Região centro-oeste gastou R$ 990 mi pa­ra con­tro­lar a fer­ru­gem

Agronegócio

Região centro-oeste gastou R$ 990 mi pa­ra con­tro­lar a fer­ru­gem

Na Bahia, a ferrugem custou R$ 104 milhões
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O pesquisador Luiz Henrique Carregal, da Universidade de Rio Verde (Fersurv) apresentou informações sobre a situação da ferrugem no centro-oeste brasileiro (MT, MS, GO, DF), que cultivou 9,9 milhões dos 21 milhões de hectares de soja brasileiros. A produção da região foi de 29,1 milhões de toneladas. A previsão de produtividade era de 51,20 sacas por hectare, mas foram colhidas 49,05 sc/ha. ‘‘É muito difícil creditar esta queda de rendimento só à ferrugem. Houve muito mais influência climática’’, defende.

Segundo ele, o grupo químico mais usado para controle da doença foi a mistura de estrobilurinas e trizóis. O número médio de aplicações na região variou entre 1,8 e 4, com uma média de 2,5 aplicações, por hectare. ‘‘Gostaria de recomendar aos produtores não utilizar o mesmo produto comercial, em mais de duas aplicações, na mesma safra. Apesar de não termos dados conclusivos, percebemos que a utilização do mesmo produto pode interferir na seleção de populações de fungos menos sensíveis aos fungicidas’’, alerta Carregal.

No levantamento apresentado pelo pesquisador, o custo para controle da doença variou entre 2,5 e 3 sacas por hectare (entre R$ 100 e R$ 120,00, considerando o valor de R$ 40,00 a saca). Ou seja, a região gastou uma média de R$ 990 milhões para controlar a ferrugem. ‘‘A evolução da doença foi lenta nos primeiro cultivos, principalmente em decorrência da estiagem na região e do vazio sanitário (período sem plantio de soja na entressafra que varia de 60 a 90 dias, dependendo do estado). Vale destacar que o vazio sanitário é fundamental para reduzir a presença do fungo que causa a ferrugem da soja’’.

Na Bahia, as perdas com ferrugem ocorreram de forma isolada. Enquanto na maioria dos estados brasileiros houve seca, a Bahia que cultivou 982 hectares de soja, não via tanta chuva nos últimos 20 anos, informou a pesquisadora Mônica Martins, da Fundação Bahia. Em novembro, ocorreram chuvas em 20 dias no mês, com média de 480 mm a 500 mm, dificultando a semeadura.

Por outro lado, informou ela, não ocorreram os tradicionais veranicos em dezembro e janeiro, e, em março e abril - época de colheita -, voltou a chover cerca de 20 dias em cada mês. ‘‘Além do clima estar favorável para a proliferação da ferrugem, havia dificuldade para entrar com as máquinas para aplicar fungicidas. Para piorar, as chuvas interferiram na eficácia dos produtos. E na hora de colher na parava de chover’’, diz.

Para controlar a doença, os produtores baianos gastaram R$ 104 milhões. A pesquisadora relatou que a grande quantidade de ferrugem presente no estado resultou num número muito alto de aplicações para controle da doença: média de 4,2 aplicação/hectare, com valor estimado em R$ 25,00/aplicação. Segundo relato apresentado pela pesquisadora Mônica Martins, da Fundação Bahia, a ferrugem não foi problema econômico no Maranhão, Piauí e Tocantins. (E.Z.)


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