Safra de laranja começa com preço baixo e demanda menor

Agronegócio

Safra de laranja começa com preço baixo e demanda menor

Começa nesta semana um novo ciclo da laranja, mas os problemas dos produtores apenas se agravaram
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SÃO PAULO - Começa nesta semana um novo ciclo da laranja, mas os problemas dos produtores apenas se agravaram. O preço da fruta, que já estava abaixo do custo de produção no período da entressafra, recuou ainda mais com o início da colheita e a incidência do greening - doença que ataca os laranjais e provoca malformações nos frutos e na árvore. No Estado de São Paulo, a doença teve aumento de 30% neste ano.

De acordo com a Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), a maioria dos produtores continua sem contrato e as negociações seguem apenas no mercado spot, com preços considerados impraticáveis. "A indústria do setor é um cartel. Como há muitos produtores e poucos compradores, eles forçam e estipulam o preço", diz Renato Toledo de Queiroz, presidente do Conselho da Associtrus. Segundo ele, hoje o preço pago pelas indústrias na porta da fábrica varia de R$ 3,50 a R$ 4 por caixa, enquanto o custo de produção, incluindo o frete, é de R$ 15, em média.

Com o agravamento do cenário de preços, os produtores decidiram ontem, durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Citricultura, em Brasília, incluir a laranja e os demais citros na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Até o fim de ano, a proposta será elaborada em documento e encaminhada à Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, formalizando o pedido.

De acordo com informações do Mapa, no encontro ficou decidida a formação de um comitê composto por membros do governo, iniciativa privada e seguradoras que vai discutir a criação de um seguro rural para o setor.

A indústria, por sua vez, também é pressionada pelo mercado internacional. Além de sofrer pressão da forte concorrência das empresas localizadas na Flórida, nos Estados Unidos, esta semana os futuros do suco de laranja caíram na Bolsa de Nova York para o menor nível em sete meses. Na última segunda-feira, o contrato chegou a cair 6,3% no dia, para 77,30 centavos de dólar por libra-peso. Ontem, os papéis com vencimento em setembro encerraram em baixa de 0,61% em Nova York, cotados a 80,95 centavos de dólar por libra-peso.

Greening

A expansão da doença também preocupa os citricultores que questionam o levantamento feito pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Segundo a Associtrus, a entidade seria comandada exclusivamente pelas indústrias que estariam dificultando o acesso aos seus pomares para averiguar a incidência da praga. "Todos os que estiverem com árvores com greening são obrigados a arrancar o pé, mas a indústria, que é hoje dona de mais de 30% dos pomares de laranja, não permite que os técnicos entrem nos seus pomares para fazer estimativa", afirma Queiroz.

O Fundecitrus se defende alegando que seu trabalho está focado na fotossanidade, independente de ser propriedade de indústria ou particular. "Vale lembrar que o greening é uma doença grave e todos os citricultores devem cumprir com a IN 53 que obriga a erradicação em caso de detecção da doença. Caso isso não for feito, o citricultor é autuado e multado. Portanto, quem faz esse controle é a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo [Seagri]", destacou o Fundecitrus em nota enviada ao DCI.

A Seagri, por sua vez, atribui ao Fundecitrus a inspeção e levantamento do greening e do cancro cítrico, uma doença provocada por bactéria. O governo de São Paulo tem fortalecido seu sistema de levantamento por meio dos relatórios enviados pelos próprios produtores. Seguindo esse sistema, o último levantamento divulgado em janeiro de 2009 revelou que das 19.147 propriedades com citrus no Estado de São Paulo, 14.690 enviaram relatórios apontando um número de 1,34 milhão de árvores erradicadas pelo greening. Nessa pesquisa, a participação dos produtores aumentou para 77,6%, ante 65% da pesquisa anterior. O próximo levantamento será divulgado em julho.

Já o estudo do Fundecitrus aponta que o greening nesta safra está em 23 mil talhões de pomares do Estado, um aumento de 30% sobre os 17,8 mil talhões contaminados no ano passado. Cada talhão tem cerca de 2 mil plantas cítricas. O levantamento amostral de greening foi realizado por 250 inspetores, que percorreram 96 mil talhões, inspecionando 10% das árvores.


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