Região de Ribeirão Preto/SP corta 1 milhão de pés de laranja por greening

Agronegócio

Região de Ribeirão Preto/SP corta 1 milhão de pés de laranja por greening

Doença avança nos pomares e, somada ao baixo preço que está sendo pago hoje pelas indústrias, está desestimulando produtores
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O greening, considerado o câncer da citricultura, foi responsável pelo corte de mais de 1 milhão de pés de laranja na região de Ribeirão Preto nos primeiros seis meses de 2009. Este número representa mais da metade das plantas eliminadas por causa da doença em todo o Estado no primeiro semestre.

Os números são da Secretaria de Estado de Agricultura e apontam outro fato preocupante: o greening está avançando na região. No primeiro semestre de 2008, 411 mil pés de laranja tiveram de ser sacrificados por causa da doença, que é transmitida por um inseto vetor. Neste ano, o total de plantas cortadas é de 1,09 milhão, ou 165% a mais.

A microrregião de Araraquara foi a mais prejudicada: cortou 746 mil pés da fruta. As plantas eliminadas na região representam 0,7% do total plantado -no Estado, esse percentual é de 0,4%.

"Não bastasse a crise pelo qual passa a citricultura, o greening dificulta ainda mais. Essa questão dificulta a decisão dos produtores de continuar investindo em pomares, em renovar as plantações", disse Flávio Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores).
"É uma notícia muito preocupante, pois a gente notava que o greening estava avançando mais lentamente aqui do que em outras regiões", disse.

Independentemente do avanço do greening, o setor sofre com os baixos preços praticados no mercado. Segundo Viegas, o custo de produção por caixa gira em torno dos R$ 15. Ao mesmo tempo, a indústria paga de R$ 3,50 a R$ 5,50 pela caixa. "Só colhe a fruta quem tem muita coragem. Tirar a laranja do pé neste cenário é prejuízo certo."

Mário Sérgio Tomazela, diretor de defesa vegetal da Secretaria de Estado da Agricultura, disse que a doença está avançando em estágio perigoso. "Há uma tendência de aumento na incidência do greening no Estado. Por isso é preciso reforçar a participação dos produtores. É uma doença altamente destrutiva", disse.

O produtor Ricardo Bueno, de Jaboticabal, sabe bem como é sofrer com o greening. Mais de 90% de seu pomar já foi cortado devido à doença.

"Eu tinha uns 2.000 pés. Hoje estou com menos de 200. E acho que também já estão contaminados. Não sei mais o que fazer, pois não adianta replantar, o greening reaparece. Estou pensando em abandonar a laranja e plantar amendoim."


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