Produtores do MT vão jogar duro contra credores privados

Agronegócio

Produtores do MT vão jogar duro contra credores privados

Setor produtivo decidiu segurar produção, pedir trégua e fazer “lista negra” das entidades privadas
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Os produtores rurais de Mato Grosso decidiram ontem apertar o cerco contra os credores privados. Além do consenso de que vão segurar a produção até que haja uma reação nos preços das commodities, ameaçam até fazer uma lista “negra” relacionando as empresas e agentes financeiros que não colaborarem com o pagamento das dívidas rurais. “Não queremos parceiros só na hora boa”, justifica o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Homero Pereira.

O encontro, mais uma assembléia ordinária da categoria, que reúne periodicamente representantes dos 65 sindicatos rurais do Estado, serviu para reforçar a estratégia dos produtores para enfrentar um período de safra turbulenta e a traçar novas medidas para os próximos 60 dias. Hoje, dia 30, vence mais uma leva de parcelas de investimentos contraídos pelos produtores em safras passadas. Homero não sabe quantificar o volume de parcelas e nem o montante em cifras, mas frisa que “hoje vence um volume significativo das dívidas com pagamento para este ano”.

As decisões da reunião de ontem se afunilaram em quatro pontos estratégicos. Os produtores rurais que têm produto nas mãos decidiram não comercializar mais nada enquanto as cotações estiveram sofrendo pressão de baixa. “Sabemos que comercializar nos preços atuais não ajudará em nada na quitação dos nossos compromissos. Os preços estão, em alguns casos, abaixo do custo de produção”, justifica Homero.

O segundo ponto foca o produtor que não tem mais a produção nas mãos e sim com as trades ou qualquer outro agente financeiro privado. Nesta situação, o consenso entre os produtores é de que o pagamento à entidade que tiver com a produção seja feito mediante a paridade do dólar, com base na cotação da moeda norte-americana que vigorava no momento do firmamento do contrato. “É injusto fazer mais um lucro em cima do produtor sobre a operação do pagamento. A quitação da dívida só será feita mediante a paridade. Não queremos descontos – como tem sido oferecido a alguns produtores – e sim pagar mediante a paridade. Ninguém está fugindo do pagamento”, aponta Homero.

O terceiro item de consenso na reunião é o pedido de uma espécie de trégua de dois meses para que os pagamentos às trades e agentes financeiros sejam efetivados. “É um assunto que vamos tratar com o ministro pedindo o apoio dele nesta questão”, conta Homero.

O quarto foco é a confecção de uma “lista negra” dos piores credores do agronegócio estadual. “A lista será somente uma reação a uma ação a qual o produtor estará sujeito, ou seja, quem expuser o produtor será exposto. Não precisamos de parceiros apenas nos momentos em que tudo vai bem”. Homero explica que nesses 60 dias de trégua todo o setor produtivo estará priorizando o pagamento das dívidas vincendas e vencidas nos últimos dias, “mas não vamos admitir o desrespeito das trades e agentes financeiros que levarem os inadimplentes ao protesto e ao Serasa”, enfatiza o presidente da Famato.

Não é à toa que o setor produtivo está preocupado em negociar com estes credores. Somente em dinheiro emprestado para o custeio da atual safra, dos R$ 11 bilhões aplicados na safra 04/05 do Estado, R$ 5,2 bilhões foram tomados em instituições privadas, ou seja, quase 50%. Outros R$ 2,4 bilhões vieram em forma de financiamento da União e R$ 3,5 bilhões saíram do bolso do produtor.

MAIS FORÇA – Homero conta ainda que paralelamente a este período de trégua nos pagamentos das dívidas, instituições e produtores vão continuar procurando a negociação dos pagamentos. Na semana passada, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) elegeu as federações estaduais de Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Tocantins para representarem a entidade na condução das questões ligadas ao momento atual do setor.

“Estamos pedindo audiência com o presidente Lula. Queremos ter a certeza de que todas as autoridades estão cientes dos problemas e das conseqüências que poderão surgir. Pensamos até em fazer uma marcha a Brasília, mas esta seria a última cartada”, anuncia Homero.

Na próxima quarta-feira (04-05) esses representantes se reúnem em Brasília para traçar novas estratégias para o período de trégua.


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