Produtores pedem liberação em maio

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Produtores pedem liberação em maio

com antecipação, os cafeicultores poderão planejar estocagem e comercialização
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Com o início da colheita da safra de café em Minas Gerais e nos demais estados produtores, representantes dos cafeicultores estão solicitando que os recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) sejam liberados ainda neste mês. A antecipação é necessária para que os produtores tenham acesso ao crédito, se capitalizem e possam planejar a estocagem e o melhor momento para a comercialização da safra. O ano de 2018 será de ciclo alto da produção de café, o que exige maior planejamento por parte do cafeicultor na hora de comercializar a safra, principalmente no período de colheita, quando os preços pagos pelo grão tendem a cair.

De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, foi realizada reunião entre a CNA, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério da Fazenda, quando foi solicitada a antecipação da liberação dos recursos, o que poderia ser feito com a realocação do crédito não utilizado do Funcafé na safra 2017.

“A colheita da safra deste ano já foi iniciada em Minas Gerais e está mais avançada na Bahia e no Espírito Santo, que produzem café conilon e a colheita é mais precoce. O grande problema é que este ano é de ciclo alto e o recurso financeiro do Funcafé tradicionalmente só é liberado para a estocagem e a colheita em meados de julho. Esse recurso precisa ser antecipado. Esta é uma demanda antiga do setor”, explicou Mesquita.

Ainda segundo o representante da Faemg, em ano de safra cheia, a antecipação do crédito é fundamental para o produtor, principalmente devido às perdas provocadas pela seca nos últimos anos e pelos preços baixos pagos pelo café em 2017, o que descapitalizou o cafeicultor.

“O produtor precisa começar a colheita da safra com recursos para a estocagem. Isto é fundamental para ele conseguir organizar o fluxo de saída da safra para o mercado. Desta forma, é possível escolher o melhor momento da venda, evitando grandes volumes no mercado e queda de preços”.

Uma das estratégias que poderia ser adotada, segundo Mesquita, seria o remanejamento imediato dos recursos do Funcafé não utilizados na safra 2017 para atender aos produtores.

“A ideia é que a partir do momento que o cafeicultor faça a primeira leva do café (colheita, secagem e beneficiamento), ele entregue na cooperativa ou armazém e já possa financiá-lo, se for a intenção, e esperar os melhores preços. Historicamente, o período de safra não é, para nenhum tipo de produto, o melhor momento para comercializar. Queremos que o produto tenha condições de planejar a venda e o acesso ao crédito permite isso”, explicou Mesquita.

Valores

Os recursos a serem disponibilizados para a safra 2018, através do Funcafé, serão de R$ 4,96 bilhões. A princípio, o montante será destinado às linhas de financiamento e estará disponível de 1º de julho até 30 de junho do ano seguinte. Do total a ser liberado na safra, R$ 1,86 bilhão será para a linha de financiamento de estocagem; R$ 1,1 bilhão para custeio, R$ 1,063 bilhão para o Financiamento para a Aquisição de Café (FAC); R$ 925,2 milhões para capital de giro e R$ 10 milhões para a linha de Recuperação de Cafezais Danificados.

De acordo com o Mapa, na safra 2017 as liberações dos recursos do Funcafé somaram R$ 3,14 bilhões até 9 de março de 2018. Para o ano, os recursos disponíveis eram de R$ 4,89 bilhões.

Safra

Segundo o primeiro levantamento da safra de café, feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de café, em Minas Gerais, foi estimada entre 29 milhões e 30,6 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2018, aumento que deve ficar entre 19% e 25,3% quando comparado com a safra passada. Os números poderão ser revisados, principalmente, pelo mês de abril ter sido marcado pela falta de precipitações.

De acordo com o representante da Faemg, Breno Mesquita, até o momento, a expectativa é de uma safra mais alta e com qualidade superior. O que só será confirmado com o avanço da colheita.

“A colheita foi iniciada em Minas Gerais, mas de forma muito tímida. Teremos uma safra de ciclo alto este ano, mas está longe de ser o que se preconiza de um volume recorde. Vale lembrar que nas regiões produtoras não chove há mais de um mês e isso pode interferir no volume de café”, explicou.

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