Redução da chuva preocupa criadores de gado sul-mato-grossenses
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Agronegócio

Redução da chuva preocupa criadores de gado sul-mato-grossenses

As pastagens estão sofrendo bastante e ainda é preciso muita água para recuperá-las
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Criadores de gado de Mato Grosso do Sul estão preocupados com a redução no volume de chuva. As pastagens estão sofrendo bastante e ainda é preciso muita água para recuperá-las.

A chuva veio, mas não o suficiente para mudar a cor amarelada dos pastos. Na Fazenda Canaã, em Campo Grande, o pecuarista Gustavo Coelho Jardim, que também é médico veterinário, cria 700 cabeças de gado. Ele cria, recria e engorda. Há dois anos, ele não via uma estiagem tão intensa. Mesmo usando variedades mais resistentes, como a braquiária, a pastagem ficou seca. Por isso, há 20 dias, ele começou a complementar a alimentação dos animais.

Para manter o ganho de peso no período de seca o pecuarista está oferecendo uma suplementação aos animais. É uma mistura de cana, milho e ureia. Tudo é preparado na propriedade. A cana é colhida todos os dias e triturada. A ureia é diluída em água.

O seu Clarindo Rodrigues, que trabalha em fazendas de criação de gado há mais de 30 anos cuida bem dessa parte para não haver excesso na hora de fazer a mistura. Para cada cem quilos de cana ele usa um quilo de ureia. “Dilui a ureia para poder evitar a intoxicação do animal. Se chover à noite, no dia seguinte pela manhã a gente tem que tirar para os animais não comerem aquela ração com aquele líquido”, explicou.

Já no coxo o farelo de milho é misturado. A suplementação é dada duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde. Assim, Gustavo pretende passar o período sem perdas no rebanho.

“O que não pode acontecer nesse período é o que chamamos de efeito sanfona. É a perda do estado corporal, a perda de peso. Nos animais de terminação esperamos um ganho de peso diário em torno de 700 gramas a um quilo com o fornecimento da cana, do milho e da ureia”, esclareceu Gustavo.

O engenheiro agrônomo Alexandre Agiova, que é pesquisador da Embrapa Gado de Corte, explicou que no período de estiagem o capim perde muitos nutrientes e proteínas. Ele disse ainda que a recuperação do pasto seco pode ocorrer naturalmente, mas para isso seria necessário pelo menos 20 dias de chuva constante. Depois de quase 40 dias de estiagem o acumulado de dois dias de chuva foi de 20 milímetros. É ainda muito pouco para recuperar o capim.

“Nós precisaríamos de digamos, em termos de chuva, que de fato sustentasse uma produção dessa pastagem dentro de um período atípico, de 60 a cem milímetros durante esse período. Ele teria que repor a capacidade que o solo tem de reter a água para que as plantas tenham condições de as plantas utilizarem essa água para rebrotar”, disse Agiova.


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