Produtores e técnicos discutem validação de zoneamento de risco climático para culturas no DF e Entorno

Agronegócio

Produtores e técnicos discutem validação de zoneamento de risco climático para culturas no DF e Entorno

Reunião ocorreu no dia 4 de outubro na Embrapa Cerrados 
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Reunião ocorreu no dia 4 de outubro na Embrapa Cerrados 

Em reunião técnica realizada na manhã do dia 4 de outubro na Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), cerca de 40 produtores, consultores de empresas de planejamento, pesquisadores, extensionistas rurais e representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e de instituições financeiras discutiram a validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as culturas de soja, milho e trigo no Distrito Federal e Entorno já para a safra 2016/2017.

Tecnologia desenvolvida pela Embrapa Cerrados e lançada em 1995, o ZARC se tornou uma política pública nacional coordenada pelo MAPA, indicando datas ou períodos de plantio ou semeadura por cultura e por município, considerando a característica do clima, o tipo de solo e o ciclo da cultivar, a fim de evitar que adversidades climáticas coincidam com a fase mais sensível das culturas, minimizando as perdas agrícolas. A ferramenta trabalha com a possibilidade de obtenção de 80% de chance de êxito na cultura – ou de oito a cada 10 anos de lavoura. Além de auxiliar o produtor na minimização dos riscos de perdas nas lavouras com problemas climáticos como chuvas, geadas, granizo e, principalmente, seca, o ZARC é um balizador para a concessão de seguro agrícola pelas instituições financeiras.

Os principais usuários do ZARC são o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que garante a pequenos e médios produtores a exoneração de obrigações financeiras relativas a operações de crédito rural de custeio caso a liquidação seja dificultada pela ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças em rebanhos e plantações, e o Proagro Mais, destinado aos pequenos produtores vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Na abertura da reunião, o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Unidade, Sebastião Pedro, lembrou a importância e a tradição da pesquisa com o ZARC. "É um trabalho fundamental. Usamos a ciência para minimizar os riscos dos produtores, agentes financeiros e investidores, além de aumentar as condições de produzir com sustentabilidade. Mas antes da validação, queremos ouvir vocês", disse aos participantes.

Coordenador dos trabalhos com ZARC e da área de sensoriamento remoto da Embrapa Cerrados, o pesquisador Fernando Macena apresentou a metodologia utilizada para determinar o risco de sucesso das culturas em Goiás e no Distrito Federal. "A metodologia se tornou uma ferramenta de gestão de risco importantíssima para orientar o custeio agrícola. São mais de 1,4 milhões de adesões ao Proagro e ao Proagro Mais, o que representa mais de R$ 34 bilhões. A comunicação de perdas foi de R$ 3,3 bilhões", disse, apresentando dados do Banco Central acumulados das safras 2012-2013, 2013-2014 e 2014-2015.

Segundo Macena, o ZARC induz a adoção de tecnologias, além de incentivar a expansão de culturas e regiões, contribuir para a redução de gastos públicos, permitir o redirecionamento e a melhor alocação de recursos para os empreendimentos rurais viáveis e possibilitar a formulação efetiva de uma política agrícola. "Quando o ZARC foi introduzido, em 1996, foram economizados R$ 150 milhões em seguro e houve aumento da produtividade", lembrou o pesquisador.

A ferramenta é baseada em informações que compõem o balanço hídrico da cultura, tendo como parâmetros de entrada clima (precipitação pluviométrica e evapotranspiração de referência), solo (tipo, profundidade e capacidade de armazenamento de água) e cultura (ciclo, fases fenológicas, coeficiente de cultura e profundidade do sistema radicular), que geram um parâmetro de saída, o índice de satisfação das necessidades de água (ISNA).

Alguns fatores não climáticos considerados pelo ZARC são o zoneamento ecológico econômico e o vazio sanitário da unidade da federação, restrições sanitárias à soja safrinha, a altitude para o plantio do trigo sequeiro e irrigado, entre outros.

O pesquisador mostrou exemplos de uso da ferramenta para as três culturas abordadas, apresentando mapas regionais dos riscos (alto ou baixo) de plantio em cada um dos 21 decêndios (períodos de 10 dias) analisados a partir do ciclo e da fase da cultura (com o respectivo ISNA), além do tipo de solo. "Precisamos refinar a tecnologia, que tem orientado o produtor e os órgãos agrícolas, auxiliado os agentes financeiros e se tornou uma das políticas públicas de maior sucesso na agricultura brasileira", comentou.

Após a apresentação de Macena, os participantes da reunião técnica fizeram questionamentos sobre os mapas das culturas e preencheram formulários informando sobre as situações das lavouras de milho, soja e trigo nos últimos anos no DF e Entorno, além de apontarem possibilidades de plantio em outros períodos, problemas enfrentados com o ZARC e sugestões de novos parâmetros a serem incluídos na ferramenta de risco.

As contribuições serão encaminhadas ao comitê gestor do ZARC para apreciação. O MAPA publicará, posteriormente, as portarias referentes a cada cultura, município e unidade da federação. "É importante que as contribuições dos atores aqui presentes sejam levadas ao comitê para que a metodologia seja ajustada e reavaliada à luz das tecnologias atualmente disponíveis", afirmou Sebastião Pedro no encerramento do encontro.

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