Produtores do Nordeste pedem ao governo milho para salvar gado

Agronegócio

Produtores do Nordeste pedem ao governo milho para salvar gado

Foi em audiência na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado
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Em audiência na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), nesta terça-feira (3), expositores e senadores apelaram ao governo por solução urgente para que seja garantido o abastecimento de milho na região Nordeste. O debate foi mais uma oportunidade de alerta para os efeitos da drástica estiagens na região, onde milhares de produtores perderam as pastagens e já não dispõem de fontes de alimento para os rebanhos, o que vem provocando crescente perdas de suas criações.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), que sugeriu a audiência, afirmou que, diante da carência de milho, muitos produtores recorreram nos últimos tempos a todo tipo de solução para alimentar os animais, como a oferta de torta de algodão, bagaço de cana e outros concentrados volumosos. Com o esgotamento também dessas alternativas, ela afirmou que os criadores enfrentam agora uma situação “absolutamente desesperadora”.

- Agora só temos uma solução: é o milho ou o milho, pois não há outra possibilidade – disse a senadora.
O secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, Eduardo Seixas de Salles, foi um dos que reforçaram o coro para o governo acelerar as compras do produto e fazer uma distribuição eficiente, a preços acessíveis. Por falta de comida ou água, segundo ele, já haviam morrido mais de 320 mil bovinos no semiárido baiano até novembro passado. Hoje, ele estima que as perdas já tenham chegado a mais de 500 mil cabeças.
- A mortandade só não é maior porque muitos animais foram ‘recursados’, inclusive para outros estados, como o Pará e Tocantins – disse o expositor, em referência ao traslado de rebanhos para onde exista pasto.

Safra e gargalos

José Maria dos Anjos, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, afirmou que não há falta de milho: a produção na safra de 2011/2012 superou 70 milhões toneladas. Segundo produtor mundial, no ano passado o país até exportou milho. Porém, admitiu que há problemas "regionais" de abastecimento. Depois de confirmar o diagnóstico, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, afirmou que o desafio é fazer chegar o produto ao Nordeste, em decorrência de problemas de infraestrutura e logística.
- O que falta não é milho, é logística, que no Brasil é ‘zero’, é sucata – reclamou Ramalho.

A alternativa de transportar o produto por meio rodoviário estaria prejudicada pela indisponibilidade de caminhões, quando não pela recusa dos carreteiros em aceitar fretes em direção ao Nordeste. Os expositores também se colocaram em dúvida a viabilidade do transporte por cabotagem até as capitais nordestinas, a partir de portos do Sul e do Sudeste. Tradicionalmente engarrafados e lentos, esses portos estariam ainda em situação pior por causa das operações de exportação da soja.

Diante disso, o que foi indicado como possível saída emergencial foi a importação de milho da Argentina, ainda que mais caro. De lá, o produto viria por mar diretamente para os portos nordestinos, para redistribuição para as áreas carentes.

Conab

De acordo com Érico Antonio Pozzer, que preside a Câmara Setorial da Cadeira Produtiva de Aves e Suínos, pequenos e médios produtores da cadeira de aves e suínos, mesmo fora do Nordeste, enfrentam dificuldades de abastecimento regular, a preços estáveis. Como outros expositores, ele destacou também a incapacidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em cumprir seu papel de regulador do mercado - o presidente da empresa, Rubens Rodrigues dos Santos, convidado para a audiência, justificou a ausência por outros compromissos.

Como exemplo, Pozzer citou a alta exagerada dos preços do milho no ano passado, por efeito do aumento das cotações depois da quebra da safra do mercado americano de milho. Segundo ele, o problema seria minimizado no mercado interno se a Conab tivesse estoque suficiente para regulação.

- Temos que tem equilíbrio e para isso tem que ter estoque regulador, porque senão entra em campo o apetite das tradings – disse ele, referência às grandes empresas que atuam na comercialização das commodities agrícolas.

Salles, o secretário de agricultura baiano, disse que sua intenção não era criticar, mas observou que o “sucateamento” da Conab é notório. Como os demais expositores, ele disse que a empresa precisa ampliar o número de armazéns e postos para guarda e distribuição de estoques. Observou que até hoje o município baiano de Luiz Eduardo Magalhães, um dos grandes produtores de soja e milho do país, não dispõe de um grande armazém da rede estatal.

O vice-presidente da CDR, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que coordenou a audiência, concordou que a Conab necessita de reestruturação. Observou que, no passado, a empresa vendeu armazéns “a troco de nada”.  Também chamou a atenção para a necessidade de agilização das obras de infraestrutura na área de transporte, inclusive a imediata ligação entre as ferrovias Transnordestina e a Norte Sul e a estruturação de rodovias.
- Precisamos ter diversidade de modais, senão ficaremos eternamente prisioneiros de uma única modalidade, o rodoviário – cobrou.

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