Prolongamento do conflito no leste europeu preocupa agro
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Imagem: Divulgação
CONSEQUÊNCIAS

Prolongamento do conflito no leste europeu preocupa agro

Agricultores estão cada vez mais preocupados, por conta do anúncio que os estoques brasileiros seriam suficientes para mais três meses
Por: -Aline Merladete

As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia, somadas às sanções impostas pelo mundo aos russos, aumentam a preocupação dos agricultores e pecuaristas brasileiros, que temem a escassez de insumos, o que afetaria diretamente a produção agrícola do país. Como um dos principais produtores de potássio do mundo – elemento essencial na produção de fertilizantes -, a Rússia responde por 23% das importações do Brasil, que importa 85% dos insumos que utiliza. Já nos primeiros dias do conflito os preços dos fertilizantes já subiram, alguns quase dobraram de preço, afetando diretamente o mercado mundial de fertilizantes. 

No Brasil, os agricultores, que já vinham enfrentando alta dos preços destes insumos, se preocupam com a falta deles para os próximos plantios. Quanto mais o confronto se prolonga, maior será o impacto. Diante da ameaça, a franquia Reino Rural Franchising - especializada em produtos agropecuários como suplemento nutricional animal e fertilizantes - já registrou um aumento de 30% na procura por parte dos produtores rurais. Esse crescimento vem sendo sentido desde novembro de 2021.

“Os agricultores estão cada vez mais preocupados, por conta do anúncio que os estoques brasileiros seriam suficientes para mais três meses. O medo da escassez fez aumentar ainda mais a procura”, explica Matheus Ferraz, diretor executivo da Reino Rural Franchising.

Impacto na produção

O Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo. Perto de 23% dos adubos ou fertilizantes químicos importados em 2021 - mais de 9,2 milhões de toneladas do produto - vieram da Rússia, segundo levantamento do Comex Stat, portal do Ministério da Economia. A utilização de adubos e fertilizantes impacta tanto na agricultura quanto na pecuária, pois são essenciais para o desenvolvimento da produção. 

O milho, por exemplo, é a base da ração de bovinos, suínos, caprinos, ovinos e aves. “Portanto, o aumento do valor dos produtos utilizados na alimentação dos animais também eleva os custos de produção do setor e encarece, ao final, o preço da carne e dos ovos. Ou seja, a questão dos adubos e fertilizantes é essencial para o agronegócio”, diz Matheus.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que o custo para a produção agrícola em 2022 seja o mais alto da história do agronegócio. Em 2021, o setor produtivo já conviveu com aumento que chegou a 100% em muitas marcas de fertilizantes e defensivos. O reajuste deve se manter este ano. Com os custos da produção tão altos, o reflexo chega até a mesa do consumidor.

É aí que a tecnologia, aliada ao modelo de negócio de franquia, auxilia o produtor nesses momentos difíceis, dando segurança necessária. “Agilizamos os contatos, as encomendas, além de orientar sobre o melhor caminho a ser utilizado. Comercializamos em torno de 60 toneladas de produtos por ano”, afirma Matheus.

O diretor garante que a Reino Rural não tem problema de estoque. Ele explica que a empresa tem matéria-prima para um aumento significativo da produção, caso seja necessário. “Os nossos clientes estão bem preocupados com a falta dos produtos e com o aumento dos custos, todas as perguntas giram em torno dessas duas situações, nossa obrigação é ajudar e tranquilizar”. 

O diretor explica ainda que a Reino Rural tem um planejamento para minimizar as consequências negativas. “A estratégia da nossa empresa não é usar o conflito internacional para assustar o produtor, mas sim orientá-lo quanto as consequências negativas da nossa dependência de insumos de outros países, o que “pode” implicar na falta ou dificuldade de importação, além da elevação dos preços. A orientação é para que eles se organizem para a próxima safra”, frisa o executivo.

Matheus afirma que a Reino Rural acredita que o setor consiga superar essa situação e toma como base os dados trazidos pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), segundo o qual o agronegócio brasileiro fechou fevereiro de 2022 com superávit na balança comercial, de US$ 9,3 bilhões, crescimento de 78,8% frente a fevereiro de 2021, e de 20,8% frente a janeiro de 2022. 

O valor das exportações do setor correspondeu a 45,9% do total exportado pelo Brasil neste mês, ou US$ 10,5 bilhões, enquanto as importações representaram apenas 6,6%, ou US$ 1,2 bilhão, aumento de 64,5% e 2,0%, respectivamente, frente ao mesmo mês do ano anterior. O resultado do agronegócio contribuiu de forma positiva e decisiva para a balança comercial total, que considera os produtos de todos os setores, encerrando fevereiro com superávit de US$ 4,0 bilhões.   

informações assessoria.


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