Rentabilidade da agricultura permanece boa em 2012
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Agronegócio

Rentabilidade da agricultura permanece boa em 2012

Projeções fazem produtores ampliarem área plantada e adoção de tecnologia
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Projeções fazem produtores ampliarem área plantada e adoção de tecnologia
A rentabilidade das principais culturas agrícolas deve cair na próxima safra, mas ainda assim manter-se em um nível favorável para os agricultores. A previsão foi feita pelo sócio diretor da Agroconsult, André Pessôa, em palestra nessa segunda-feira (28) ao Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Para ele, a crise europeia afeta o agro brasileiro de forma direta e indireta. Diretamente, a crise pode gerar uma lenta redução da demanda por alimentos e fibras.

Já as influências indiretas são até mais perigosas e imediatas. Com a crise, os investidores protegem seus recursos em papéis de baixo risco, diminuindo a oferta de crédito para o financiamento à produção e ao comércio, e também abandonando as bolsas de commodities.

Isso já ocorreu nos últimos meses, o que fez as cotações internacionais das commodities caírem, mesmo sem grandes novidades de oferta e demanda. Agora que já deixaram o mercado, os fundos de investimento em commodities só podem representar uma oportunidade de os preços subirem, caso voltem a investir. “Entramos em 2012 com os fundos como uma mola contraída, que só pode se expandir.”

Se por um lado os preços internacionais das commodities recuaram, por outro o real se desvalorizou em relação ao dólar. Isso quer dizer que a queda de preços agrícolas está sendo menos sentida pelos produtores rurais brasileiros.

Renda estimula produção

Por isso, Pessôa espera que a rentabilidade das principais culturas agrícolas permaneça muito boa em 2012, embora abaixo das registradas em 2011. Essas boas perspectivas são sentidas pelos agricultores, que estão respondendo com um aumento de área plantada e de adoção de tecnologia.

As vendas de sementes, fertilizantes e defensivos mostram que culturas como milho e soja adotarão níveis tecnológicos extremamente altos, segundo Pessôa. “Esta é, de longe, a safra com melhor tecnologia da história no milho”, diz ele.

Já quanto à área plantada, a Agroconsult prevê um aumento de 600 mil hectares no milho total (safras de verão e inverno), para 8,5 milhões de hectares. Na soja, a expectativa é de um plantio de 25 milhões de hectares, 800 mil hectares acima da safra 2010/2011.

Como o clima neste momento de plantio tem se mostrado “excepcional”, a consultoria já revisou para cima suas projeções de produção de soja, por exemplo. A nova previsão é de que o Brasil produza 74,8 milhões de toneladas na safra 2011/2012, ante 73,8 milhões da previsão anterior.

“Essa projeção tem viés de alta e agora não é absurdo imaginar uma safra de 78 milhões de toneladas”, diz André Pessôa. Ele acredita ser muito possível o País superar o recorde de produção de soja atingido em 2011, que foi de 75,3 milhões de toneladas. O número é bem superior à projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 72,2 milhões de toneladas.

Riscos em 2013

Diante das perspectivas favoráveis para a safra 2011/2012, apesar das incertezas mundiais e da diminuição da rentabilidade, Pessôa demonstra preocupação com os resultados da safra a ser plantada no ano que vem, a do ciclo 2012/2013.

A queda significativa das cotações do algodão, em um cenário de aumento da demanda, deverá fazer a cultura perder área para a soja no plantio de 2012. O trigo do Paraná também deve continuar enfrentando uma situação de renda complicada, indicada mais uma vez neste ano pelos sinais de substituição da cultura pelo milho safrinha.

Até mesmo o milho deve sofrer em 2013 com um cenário de recuperação da produção mundial e lenta deterioração da demanda, causada pela crise europeia. “Embora demanda dos países emergentes continue dinâmica, essa demanda pode não ser concretizada se faltar financiamento dos bancos de países desenvolvidos para o comércio internacional”, explica o consultor. “Imaginamos preços de milho em declínio não tão relevante em 2012, mas bem mais relevante em 2013.”

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