Rural Show 2016 apresenta técnicas para controle de nova Praga do Morangueiro

Agronegócio

Rural Show 2016 apresenta técnicas para controle de nova Praga do Morangueiro

O alto poder de destruição desta praga está nas larvas, que nascem dos ovos que a mosca coloca na fruta, mesmo que ela ainda não esteja madura e longe da fase de ser colhida.
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Para muitas pessoas, a denominação “Drosophila Suzukii” não quer dizer nada. Mas, para os produtores de morango, representa muito e pode ser traduzida em uma única palavra: prejuízo!
 
Esse é o nome científico de uma pequena mosca oriunda da China e que, na última década, se espalhou pelos países da Europa, América do Norte, até chegar ao Brasil, em 2014.

Uma das primeiras regiões produtoras a sofrer com os efeitos do ataque do inseto – popularmente conhecido como a “drosófila da asa manchada” – foi a região de Vacaria, no Rio Grande do Sul. Porém, a maioria das localidades que produzem o morango no Sul do Brasil já tinham o problema, mas ainda não sabiam o que era”, explica o engenheiro agrônomo e chefe do Escritório Municipal da Emater em Nova Petrópolis, Luciano Hamilton Ilha.

O alto poder de destruição desta praga está nas larvas, que nascem dos ovos que a mosca coloca na fruta, mesmo que ela ainda não esteja madura e longe da fase de ser colhida.

A larva nasce dentro do morango e, apesar de ser quase imperceptível ao olho humano, vai consumindo a polpa. O morango apodrece rapidamente e seu interior se deteriora. Conforme dizem os agricultores, “o morango derrete”.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, primeira a identificar a praga no Brasil, foram identificados dois ou três focos em 2014. No ano seguinte, a maioria das lavouras do Sul do Brasil apresentavam algum nível de ataque da praga.

A preocupação com o controle foi tão grande que levou a instituição a fazer um intercâmbio com a Universidade da Carolina do Norte, que enviou a pesquisadora Hannah Burrack ao Rio Grande do Sul para efetuar, emergencialmente, estudos com a mosca e criar um procedimento básico de controle.

Resistente, a “Drosophila Suzukii” tem um ciclo de vida de até 90 dias, suportando temperaturas que variam de amenas a mais elevadas. “Ela diminui no frio e pode até ficar “sem atividade” se a temperatura for baixa, mas, basta que o sol apareça para que ela se aqueça e volte a agir. Ou seja, ela não morre”, afirma Ilha.

O engenheiro agrônomo informa que, até o momento, não há uma maneira de exterminar esta praga, mas que os danos podem ser reduzidos se o produtor adotar as técnicas corretas de controle e manejo. Como, por exemplo, colher a fruta mais verde. “Quando se tem um volume grande de fruta madura na plantação, a população da mosca atinge os maiores picos. Quanto mais maduro se colhe o morango, mais praga ele tem”.

Ilha destacou que a nova forma de colheita adotada pelos agricultores não agradou o consumidor, que demonstrou reação negativa com a aparência e sabor do morango, que é colhido ainda em maturação parcial. “O que as pessoas não sabem é que esta foi uma prática adotada para reduzir os danos causados pela praga”. 

Ele ressalta, ainda, que o produtor de pequena escala, que vende diretamente para o consumidor final, colhendo o morango quase que 100% maduro, foi o que teve mais problemas e prejuízo.

Outra importante prática adotada para o controle da “Drosophila Suzukii” tem relação com a limpeza geral da estufa. É preciso que as frutas podres sejam retiradas do chão ou do ambiente onde estão os demais morangos. “Tudo deve ser recolhido e levado para um destino adequado”.

Ilha explica que não basta enterrar, o recomendado é colocar essas frutas em sacos plásticos, lacrar e deixar no sol por 14 dias ou mais e, somente depois disso, enterrar para que se decomponha e vire matéria orgânica. Outra opção é congelar a fruta danificada, o que mata ovos e larvas da praga, e, depois, descartá-la.

Atualmente, o Brasil possui, cerca de, 12 mil produtores de morango, sendo 1.8 mil no Rio Grande do Sul. A safra anual chega a 105 mil toneladas no País, e 18 mil no Estado.

Para auxiliar os agricultores que se dedicam ao cultivo do morangueiro, o Rural Show 2016 terá entre suas temáticas uma apresentação sobre a “Drosophia Suzukii”, promovida pela Emater-ASCAR/RS.


No estande da instituição, serão dispostos banners explicativos com o ciclo de vida da “Drosophila Suzukii”, da fase do ovo até a adulta, quando ela se transforma em mosca. Estarão expostos, ainda, exemplares do inseto conservados em álcool. “Uma equipe formada por profissionais também estará presente para tirar as dúvidas dos visitantes”, informa Ilha, que completa: “Esta praga é destruidora. Ela deve ser observada e tratada da maneira correta ou pode representar 100% de prejuízo para o produtor rural”.

O Rural Show acontece de 7 a 10 de julho, no Centro de Eventos de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul. O evento é organizado pela Cooperativa Piá, em parceria com Emater-RS/ASCAR e a Prefeitura Municipal de Nova Petrópolis.

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