Safra de verão no RS: Arrancada preocupante
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Agronegócio

Safra de verão no RS: Arrancada preocupante

Clima da última semana provocou grandes prejuízos nas lavouras de milho
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Clima da última semana, com temporais, queda de granizo e ocorrência de geadas, provocou grandes prejuízos nas lavouras de milho da região. Ainda não há um levantamento oficial da Emater, mas há lavouras em que as perdas foram totais, sendo necessário o replantio.A aposta da safra da América do Sul para repor os estoques mundiais começa a preocupar, além do custo de produção dobrar para alguns produtores
 
O sonho do produtor de se recuperar e compensar o prejuízo obtido na última safra de verão, ocasionado pelo La Niña, com uma safra de preços bons no mercado e com bons potenciais de rendimentos, começa a balançar. Por conta do clima, (queda de granizo e ocorrência de geada), que atingiu o Estado na última semana, provocando danos nas lavouras de milho que foram semeadas no cedo, o custo de produção vai ficar mais elevado e, essa almejada lucratividade, fica ameaçada.

A área que o milho deverá ocupar nesta safra, estimada pela Emater, é de 1.154.870 milhão no Estado e, na região de Passo Fundo, 217 mil hectares, sendo que 85% da área já foi semeada. Esse percentual está um pouco acima da média para o período, mas devido ás projeções climáticas de chuva em maior abundância até dezembro, levou os produtores a antecipar o plantio.

Conforme o agrônomo da Emater, Cláudio Dóro, o calor durante o mês de agosto, somado a umidade do solo, levou os agricultores a pensarem que não haveria mais condições de inverno pela frente e, na segunda quinzena daquele mês o plantio começou na região. “Além disso, eles foram impulsionados pela meteorologia, que indica fartura de água até dezembro, condição que contempla a cultura, já que é altamente dependente de água”, comenta.

Auxílio técnico para a tomada de decisão

As lavouras tiveram um bom padrão inicial, porém, na ultima semana, temporais que provocaram queda de granizo e, posteriormente ocorrência de geada trouxe grandes prejuízos nas lavouras do Estado. O agrônomo comenta que ainda não há um levantamento indicando um percentual de prejuízos, mas diz que os problemas são localizados. “Há municípios com danos, outros não. Algumas lavouras tiveram perdas parciais e outras, perda total, onde será necessário fazer o replantio”, explica.

Soledade é um dos municípios que mais teve danos com o clima na região, pois grande parte da safra havia sido antecipada. “As lavouras plantadas no cedo, que estavam em estágio mais avançado, com mais de seis folhas, tiveram dano severo. Possivelmente, essas áreas vão precisar ser replantadas. Já as plantas com menos de seis folhas, o ponto de crescimento está debaixo do solo e, mesmo que as folhas foram queimadas, há capacidade de rebrotar”, explica Dóro. Os danos ocasionados pelo granizo e geada estão relacionados com a época de plantio e a cultivar.

Entretanto, o agrônomo da Emater salienta que a decisão de replantio da lavoura deve ser tomada com auxilio de um agrônomo ou técnico. “É preciso esperar esta semana de umidade, que não é possível entrar na lavoura, para avaliar o dano e o manejo que será preciso ser feito”, acrescenta.

Despesas em dobro

Diante deste cenário, Dóro diz que o agricultor vai ter duas despesas na formação da lavoura e uma colheita apenas. Consequentemente, o custo de formação da lavoura é mais elevado e vai interferir diretamente na lucratividade da lavoura. “Ele vai ter duas despesas para formar a lavoura e o insumo que mais pesa é o principal, a semente, que está em torno de R$ 400,00/hectare – o que vai impactar no custo de produção, tirando parte dos lucros”, diz.

O agrônomo recomenda cautela. Quando o clima estiver seco, avaliar a situação e, se for de perda total, fazer o replantio. Isso porque não será possível semear a soja onde o milho estava plantado, porque a oleaginosa não tolera o herbicida usado no cereal.

Culturas de inverno

No caso das culturas de inverno, como o trigo, aveia e cevada, a alta umidade relativa do ar, somada a elevação das temperaturas, são condições propícias para a proliferação de fungos, especialmente a giberela e ferrugem. Para tanto, o agricultor deve ficar atento. !”Muitos produtores fizeram aplicação de fungicida antes dos temporais. Mesmo assim, é necessário estar atento e, quem não fez, assim que o clima permitir, deve entrar na lavoura, porque com essa umidade as doenças vão se alastrando.”, destaca .

O clima não é favorável a ambas culturas, que requerem nessa fase, frio a noite e temperaturas mais amenas durante o dia, além de tempo seco. As condições atuais não são favoráveis somente a proliferação de doenças, mas também afeta a qualidade e produtividade.

Dóro diz ainda que há preocupação dos agricultores que firmaram contratos futuros. Conforme João Pedro Corazza, gerente Comercial de Negócios de Commodities da Agroinvvesti, muitos produtores fecharam contratos futuros para entrega em dezembro e janeiro a R$ 34,00 a saca – maior valor de venda futura do milho.

Ele exemplifica que se um produtor vendeu 5 mil sacas para entrega em dezembro a R$ 30,00 e colheu somente 4 mil sacas. Vai entregar essas em dezembro e recebe os R$ 30. As mil sacas que faltaram, se o milho tiver cotado em R$ 31,00 naquela época, ele vai pagar R$ 1,00 para o comprador. “É cedo ainda para termos uma noção do que vai acontecer, mas é preocupante, porque toda esperança para uma regularização de estoque estava depositada na safra da América do Sul. O inicio já começa com problemas e preocupa. Além do clima, com geadas no RS, somado com os estoques de milho mais baixos dos últimos nove anos nos EUA, fez disparar a cotação de Chicago, que nos últimos três dias subiu quase 6%, conclui”.

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