Requião defende resistência aos transgênicos no Fórum Social Mundial

Agronegócio

Requião defende resistência aos transgênicos no Fórum Social Mundial

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O governador Roberto Requião defendeu neste sábado (29-01) durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, uma ampla resistência contra os alimentos transgênicos. Disse que a luta é uma questão de soberania, não só do Brasil, mas de todos os países em desenvolvimento. O pronunciamento do governador do Paraná abriu um painel com representantes de seis países - Nicarágua, China, Índia, França, Equador, Costa Rica - e foi feito para 3 mil representantes de movimentos sociais de todos os continentes.

Ao lembrar a luta do Paraná contra os transgênicos e traçar um mapa da disseminação do produto pelo Mercosul, especialmente na Argentina e no Rio Grande do Sul, Requião criticou duramente a Monsanto, detentora da patente. “Ceder à Monsanto é renunciar a soberania nacional. É jogar no lixo tanto esforço de pesquisa, tantos recursos investidos, tanto talento dos nossos agricultores e pesquisadores. Resistir é preciso”, alertou.

“Alguns ainda falam sobre a inevitabilidade da produção global. Querem-nos todos como robôs, mas somos brasileiros, argentinos, italianos, angolanos, chineses. Se somos um na decisão de construir uma nova sociedade, somos diversos em nossa cultura, nossas tradições. A uniformização é a negação da nossa identidade. É uma violência contra a história de cada um de nós”.

O governador ainda alertou: “Hoje a soja é submetida a um interesse monopolista. E amanhã vai ser o quê? Ceder hoje é um precedente extremamente perigoso. É a porta aberta para que amanhã produzam toda sorte de patentes e nos façam os novos servos da imensa gleba mundial.

Abrir a quarda para a soja geneticamente modificada é um passo largo para, logo em seguida, por exemplo, ceder a nossa água”.

Se por caso, acrescentou, o mundo – por frouxidão, por indiferença, até mesmo por fatalismo ou quem sabe por ignorância – ceder no caso da soja transgênica, terá menos força para resistir em defesa de outros interesses monopolistas. “É preciso pressionar. É preciso uma atuação muito firme ao presidente Lula. Ele precisa do nosso apoio para vencer internamente as tantas resistências, as chantagens, os argumentos trapaceiros que tentam desviá-lo e iludí-lo”.

Requião afirmou também que a questão dos transgênicos não se isola de outros assuntos que compõem as preocupações nacionais. “A política econômica que se pratica traz implicações claras, ramifica-se com as decisões que levaram a ceder à Monsanto. Quero dizer, nossa resistência tem uma amplitude maior. Ela toca a essência mesmo das orientações centrais do governo federal. Da nossa parte, no Paraná, vamos continuar a resistência”, destacou.

O governador também esteve com ministros do Brasil e com o presidente do Incra e, ao final da palestra, foi recepcionado por representantes de diversos países que disseram estar ao lado de Requião em sua luta. Representantes do país basco sugeriram uma parceria com o Paraná para importar a soja convencional produzida no Estado.


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