Agronegócio

Saca de milho vai ao menor valor em Mato Grosso

Por: -Marianna Peres
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Cereal fechou setembro com cotações que se mostram as menores de 2013. Na comparação anual, queda é de 47%

A cotação do milho, em Mato Grosso, chegou ao menor valor do ano em setembro. A média da saca ficou em R$ 10,13, mas com mínimas de pouco mais de R$ 7,5 para um custo de produção que oscilou entre R$ 12 a R$ 16 nesta safra, conforme a produtividade obtida pelo produtor. Mais do que contabilizar preços no fundo do poço, a frustração ganha mais dimensão ao comparar o mercado atual com o mesmo período do ano passado, quando a média estadual era de R$ 19,10, e com máximas de R$ 23,2, como o observado na região sudeste. Entre um setembro e outro, a desvalorização do cereal chegou a 46,9%, consequência da superoferta de duas safras seguidas.


A diferença poderia ser ainda maior. Em setembro do ano passado, a saca também encerrou o mês desvalorizada e a média de R$ 19,10 era a menor registrada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) desde junho. Entre agosto e setembro de 2012, a cotação encolheu em 11,5%, em razão de ajustes e expectativas em relação à safra norte-americana que enfrentava problemas climáticos que logo se confirmaram na quebra da produção daquele país.

“Durante a última semana do mês passado, o milho mato-grossense apresentou as menores cotações do ano, encerrando com média estadual de R$ 10,13/sc”, reforçam os analistas do Imea. Apesar do leilão realizado pelo governo federal, como citam, no último dia 20, os preços do cereal não reagiram positivamente. Isso pode ser explicado, entre outros fatores, devido ao início da colheita norte-americana e às embarcações lotadas de milho nos portos, pressionando os preços para baixo. “Assim, os compradores do cereal reduzem as compras do produto, mantendo seus preços baixos ou permanecendo fora do mercado”. Como exemplo das oscilações na última semana de setembro, o Imea cita Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) que apresentou os maiores preços do Estado, com o milho encerrando a semana a R$ 12,75/sc, mas com queda semanal de 4,5%. Em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), o cereal encerrou a R$ 8/sc, e em Sapezal (470 quilômetros ao noroeste de Cuiabá) a R$ 9,85/sc.


O PROBLEMA – De acordo com o Imea, o atual problema que gira em torno do mercado do milho em 2013 está ligado ao excesso da superoferta da temporada 2012/13 que, aliada aos gargalos logísticos de escoamento e armazenagem, agravam a situação. ”Enquanto as soluções logísticas não são realizadas em curto prazo, o suporte na tentativa de sustentação do preço do cereal e garantia de escoamento para aliviar a pressão da grande oferta do produto está vindo através dos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), que já comercializaram 6,7 milhões de toneladas de milho até o momento para Mato Grosso, considerando as 452,7 mil toneladas do certame de ontem. O volume equivale a cerca de 30% da produção de 21,9 milhões de toneladas ofertadas neste ano.

Como chama à atenção o Imea, o cenário mais delicado do Estado está na região centro-norte da Conab, que engloba municípios como Lucas do Rio Verde e Sorriso. Essa região possui 28,8% da produção total de Mato Grosso e é a que mais sofre com a falta de armazenagem, pois tem a menor participação no leilão, apenas 31% de sua produção foram vendidos via leilões de Pepro. “Como as atuais cotações de R$ 7,58/sc na região desestimulam as vendas pelos produtores, seriam necessários volumes maiores de Pepro para aliviar os gargalos e estimular as vendas para desafogar a oferta da região. Apesar de os volumes negociados nos leilões terem sido insuficientes para garantir uma reação nos preços, o Pepro tem servido como válvula de escape para minimizar os efeitos dos gargalos”.
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