Reconhecimento: quem faz diferença na vida de agricultores familiares

Agronegócio

Reconhecimento: quem faz diferença na vida de agricultores familiares

Resultados de um trabalho árduo, feito por pessoas que sabem qual a realidade do campo
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Só quem já vivenciou todas as nuances da agricultura familiar pode entender o significado das conquistas que estão sendo anunciadas nos últimos dias, quando a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) promove a Semana do Extensionista Rural. O volume de recursos que o Governo Federal vai destinar às empresas públicas de Ater, R$ 52 milhões, e a notoriedade que recebe a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), são demonstrações claras de que esta é uma política pública cada vez mais valorizada no país.

“São resultados de um trabalho árduo, feito por pessoas que sabem qual a realidade do campo”, comenta o primeiro extensionista rural a chegar ao cargo de deputado federal, Zé Silva, que cumpre atualmente seu segundo mandato. Antes de chegar à Câmara Federal, ele trabalhou com os pais na roça, no interior de Minas Gerais, fez faculdade de agronomia, estágio no primeiro assentamento de reforma agrária do governo civil brasileiro e ocupou diferentes cargos na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), inclusive a presidência da entidade.

“Comecei na Emater trabalhando com 130 famílias de agricultores, passei para 500 mil quando estive na presidência, e cheguei a responder pelo Brasil inteiro no cargo de presidente da Asbraer (Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural)”, explica o deputado.

Zé Silva conta que um estágio na França o ajudou a construir sua causa política: “Na Europa, eu vi que algumas utopias podem se tornar realidade. Dá para mudar o Brasil a partir do campo, a partir da extensão rural”. E não são poucas as histórias que o deputado conta que se tornam marcos importantes na sua carreira.

Dona Ana, da comunidade do Mocambo, no município de São Francisco (Norte de Minas), mostrou que de pouco adiantavam as políticas públicas, os serviços e o apoio dos governos se não houvesse água tratada para beber. Desde então, foram feitos no semiárido mineiro mais de 900 sistemas comunitários de abastecimento de água, atendendo mais de 60 mil famílias do meio rural.

“Sempre trabalhei na extensão rural na perspectiva da construção de novos saberes, e eu me lembro muito do que aprendi com o sr. Juscelino”, continua o deputado. Juscelino era morador de um assentamento, também de Minas Gerais, e com seus mais de 80 anos de idade plantava milho com métodos antigos. Zé Silva, extensionista na época, propôs então plantar 10% da roça do agricultor com uma metodologia mais atual e produtiva. Com sua sabedoria, Sr. Juscelino propôs que fosse a metade, e que plantassem juntos. E assim o fizeram. Como a parte da roça com o novo método foi mais bem sucedida, os dois concluíram que seus ensinamentos se complementavam, já que o agricultor ensinou ao extensionista que ele deveria haver respeito pelos costumes e tradições dos mais velhos.

Hoje, Zé Silva preside a Frente Parlamentar de Ater na Câmara, que é composta por mais cinco deputados que fizeram carreira como extensionistas. Juntos, eles estão vendo o projeto da Anater, que foi instituída em maio, ganhar novos rumos. No cargo desde agosto, Ricardo Demicheli, diretor de administração da agência, diz que a Anater é um grande desafio. “O Brasil é o país que mais tem terras agricultáveis disponíveis no mundo, e oferecendo assistência universalizada e com qualidade, vamos dar um grande saldo na produção de alimentos no Brasil, em quantidade e qualidade”.

Ao contar que está trabalhando com metas de contratos com recursos superiores a R$ 100 milhões, Demicheli enfatiza a implantação de um termo novo de parceria entre a União e os estados: “É um pacto nacional pela Ater, no qual o Governo Federal entra com uma parcela de recursos, e os estados com outra. Um modelo novo de repasse, diferente dos editais e das chamadas públicas. É mais direcionado e vai se concentrar mais na atividade meio, alcançando diretamente o agricultor familiar”, disse, animado.

Além da facilitação dos repasses de recursos, outras frentes de trabalho da Anater são a estruturação das empresas públicas de Ater e a qualificação dos extensionistas rurais.

Boas Práticas de Ater

Outra política pública que merece destaque é a Seleção Nacional de Boas Práticas de Ater – que, como o próprio nome sugere – é uma ação que tem como objetivo premiar e publicar experiências exitosas no âmbito da Política Nacional de Ater (Pnater) e que possam ser replicadas por todo o Brasil. Promovido Sead, o projeto teve grande repercussão em 2015 e agora está em curso a sua segunda edição.

Ao todo, 134 propostas foram selecionadas na fase estadual e agora estão sendo avaliadas na comissão nacional. O seminário em que os vencedores serão apresentados deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem. De acordo com o secretário especial da Sead, José Ricardo Roseno, este projeto demonstra a força e a qualidade do extensionismo no nosso país: “A extensão rural brasileira mostra ser capaz de inovar e criar as condições necessárias para melhorar e aumentar a produção de alimentos saudáveis, inserir os agricultores familiares na economia, e melhorar as condições de vida no campo”, disse. Para conhecer o primeiro Caderno de Boas Práticas de Ater.


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