Rio Grande do Sul pode parar de vacinar gado
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Agronegócio

Rio Grande do Sul pode parar de vacinar gado

Não há circulação viral desde 2001 e os índices de vacinação têm ficado acima de 90%
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O Rio Grande do Sul poderá deixar, novamente, de vacinar de seu rebanho, sete anos depois da primeira experiência - mal sucedida. A iminência de o estado vizinho, Santa Catarina, receber o status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação deve aquecer o debate entre os gaúchos.

"O ciúme vai provocar uma reação e abrir o debate sobre o assunto", avalia Pedro Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). A discussão sobre a imunização é uma das bandeiras do atual secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, João Carlos Machado. Não há circulação viral desde julho de 2001 e os índices de vacinação no estado têm ficado acima de 90%. Em 2000, o Rio Grande do Sul parou de imunizar o rebanho, pleiteando junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o novo status - que seria analisado em maio de 2001. No entanto, passados nove meses da última campanha, surgiu um foco em Jóia, no Noroeste gaúcho.

"O risco hoje é externo. Temos de fazer uma avaliação, um mapeamento dos pontos a serem melhorados, reduzindo falhas. Afinal, a evolução do status sanitário é o caminho natural", diz Fernando Groff, chefe de Fiscalização e Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul. Ele acredita que é um processo que pode levar até quatro anos para ser concretizado.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, também espera o fim da vacinação para uns três anos. Mas, no momento, os frigoríficos locais não querem mudança. "Não compensa colocar em risco todos os nossos mercados para buscar melhoria em algum mercado específico", afirma. Em sua avaliação, algumas etapas anteriores deveriam ser cumpridas, como por exemplo, a rastreabilidade total do rebanho. No ano passado, o estado exportou cerca de US$ 500 milhões em carne bovina.

Desde 2002 que o estado recuperou o status internacional de livre de febre aftosa com vacinação, enquanto o seu vizinho não registra focos desde 1993. Em maio, a OIE deve analisar o pleito catarinense de tornar-se o primeiro estado brasileiro a ser considerado livre da enfermidade sem vacinação. A mudança de status vai permitir a abertura de novos mercados, que pagam até 40% a mais pela carne bovina.


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