RS: colheita do milho começa com perdas de 40%
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Imagem: Marcel Oliveira
1ª SAFRA

RS: colheita do milho começa com perdas de 40%

Produtividade inicial projetada era de 8.360 kg/ha, mas deve ficar em 5.120 kg/ha
Por: -Eliza Maliszewski

Foi dado início à colheita de milho no Rio Grande do Sul, apesar da cultura apresentar perdas irreversíveis devido à estiagem, principalmente na parte Norte do estado. Na região Sul não foram registradas perdas, pois a cultura do milho foi favorecida por precipitações na semana. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (23/12) pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), 17% das lavouras de milho estão em maturação, 32% em enchimento de grãos, 19% em floração, 31% em germinação e desenvolvimento vegetativo. Atualmente 92% das áreas foram semeadas e 1%, colhidas.

De todas as culturas de verão, as lavouras de milho são as que mais prejudicadas pelo quadro climático, e os sintomas de estresse são um número maior de folhas amareladas. Na Fronteira Oeste, em Manuel Viana, estimam-se perdas de 30%; em São Borja, 50%; em algumas áreas financiadas, produtores solicitaram cobertura de Proagro. Já na Campanha o quadro é menos grave e o retorno das chuvas possibilitou a retomada do plantio das lavouras para subsistência, operação que se estenderá até o fim de dezembro.

Na regional de Ijuí, o milho grão de sequeiro em estádio reprodutivo sofreu perdas irreversíveis devido à estiagem que se prolonga na região. As precipitações que aconteceram durante a semana não foram suficientes para normalizar a situação de déficit hídrico, e a cultura não tem mais condições de se recuperar, mesmo com o restabelecimento da umidade no solo. Nas lavouras mais afetadas, produtores estão eliminando as plantas e liberando as lavouras para novo cultivo se as condições climáticas forem favoráveis.

Na de Frederico Westphalen, a prolongada ausência de chuvas acentuou a redução da produtividade do milho nas áreas semeadas em agosto, pois as espigas ficaram menores. A falta de chuvas desde novembro aliada à temperatura elevada acelerou o processo de maturação; as perdas são irreversíveis, já que a cultura está em final de ciclo. Há grande número de pedidos de cobertura de Proagro ou seguro agrícola. Produtores aproveitam as plantas para fazer silagem, mesmo que de baixa qualidade. A estimativa é de redução de aproximadamente 60% no rendimento. Estão colhidos 27% dos cultivos.

Na regional de Santa Rosa, foi concluído o plantio da área de milho grão. Com isso, se atingiu 83% da área prevista, ficando para serem plantados 17% na safrinha. Já estão colhidos 2% da área, e 45% estão em maturação. As condições climáticas altamente adversas durante todo o período reprodutivo da cultura levaram à intensa senescência das folhas que ainda estavam fotossinteticamente ativas e à perda de água nos grãos. Esse encurtamento do ciclo das lavouras deve impactar ainda mais na produtividade esperada para a safra.

A produtividade média inicial projetada era de 8.360 quilos por hectare, mas já é possível estimar perda de 39%, ficando em torno de 5.120. Com a manutenção das condições ruins para o desenvolvimento dos cultivos do milho e com a proximidade da colheita, diversos agricultores comunicam perdas e solicitam Proagro: já foram registrados 322 pedidos de perícia nas lavouras de milho.

Milho silagem - Na regional de Ijuí, o milho cultivado para silagem está sendo cortado no estádio de grão leitoso, um pouco antes do ideal, para evitar o ressecamento total das plantas. Na de Erechim, produtores começam a acelerar a colheita do milho silagem mesmo com espigas não muito boas. Da produção prevista de 40 toneladas por hectare, atualmente a colheita chega em média a 25 a 30 toneladas por hectare, com milho de baixa qualidade.


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