras cruzadas com a raça Angus, totalizando trinta animais. Na média geral do rebanho, o ganho de peso no período foi de 850 gramas por dia por animal, sendo que foram alimentados exclusivamente a pasto e receberam apenas sal mineral de suplementação", analisou o técnico da Emater/RS-Ascar. Machado destacou ainda que, a partir de 2013, com o uso sistemático de homeopatia os animais da propriedade não são mais banhados com carrapaticidas. 

A projeção é de a propriedade se manter sempre nestes 5,5 hectares de área útil, no mínimo 30 animais em ganho de peso. "Na média anual, conseguindo-se um ganho médio diário de 500 gramas por animal por dia, a área produzirá em torno de mil quilos de carne por hectare ao ano, o que é uma marca muito expressiva comparada com as médias do Estado", aponta Machado.

Os benefícios, diz Machado, também serão no bolso do produtor. "Como receita desta produção, se estima uma venda das novilhas a cinco reais o quilo, totalizando uma receita bruta de cinco mil reais por hectare ao ano que, descontados os trinta por cento de custos, poderão gerar cerca de três mil e quinhentos reais de renda por hectare trabalhado".

No caso desta propriedade, diz Machado, geraria uma renda líquida de R$ 19,2 mil e que "juntamente com a aposentadoria rural do casal, viabilizará a sua reprodução social e qualidade de vida, além do desenvolvimento de um sistema com ganhos ambientais", avaliou o extensionista.

Conforme Auria Schroder, os dados de produtividade da propriedade serão acompanhados pelo Programa de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) e executado pela Emater/RS-Ascar, em que serão avaliados os indicadores produtivos e os ganhos econômicos, ambientais e sociais da propriedade ao longo do tempo. 


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