Qual é a qualidade dos azeites produzidos no Brasil?

Imagem: Pixabay

GUIA DE AZEITES

Qual é a qualidade dos azeites produzidos no Brasil?

Azeites nacionais ganham um guia de degustação e conquistam prêmios internacionais
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São mais de 70 marcas de azeite extravirgem produzidos no Brasil e muitos prêmios em competições internacionais. Na última década a olivicultura cresceu expressivamente no Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul e na região da Serra da Mantiqueira, além de cultivo em Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Mas como identificar as principais variedades produzidas no Brasil, e qual é a qualidade dos azeites produzidos em território nacional?

Para responder essas e outras perguntas, o escritor e degustador de azeites, Sandro Marques, lança o Guia de Azeites do Brasil, que neste ano, na sua terceira edição, passa a ser intitulado: Extrafresco: O Guia de Azeites do Brasil. “É uma alusão ao azeite que cruza o Brasil em um dia e é servido extrafresco: mais aromático, mais saboroso e melhor para a saúde”, enfatiza o especialista.

Com a experiência de quem é jurado de prestigiadas competições internacionais de azeite, Marques degustou mais de 90 amostras de azeite de oliva produzidos no Brasil para escrever o guia, que será lançado no mês de julho e já está disponível em pré-venda. Dessa forma, o escritor explica que o Guia se propõe a explicar, de forma clara e criativa, desde o cultivo até as técnicas culinárias, ilustrado com infográficos.

Outra atração é uma seção dedicada a receitas, divididas em saladas e sopas, pratos principais, sobremesas e pratos brasileiros. “Fomos além das receitas e pesquisamos também as técnicas culinárias que fazem uso do azeite. As receitas foram testadas por uma equipe de cozinheiros profissionais. Todas têm dicas de harmonização com azeite, onde comprar e a história de cada produtor”, conta.

O cultivo de azeitonas vem crescendo no Brasil. Em 2019, a produção atingiu o volume recorde de 1,4 milhão de toneladas, enquanto a produção de azeite foi de 240 toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro da Olivicultura (Ibraoliva). Já em 2020, a safra de azeitonas no país sofreu com as intempéries do clima e a produção de azeitonas ficou quase 60% menor em relação à safra passada. No entanto, Marques revela que a qualidade não foi prejudicada.

“Percebo que temos avanços em relação aos anos anteriores e aprendizados a serem processados. Há muitos produtores que dominaram a extração, ou souberam se valer de profissionais que sabem fazer isso, e mantiveram um padrão internacional do seu azeite, que deve se refletir nas premiações”, afirma.

A qualidade de um bom azeite não é determinada somente pela azeitona. Um detalhe importante é o cuidado na hora da colheita e o processo de fabricação do azeite. A olivicultura no Brasil, apesar de ter uma produção de qualidade reconhecida internacionalmente, ainda enfrenta algumas dificuldades. "A olivicultura no Brasil é uma corrida de obstáculos. Tem que conhecer bem a sua terra, tem que escolher as variedades corretas. Aprender ano a ano como fazer o controle fitossanitário e como aumentar a produtividade e conviver com a instabilidade do clima, além de encontrar canais para escoar a produção”, diz Marques.

Com a expertise de quem é membro da Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio D’Oliva, na Itália, Marques afirma que, como a safra varia e as vezes o volume de produção é baixo, em alguns anos, há produtores que só extraem azeite para consumo próprio. No entanto, ele mantém todos no guia. “Isso porque por trás de todo olival tem sempre uma história de sonho e o desejo de deixar um legado. São essas histórias que eu busco contar. É bastante trabalhoso fazer a lista completa, já que não há cadastro consolidado dos produtores. É um trabalho feito o ano todo, de contatar o produtor, quando possível visitar a propriedade, conhecer a sua história.

“Em 2019 estive na Itália, Portugal e Grécia para participar de congressos, encontrar com outros especialistas e conhecer produtores locais. Fico orgulhoso de ver que, com muito esforço e empreendedorismo, os produtores brasileiros conseguiram colocar o Brasil no mapa do azeite mundial. Por onde passei, todos queriam saber mais sobre nossos azeites”, conta.

Olivoturismo

O Olivoturismo vem ganhando cada vez mais espaço no setor, estando presente em vários empreendimentos de olivais estados, sobretudo na Serra da Mantiqueira, São Paulo (região de Campos de Jordão) e no Rio Grande do Sul. Por isso, o assunto recebeu uma atenção especial do autor no Guia do Azeite Brasileiro. Seguindo os passos da vinicultura e o turismo fomentado pelas rotas dos vinhos, o olivoturismo ainda é tímido no Brasil, mas, começa a ganhar fôlego e se expandir pelas regiões produtoras.

Essa tradição de vinho e azeite, forma legados e histórias que agora ganham forma, integrando rotas turísticas nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, principais estados produtores de azeite no Brasil. No Rio Grande do Sul por exemplo, foi instituída por Lei, em 2019, a Rota das Oliveiras, que compreende 24 municípios responsáveis por 32 marcas de azeite.

Na seção de olivoturismo, estão listados os principais empreendimentos que começam a investir e unir o azeite, turismo e gastronomia, como detalha Sandro. “Azeite é mais que um condimento. É uma cultura, um jeito de ser e contemplar a natureza. Isso é valor para o turista e é importante do ponto de vista econômico para o turismo interno”. Aproveitando o clima de turismo e gastronomia, o guia tem até uma playlist de músicas brasileiras, selecionadas especialmente pelo maestro Gil Jardim, da Orquestra de Câmera da USP, disponível no Spotify.

No prefácio do mais novo guia de azeites brasileiros, as palavras da restauratrice Cristiana Beltrão e no posfácio, o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura, Paulo Marchioretto.

 


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