Queda no preço da cana esfria o valor das terras

Agronegócio

Queda no preço da cana esfria o valor das terras

A recente queda no preço da cana ocasionou um esfriamento momentâneo no mercado de imóveis rurais
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A recente queda no preço da cana-de-açúcar ainda não provocou redução no valor das terras, mas ocasionou, sim, um esfriamento momentâneo no mercado de imóveis rurais. O reajuste para baixo do preço de fazendas e sítios deve acontecer dentro de três a quatro meses, adequando-se ao novo quadro, depois de uma valorização desenfreada nos últimos dois anos.

Esta é a constatação feita junto a corretores de imóveis e vale para diferentes regiões, com destaque para Ribeirão Preto (SP), maior centro de produção sucroalcooleira do Brasil. Curioso é que o fato acontece alguns dias após o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão da Secretaria da Agricultura do Estado, ter divulgado levantamento demonstrando a alta valorização de terras em São Paulo em função da maior procura para plantio de cana.

Defasagem

O levantamento do IEA, só agora conhecido mas concluído em 2006, revelou que o preço médio da terra de primeira na região de Ribeirão Preto oscilava entre R$ 13.527,62 e R$ 17.652,89 o hectare (10 mil metros quadrados), isso correspondendo a R$ 32.736,84 e R$ 42.719,99 por alqueire (24.200 m2).

Esta era a realidade antes, segundo o corretor Attílio Benedini Neto, “mas houve uma mudança com a valorização contínua, chegando o preço da terra este ano na região a 50 mil e até 70 mil reais o alqueire, numa diferença dependente muito mais da localização do que da qualidade da terra”. Quanto mais perto da usina, maior o valor da terra. Mas também deve se considerar, segundo Benedini, que há pouca oferta de terras na região.

São poucas oportunidades de negócios em termos de venda, confirma outro corretor, Vanderci Vasco, de Orlândia. Mas ele cita um caso concreto atual: o de uma fazenda colocada à venda, de 34 alqueires, em Guará, com o proprietário pedindo R$ 60 mil por alqueire. “A 55 mil ele teria vendido”. “Agora talvez seja mais difícil”.

Após este período momentâneo de esfriamento, “em que o dono da terra não quer vender por menos, mas o interessado em comprar também não se dispõe a pagar mais”, segundo Benedini, a queda no preço é inevitável, e isto deve perdurar durante dois a três anos, “que é o prazo normal quando a crise afeta a cana, como já aconteceu antes”.

Regras de valorização

A cana-de-açúcar dita as condições de mercado, principalmente num município como o de Ribeirão Preto, onde esta cultura ocupa em torno de 85% da área total agricultável, considerando-se nesse dado o espaço “emprestado” a soja e amendoim, plantados nos anos de renovação dos canaviais.

Em Sertãozinho e Serrana, a cana tem predomínio equivalente ao que se verifica em Ribeirão Preto, enquanto em outros municípios da região não chega a tanto, mas, sendo a cultura de maior área, e tendo em vista sua contínua expansão, ela é a base dos negócios imobiliários na zona rural.

Um agrônomo da Secretaria da Agricultura pondera que “é preciso ter cuidado quando se fala em números sobre valor das terras, pois há muita especulação e, obviamente, muita diferença entre o que o possível vendedor pede e o preço que o possível comprador está disposto a pagar”.

Moeda cana

Mas ele não refuta que as terras foram valorizadas e que a cana influi nessa tendência. Inclusive adota-se a “moeda cana”. Segundo A Cidade ouviu de corretores de imóveis, até antes do início da safra do ano passado, falava-se que, em média, um alqueire valia mil toneladas de cana e este ano já se falou até em 1.500 toneladas.

Na cotação atual da cana-de-açúcar, o valor maior atingiria perto de R$ 55 mil o alqueire, isto já considerando que o preço da cana caiu mais de 30% em maio deste ano comparativamente com maio do ano passado. Neste período, caiu de R$ 46,41 para R$ 35,35 a tonelada.

Arrendamento

Os que possuem terras e não querem vender, preferindo o arrendamento para cana, sofreram com esta desvalorização, mesmo que há dois anos vinham arrendando por 50 a 55 toneladas e passaram a receber na base de 60 a 65 toneladas. Até 80 toneladas, no caso de terra bem próxima de usina.

Preço no Triângulo

Por causa da valorização das terras no Estado de São Paulo, especialmente na região de Ribeirão Preto, desde o início da década de 1980 muitos produtores com áreas menores realizaram sua venda e, com o dinheiro, foram investir no Triângulo Mineiro. Objetivo: o plantio de soja numa área maior.

Hoje isso já quase não acontece devido à valorização naquela região, provocada antes pela soja e, agora, muito mais, pela cana-de-açúcar em fase de expansão.

Em torno de Uberaba, perto de usina, a terra chega a valer de 60 mil a 70 mil reais o alqueirão (duas vezes o alqueire paulista), enquanto há dois anos podia ser adquirida a 30 mil reais, informa Francisco Sordi, agrônomo da cooperativa Carol na região.

Agora a região do Triângulo entra também no processo de esfriamento do mercado.


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