Produtores paraibanos de queijo artesanal têm trabalho reconhecido

Agronegócio

Produtores paraibanos de queijo artesanal têm trabalho reconhecido

Os queijos ganharam medalha de ouro no II Prêmio Queijo Brasil
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Os queijos ganharam medalha de ouro no II Prêmio Queijo Brasil

Os queijos Arupiara e Dom Ariano, produzidos pelo Laticínio Grupiara da Fazenda Carnaúba, ganharam medalha de ouro no II Prêmio Queijo Brasil. Os dois são produzidos com leite de cabra e se diferenciam pelo tempo de cura, o primeiro varia entre 30 e 90 dias, enquanto que o período da curada do Dom Ariano vai de 8 a 12 meses.

“O nosso diferencial é a nossa matéria-prima. Trabalhamos com leite de cabra nativa brasileira. Nossas raças são a moxotó, parda sertaneja, graúna, marota, repartida e canindé. Nesse trabalho de defender as raízes e a nossa tradição, o apoio que recebemos do Senar e do Sebrae é fundamental”, explicou o produtor Joaquim Dantas.

O produtor ressaltou ainda que o queijo encerra todo um processo na propriedade dele. “Nós somos produtores de carne, queijo e genética. E o queijo tem um grande peso no nosso faturamento. Então, ter um produto desses valorizado é um orgulho enorme para gente”, avalia.

Segundo o presidente do Conselho Administrativo do SENAR, Mário Borba, a premiação mostra o potencial da nossa região. “Isso traz uma perspectiva para região, aumenta cadeia produtiva da caprinocultura e mostra sua importância. A  Paraíba já produziu mais de 20 mil litros de leite de cabra, mas ultimamente registrou uma queda provocada não pela seca, mas por falta de políticas públicas”, criticou.

Um produto da Fazenda e Laticínio Nova América, situada em Catolé do Rocha, no alto sertão paraibano, também teve seu trabalho reconhecido. O queijo Lastro D’Pompeu recebeu medalha de bronze em sua primeira participação no evento, que foi realizado dentro do evento ‘Semana Mesa São Paulo’, entre os dias 25 e 27 de outubro deste ano.

Pompeu Emílio Maroja Pedrosa Júnior, da Nova América, começou no ramo com a produção de queijo de manteiga, mas a produção se tornou pouco viável com o tempo. “Apresentamos um queijo de leite de vaca Sindi cru, com maturação de 100 dias em média. É um produto diferenciado, com demanda para comercialização em outros estado, mas que esbarra na legalização”, comentou.

A Nova América apresentou apenas um produto, mas a Fazenda Carnaúba, localizada em Taperoá (Cariri da Paraíba), levou outras oito variedades de queijo. Todas elas receberam alguma condecoração, seja com medalhas de prata ou bronco. A excelência na produção repete o desempenho do ano passado, quando o grupo também recebeu ouro.

A ideia do prêmio é valorizar a produção artesanal e chamar atenção para regulamentação dos queijos com a criação de uma legislação adequada. Em 2015, 133 queijos nacionais se inscreveram. Este ano o número subiu para 244 e destes apenas 11 conseguiram a classificação máxima, sendo dois deles os paraibanos da Carnaúba.

Inexistência de legislação adequada trava a produção

Apesar do reconhecimento aos queijos artesanais, a falta de regulamentação e registro desses produtos trava a produção e inviabiliza o crescimento econômico das regiões. Um exemplo desse problema foi vivido por Joaquim durante o evento. Ele recebeu uma proposta para enviar uma tonelada por mês de queijo para o Rio de Janeiro, mas a ausência de legislação impede a concretização do negócio.

“Hoje eu produzo 400 litros de leite dia e tenho capacidade de passar para mil, ou 1.500 litros. Também tenho demanda para isso, como nesse caso do cliente carioca que renderia para nós R$ 50 mil mensal. Isso é muito para o pequeno e médio produtor. Mas não existe regulamentação. Basta que o Estado reconheça o queijo artesanal e defina critério para sua qualidade e sanidade”, critica Joaquim.

Situação semelhante é enfrentada por Pompeu Maroja Júnior. “Minha produção é bem pequena, cinco ou no máximo dez quilos de queijo por dia. Se a gente não tem legalização, por que aumentar a produção? São Paulo, Rio de Janeiro, Minas estão insistindo na compra desse produto. Mas nos vamos mandar ele clandestinamente? Correndo o risco de ter a produção retida, ou mesmo sermos presos?”, questionou.

A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (FAEPA/PB) acompanha a problemática. Segundo presidente, o reconhecimento dos produtos fortalece a necessidade de partir para o registro e aquisição do SIF. “Temos que batalhar junto ao Ministério da Agricultura, a Secretaria de Agricultura, para que eles possam produzir para o país inteiro e exportar esses queijos artesanais”, afirmou.


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