Rizicultores da Região Sul terão R$ 1 bi para escoar safra

Agronegócio

Rizicultores da Região Sul terão R$ 1 bi para escoar safra

Entre as medidas anunciadas pelo governo, está a troca do milho pelo arroz como alimento de aves e suínos do RS
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Entre as medidas anunciadas pelo governo, está a troca do milho pelo arroz como alimento de aves e suínos do Rio Grande do Sul

Com intuito de elevar os preços do arroz para o produtor brasileiro, o governo federal anunciou nesta segunda-feira (27) novas medidas para apoiar os produtores da Região Sul do País. A previsão é negociar mais 1,5 milhão de toneladas do produto, através de programas como o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), o Contrato de opção de venda ao governo (COV) e a Subvenção para o lançamento de opções privadas (PROP). Essas novas medidas aliadas às operações já em andamento devem tirar do mercado brasileiro mais de 3,65 milhões de toneladas do produto.


Além das medidas para o escoamento da safra, o governo ainda vai instituir um grupo de trabalho com representantes das administrações federal e estadual (Rio Grande do Sul), produtores e integrantes do Irga, para discutir ações estruturais para a cadeia produtiva, como o melhor aproveitamento da área plantada, novas destinações para o arroz e atividades alternativas.

"Na questão do uso múltiplo do arroz estamos com negociações com a cadeia produtiva de suínos e aves do Rio Grande do Sul, para usar o arroz no lugar do milho na alimentação dos animais. Todos os estudos e pesquisas que fizemos mostraram que não há qualquer limitação em relação a isso. Teremos uma reunião final na semana que vem, que deve definir as políticas para essa negociação", afirmou o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Pereira.


A produção de arroz nessa safra ficou em 13,81 milhões de toneladas, e o consumo interno deve ficar na casa dos 12,8 milhões nesse ano. "Com as novas ações, o governo vai destinar, no total, a dotação de R$ 1,1 bilhão para apoiar a comercialização de 3,65 milhões de toneladas de arroz na safra 2010/2011", afirmou nesta segunda-feira o secretário de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Carlos Vaz. Com isso, a expectativa do governo é que os preços do produto voltem a reagir no mercado interno e aliviando a tensão para os produtores. Pereira acredita que essas ações devem resolver os recorrentes problemas enfrentados pelos produtores, que estavam recebendo menos de R$ 18 pela saca de 50 quilos do produto.

"A medida do governo é exatamente essa, tirar o produto do mercado e elevar os preços, que estavam abaixo de R$ 18. A expectativa é de que os valores superem a marca de R$ 25 a saca, ai sim os rizicultores do estado terão o retorno mínimo de seus negócios", frisou o presidente do Irga.


Hoje, o mercado brasileiro possui um excedente de produção de 2,49 milhões de toneladas de arroz que não serão exportadas e nem consumidas no mercado brasileiro, conforme balanço de oferta e demanda do governo. Os novos leilões vão trazer mais um milhão de toneladas para os estoques oficiais e a previsão é que outras 600 mil toneladas sejam exportadas até o final do ano. "Estamos utilizando diversos instrumentos para ordenar o escoamento da safra e garantir preço para o produtor. Além disso, os agentes financeiros já estão prorrogando as dívidas, na medida em que são procurados pelos produtores", disse Vaz.

Cláudio Pereira não acredita que os produtores sofrerão problemas para escoar suas safras através desses programas, como aconteceu no inicio do ano, mesmo porque o governo se mostrou muito interessado em sanar o impasse entre os produtores e o Mapa. Para ele, essa é a melhor solução para elevar os preços no mercado, ao contrário da proposta realizada pelos produtores de criar o "Preço-Meta", no qual o governo complementaria a diferença entre o preço de mercado e o preço de referência, quando as cotações forem inferiores ao valor de garantia. "A proposta dos produtores era criar o preço meta que é um grande equívoco. À primeira vista parece muito bom, mas na verdade isso era um tiro no pé, pois não estimula a recuperação dos preços no mercado. Essas novas medidas devem regular isso."

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