Projeto Campo Futuro analisa custos de produção nas regiões Sul e Sudeste
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Imagem: Pixabay
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Projeto Campo Futuro analisa custos de produção nas regiões Sul e Sudeste

CNA realizou nesta semana levantamentos de custos de produção de pecuária de corte e de leite, cana-de-açúcar e grãos
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com centros de pesquisa, realizou nesta semana levantamentos de custos de produção de pecuária de corte, pecuária de leite, cana-de-açúcar e grãos nas regiões Sul e Sudeste do país.

A iniciativa faz parte do Projeto Campo Futuro, que analisa as informações obtidas a partir da realidade produtiva apresentada pelos produtores nos painéis, que passaram a ser virtuais neste ano por medidas de segurança e prevenção contra o coronavírus para evitar o contágio da doença.

Grãos – Na quarta (7), o levantamento de custos de soja, milho, feijão e trigo foi realizado no município de Castro (PR). Dados preliminares revelaram que todas as culturas tiveram boa remuneração na safra 2019/2020. Com exceção do trigo, a soja, o milho e o feijão tiveram aumentos de preço de 16%, 23% e 41%, respectivamente.

Com relação à produtividade, a soja registrou aumento de 11,4% ante a última safra, enquanto o milho teve alta de 9,8% e o feijão cresceu 19,3%, devido à distribuição de chuva na região. Apenas o trigo manteve a mesma produtividade da safra 2018/2019.

De acordo com o assessor técnico da CNA, Thiago Rodrigues, o levantamento apontou que os insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) responderam por 58% e 62% do Custo Operacional Efetivo (COE). “O custo com defensivos na cultura da soja, por exemplo, avançou 24% em relação ao último acompanhamento do Projeto Campo Futuro na região”, disse.

Leite – Ainda na quarta, foi realizado o painel de pecuária de leite em Guaratinguetá (SP). Segundo a coleta de dados, a propriedade modal da região é composta por animais da raça Girolando, com uma produção diária de 900 litros, sendo 50 vacas em produção, tendo assim uma produtividade de 18 litros por vaca ao dia.

O assessor técnico da CNA, Gabriel Oliveira, participou do encontro virtual e afirmou que a alimentação dos animais dessa propriedade modal é composta por pastagem para o período das águas e suplementada com silagem na seca. “Além disso, para alcançar a boa produtividade, os animais recebem ração concentrada durante o ano todo”.

O COE da propriedade representa 79,4% da receita, permitindo que o produtor tenha boas margens. O principal custo da propriedade é com alimentação, comprometendo 42,5% da sua receita. “A propriedade consegue ter bons índices técnicos de produção, mas a genética apurada, somada a fatores climáticos e gargalos nutricionais, comprometem os indicadores reprodutivos”.

Cana – Na terça (6), os técnicos do Projeto Campo Futuro se reuniram virtualmente com produtores do município de Penápolis (SP). No painel, foi retratada a realidade produtiva de uma propriedade modal de 120 hectares, com produtividade média de 70,5 toneladas por hectare.

O assessor técnico da CNA, Rogério Avellar, informou que houve aumento de 9,7% do preço do Açúcar Total Recuperado (ATR) com relação à última safra. O Custo Operacional Total (COT) fechou em R$ 83,53 por tonelada de cana. Já o Custo Total (CT) ficou em R$ 111,53/tonelada e a receita bruta foi de R$ 91,80 por tonelada de cana.

De acordo com os dados levantados, o produtor de cana de Penápolis tem arrendado mais terras para produtores de soja e amendoim, com o objetivo de melhorar as condições de solo e reduzir os custos com renovação do canavial.

Pecuária de corte – Na segunda (5), a CNA e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) realizaram o levantamento dos custos de produção de pecuária de corte em Santo Ângelo (RS). A propriedade modal da região possui 500 hectares de área total, com sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF).

Na área agricultável, o percentual para produção de forrageiras de inverno caiu entre 2017 e 2020. Há três anos, metade da área era destinada para forragem e hoje, durante o período de seca, somente 35% da área é destinada para forragem dos animais. Segundo os produtores, houve aumento de produtividade da área, de desempenho dos animais e de participação da pecuária de corte na receita da propriedade.

O analista de custos do Cepea, Giovanni Penazzi, disse que foi observado um salto produtivo na pecuária de corte. “Anteriormente, o produtor dessa propriedade modal vendia 2.900 arrobas por ano. Hoje, a produção é de 4.670 arrobas ao ano, ou seja, esse produtor passou a ser mais eficiente”.


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