Programa de Aquisição de Alimentos muda vida de agricultores em Ji-Paraná

Agronegócio

Programa de Aquisição de Alimentos muda vida de agricultores em Ji-Paraná

Em 18 meses, Governo Federal vai investir R$ 220 mil para atender Ji-Paraná, em Rondônia
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Em 18 meses, Governo Federal vai investir R$ 220 mil para atender Ji-Paraná, em Rondônia. Os agricultores familiares, além da garantia da venda de seus produtos para o PAA, serão incentivados a diversificar a produção
 
Todas as terças-feiras pela manhã, 65 agricultores familiares entregam suas produções para a equipe de funcionários da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), executora do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em Ji-Paraná, Rondônia. Mais de mil quilos de pães, biscoitos, frutas, hortaliças, legumes, ovos e frangos são entregues semanalmente no Feirão do Produtor, local cedido pela prefeitura para o recebimento da produção.O convênio firmado entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Estado de Rondônia está em sua segunda edição. Em contrato de 18 meses, o Governo Federal repassa R$ 220 mil para atender o município. Os agricultores familiares comercializam até R$ 3,5 mil por ano, que, além da garantia da venda, tem gerado incentivo para diversificar a produção e proporcionado condição de sobrevivência na terra.

“É um programa positivo. Vemos a melhoria de renda e da qualidade de vida das famílias de agricultores familiares, que puderam trocar a geladeira, comprar uma antena parabólica e televisão. Muitos já compraram um veículo ou uma moto para se deslocarem até a cidade”, relata a coordenadora municipal do PAA, Margareth Pereira da Silva Regalado. “Contempla toda a cadeia produtiva, porque os agricultores plantam e têm garantia de venda. Assim, podem assumir o compromisso junto ao comércio”.

É o caso do agricultor Divino de Oliveira Pinto, que entrega biscoito, mandioca, quiabo e pão desde 2009. “O programa é ótimo. Ajuda a gente que tem a renda pequena no campo”. Ele e a esposa vendem toda a produção e também fornecem produtos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A propriedade de Divino fica próxima da cidade e ele entrega os produtos em carro próprio.

A prefeitura coloca à disposição dos agricultores que moram distante do centro um caminhão para transportar os produtos da comunidade até o Feirão.
Merenda - A agricultora Ester dos Santos Aguiar entrega biscoito, pão e limão. Ela e a filha trabalham juntas. Diz que agora começou a criar frango e aumentou a produção para também fornecer para a merenda escolar. “Toda semana, entrego produtos na escola”.

Em apenas 9 hectares, o mineiro Mouzardo Ferreira já entregou para o PAA, em dois anos, 400 quilos de milho verde, 592 quilos de abóbora, 100 quilos de frango, além de pimenta doce, vagem, couve, batata doce, quiabo, limão e maxixe. Há poucos dias, conseguiu construir sua primeira casa de alvenaria. “Hoje, a casa é boa e já temos energia. O dinheiro guardado do PAA e a aposentadoria da esposa me ajudaram a terminar a casa”.

Mouzardo, que sempre viveu na roça, conta que tem pouco estudo e sempre trabalhou na propriedade de outros até que conseguiu um pedaço de terra. Sobre o programa resume: “Muito bom. Ajuda bastante os agricultores. Antes, a gente produzia e não tinha para quem vender, hoje, a gente produz e sabe que tem um comprador fiel”.

No ato da entrega, cada produtor recebe seu controle de venda, que inclui a quantidade, o valor unitário e o valor total. No dia 10 do mês seguinte, recebe o pagamento correspondente.

Incentivo – O PAA incentiva os agricultores familiares a aumentar a produção e a melhorar a qualidade de vida. Cleide Aparecida Peres participa desde o início. “O PAA deu novo horizonte e a renda melhorou cerca de 80%. Hoje, dá para ter até R$ 2 mil por mês”, conta.

Cleide relata que antes se sentia até humilhada. “A gente não tinha para quem entregar. A banana, por exemplo, ia entregar no mercado, chegava lá, o chefe falava que ia comprar para fazer um favor. Pagava R$ 0,50 a menos do que para quem tinha contrato. Eu passava esse sofrimento todo e ele me fazia um favor de comprar, por dó de mim. Achava aquilo muito humilhante: trabalhar e a pessoa ainda fazer um favor. Agora não. Você rala mais, trabalha mais, mas sabe que tem um futuro, sabe que tem um retorno”.

Recentemente, Cleide e o marido montaram uma agroindústria. “Mesa de mármore, máquinas. Ficou cerca de R$ 12 mil. A gente está conseguindo outras coisas por causa do incentivo. Você planta, produz mais, consegue”, diz. No ano passado, ajudaram o filho a construir uma casa. “Uma casa boa, de alvenaria, com porta, com padrão de primeira qualidade. Ficou no valor de R$ 80 mil. A maior parte desse dinheiro saiu do nosso sítio. Agora, a gente quer construir também para a nossa filha”. Para o futuro: “Estamos programando comprar um carro para oferecer mais conforto para a gente”, planeja Cleide, que hoje carrega toda produção sobre uma moto.
Investimentos - Conhecido por Japão, o agricultor paranaense Gilvan Teixeira de Souza mora em Ji-Paraná há 30 anos. “Toda vida trabalhei na terra. Estou há 13 anos nesta propriedade. O PAA é uma renda a mais que a gente adquire. Antes, na feira, a gente perdia muito. Os produtos voltavam sem serem comercializados. Agora, a gente separa para o PAA e o que sobra, para a feira, e não perde nada. A venda é garantida”, conta. Japão fala que com o dinheiro tem investido na propriedade e o que sobra compra bens. “Comprei um carro novo”, relembra.

Já Maria Lúcia Fardim Dalcin e o marido têm investido o ganho com a comercialização da produção para o PAA na formação das três filhas. “Alugamos um apartamento para elas na cidade. Estamos investindo no estudo das filhas. Acredito que esta é a melhor herança que vamos deixar para elas”, relata.

Há dois anos, fornecem ovo, cebola, pimenta doce, mandioca, banana. O café, que não é comercializado pelo PAA, é vendido para cerealistas. “A experiência com o PAA tem sido boa. É uma renda mensal que ajuda bastante. É saída para melhorar a renda na roça”, explica Maria Lúcia.

Doação – Depois das 11h, também nas terças-feiras, representantes de 18 entidades socioassistenciais buscam, no Feirão do Produtor, os alimentos doados pelo PAA. Cada entidade recebe a quantidade para atender a sua demanda. “Trabalhamos com entidades que servem café da manhã, almoço e jantar, e temos entidades que servem somente o almoço. Atendemos em torno de 3 mil beneficiários de todas as entidades cadastradas”, explica a coordenadora municipal do programa, Margareth Pereira da Silva Regalado. “Tenho hoje um cadastro de reserva de entidades com mais de cinco unidades, mas precisaríamos de mais recurso para atender a todos”, completa.

Michael Douglas dos Santos, 12 anos, passa todas as manhãs no Instituto Educacional Marechal Rondon Guarda Mirim, que, desde 1989, atende crianças entre 10 e 16 anos. “Todos tratam a gente bem, nos ensinam educação e nos dão aula de religião. Antes, eu ficava na rua, não respeitava a minha mãe. Agora aprendi, respeito a minha mãe e cedo lugar para os mais velhos no ônibus”, conta o menino.

As cem crianças do instituto participam de aulas de computação, reforço escolar, educação física, artes marciais e religião. “Antes, só almoçavam. Depois que o PAA chegou, começaram a ter também o café da manhã”, explica a presidenta da entidade, Maria Bernadete de Almeida Santana. “A gente agradece a todos que têm nos apoiado. O PAA foi uma força para nossas atividades desenvolverem suas atividades da melhor forma possível”. Ela conta que recebem toda semana a galinha caipira, verduras, frutas, legumes, pão, biscoito, polpa de frutas.

Michael, que cursa a 7ª série, elogia: “tem muitos alimentos bons”. Ele também pede: “Prometa pra mim que não quero que falhe o programa, que nunca acabe”. Igor Vinícius da Silva Lopes, que está na Guarda Mirim há um ano e meio reforça: “O almoço hoje estava uma delícia! Depois do PAA, a comida ficou muito gostosa, teve muita mudança”.

PAA – O programa busca garantir o acesso a alimentos em quantidade, qualidade e regularidade necessárias às populações em situação de insegurança alimentar e nutricional. Também promove a inclusão econômica e social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

Criado em 2003, é um instrumento da Política de Segurança Alimentar e Nutricional. Compra o alimento diretamente do pequeno agricultor, valoriza e estimula a atividade da agricultura familiar, fortalecendo o segmento, e incentiva a organização desses trabalhadores em cooperativas e outras formas de arranjos produtivos.

Na outra ponta, auxilia o combate à fome e à desnutrição, promovendo distribuição de alimentos à população de baixa renda nas redes socioassistenciais (abrigos, casas albergues, creches, hospitais, entre outros), escolas, Restaurantes Populares, Cozinhas Comunitárias e Bancos de Alimentos. Estima-se que, nos últimos três anos, cerca de 14 milhões de pessoas já foram beneficiadas com esses abastecimentos.

Até o momento, mais de 377 mil famílias, moradoras de 2,3 mil cidades de diferentes regiões do País, já aderiram ao programa. Executado em parceria pelos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do Desenvolvimento Agrário, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), prefeituras e governos estaduais, o PAA já investiu mais de R$ 3,5 bilhões na aquisição de 3,1 milhões de toneladas de alimentos de cerca de 160 mil agricultores. Os produtos abastecem 25 mil entidades.

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