Retomada Verde e Inclusiva no setor Agrícola
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ANÁLISE

Retomada Verde e Inclusiva no setor Agrícola

Pandemia evidenciou ainda mais a necessidade da implementação de novas técnicas de produção
Por: -Aline Merladete
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A agropecuária é um importante setor na soma do PIB brasileiro, em 2019 representou 5,2% do total, sendo responsável por uma parcela de R$ 322 bilhões dos R$ 7,3 trilhões do PIB daquele ano de acordo com o IBGE. E se considerado todos os setores envolvidos com o agronegócio, a participação em 2018 foi de 22% do PIB nacional, de acordo com o CEPEA. Além disso, a produção brasileira coloca o país como o terceiro maior produtor agrícola do mundo e o segundo maior exportador de alimentos.

No ano de 2020 a chegada da pandemia causada pelo novo coronavírus, evidenciou ainda mais a necessidade da implementação de novas técnicas de produção. Esse tema já se mostrava necessário devido aos impactos que o atual sistema de produção tem no meio ambiente, e os riscos que esses impactos trazem em uma possível crise climática.

Fonte:IBGE

Fica então ainda mais atual a discussão de uma retomada verde e inclusiva - tema do seminário promovido pela rede ClimaInfo. Nesse seminário foram debatidas propostas de políticas públicas com o intuito de ser sustentável e economicamente viável. E uma dessas propostas diz respeito à agricultura de baixo carbono, com um foco na recuperação de pastagens degradadas. No qual já existe um financiamento destinado à prática, o Plano de Agricultura de Baixo Carbono - ABC.

O Plano ABC, além da recuperação de pastagens, inclui os seguintes programas: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN); Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos Animais; e Adaptação às Mudanças Climáticas no setor. E se faz necessário a divulgação do plano para os produtores rurais, profissionais de assistência técnica, e incentivar para que as instituições financeira públicas e privadas ofereçam essa linha de financiamento.

Um estudo da WRI Brasil, aponta que a implementação de técnicas para uma agricultura sustentável traz benefícios como: uso mais eficiente da terra, aumento de produção e produtividade, redução da pressão por desmatamento, melhoria da confiança do consumidor e dos mercados nacional e internacional. Outra proposta refere-se ao desenvolvimento econômico da silvicultura de espécies nativas, com o plantio em larga escala, que pode posicionar o Brasil como um dos líderes mundiais na exportação de madeira tropical. O estudo também aponta que o grande desafio do setor agrícola não está necessariamente vinculado à falta de tecnologia, mas à falta de acesso à assistência técnica.

No ano de 2000, 16,7 milhões de pessoas tinham como ocupação o setor agropecuário. Em 2017, 13,1 milhões de pessoas ocupavam o setor. E há projeções de que esse número seja ainda menor em 2020. O modelo da agricultura baseada no uso extensivo do espaço, não gera empregos, e gera uma demanda para a mão-de-obra cada vez mais especializada. Para ilustrar isso, o gráfico abaixo compara o aumento da produtividade média da soja [ kg/ha ] de todo território nacional, com o total de trabalhadores do setor agropecuário de 2000 a 2017. Claro, a soja não representa todo o setor agropecuário, mas ilustra muito bem o aumento da produtividade agrícola no decorrer desses anos e a debandada da participação das pessoas no setor.

Além disso, temos um aumento da participação do agro na parcela do PIB, um aumento nas exportações, mas uma retração significativa em empregos. Esse modelo de agricultura - extensivo e industrial - troca a agricultura familiar que tem um poder de inclusão melhor, mas não traz um rendimento financeiro alto.

Com as propostas para uma retomada verde e inclusiva aplicada no agro é possível gerar empregos, com  caráter social em especial para com indivíduos de baixa renda e em especial a agricultura familiar. E essa recuperação econômica vai se dar pelo investimento em políticas públicas, que pressupõe o papel do estado em apoio ao setor privado e a destinação correta de subsídios financeiros para créditos agrícolas. Gerando empregos, inclusão social, aumento de produção e conservação ambiental.

*Material exclusivo e elaborado pela equipe Agrotempo.


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