Rendimento da soja cai em pelo menos 20% em Mato Groso

Agronegócio

Rendimento da soja cai em pelo menos 20% em Mato Groso

Há 32 dias que não chove na região do Mineirinho, divisa entre os municípios de Rondonópolis e Itiquira (MT)
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Depois da seca que ocasionou uma queda de 35% na safra de soja na região Sul do Estado agora é a vez dos cotonicultores começarem a contabilizar os prejuízos pelo mesmo motivo. Há 32 dias que não chove na região do Mineirinho, divisa entre os municípios de Rondonópolis e Itiquira. A estiagem nas lavouras da fibra pode reduzir a produtividade média da região de 260 arrobas (@/ha) por hectare, em 2004, para menos de 200 @/ha. A quebra da safra do algodão já está estimada em 20%.

O vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Sério De Marco explica que a mudança climática do ano passado para este ano foi abrupta. De acordo com levantamento realizado por ele, de dezembro de 2003 a maio de 2004 choveu 1,2 mil milímetros (mm) na região, e que até o dia 1º de maio, o índice pluviométrico na região não passou de 650 mm, mas com média de 420 mm. “Choveu menos da metade do que era esperado para esta safra”, lamenta.

O vice-presidente conta que para extrair 100@ de pluma de um hectares é preciso colher cerca de 260@ de algodão em caroço, “para que os custos de produção sejam cobertos sem problemas”. O próprio De Marco está com cerca de 1,5 mil/ha de algodão com produtividade “baixíssima”. Nestas áreas o rendimento tem sido de cerca de 100@ de algodão em caroço, que resultam em 39@ de algodão em pluma. “Como disse o custo de produção é de 100@. São áreas perdidas”, alerta.

De Marco acrescenta ainda que a safra de algodão deste ano está sendo prejudicada por duas secas, a primeira em fevereiro durante o plantio e agora no momento em que a planta está definindo o ponteiro e abrindo as maçãs, de onde saem as plumas. “Este é o momento em que o algodão mais precisa de água porque sem ela a planta não forma a pluma”.

INVESTIMENTOS - A cultura do algodão exige mais investimentos do produtor se comparada a da soja. O produtor de algodão e sementeiro de soja, na região da Serra da Petrovina (90 quilômetros de Rondonópolis), Carlos Ernesto Augustin, frisa que a cotonicultura reverte maior renda ao produtor. “Isso quando os custos não estão onerados e há a desvalorização cambial”. O produtor explica que a renda bruta por hectares de algodão plantado, eqüivale a quatro hectares plantados de soja.

Para De Marco com todos os custos em elevação e com preço final para o produtor em baixa, em relação a safra passada e mais recentemente os problemas em decorrência da seca, “provavelmente não haverá lucro para os cotonicultores nesta safra.

O custo de plantio de um hectare de algodão é de US$ 1,68 mil, podendo chegar a mais de US$ 2 mil em épocas de câmbio desvalorizado, com é o atual momento. A soja sofreu alterações no orçamento que os produtores haviam fechado no início do ano, passando de US$ 450 o hectare plantado, para até US$ 550.

As lavouras mais prejudicadas são as que foram plantadas em tempo normal e eqüivalem a 90% da produção da região. Outros 10% podem ter uma safra melhor em virtude de terem plantado cedo e se encontram com a planta em fase de colheita. De Marco calcula que alguns talhões comecem a ser colhidos em 20 dias. O Sul de Mato Grosso concentra mais de 60% da produção estadual.

Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a área estadual destinada à cotonicultura é neste ciclo 2% menor, se comparada ao volume ha cultivados para o ciclo 03/04. Para o algodão mato-grossense em pluma, a Conab projeta redução de 414 mil/ha para 406 mil/ha e queda da produção estadual de 582,2 mil toneladas (t), para 570,6 mil/t.

MAIS DIFICULDADES - Os produtores da região Sul ainda enfrentam outro problema. O algodão da região é tipo exportação e depende da alta qualidade para ser aceito e comercializado no mercado externo. “Só saberemos o que realmente vai acontecer com o produto depois da colheita. Pode ser que haja algum milagre com a máquina no campo e a produtividade fique alta, mas as chances são pequenas”, assegura De Marco. Pelas lavouras é possível avaliar que o algodão desta safra está menos viçoso, se comparado a safra passada. A grande parte das maçãs abertas estão na região do baixeiro, pouco acima do solo.

A colheita do algodão é realizada do final de maio a agosto. A seca que aflige principalmente a região de Rondonópolis e Itiquira também compromete, mas com menos intensidade os municípios de Alto Garças, Pedra Preta e Alto Araguaia.


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