Safra do pequi gera renda para agricultores do Araripe
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Agronegócio

Safra do pequi gera renda para agricultores do Araripe

De R$ 100 a R$ 200 por dia podem ser faturados pelos pequenos produtores que catam pequi no alto da serra
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De R$ 100 a R$ 200 por dia podem ser faturados pelos pequenos produtores que catam pequi no alto da serra

O dia começa cedo para os catadores de pequi da Floresta Nacional do Araripe (Flona). Às 4h, na madrugada, o grupo de 14 famílias de catadores se embrenha na mata em busca do fruto que traz o maior rendimento do ano para os pequenos produtores rurais. Eles saem de suas casas praticamente por três meses para se aventurarem na floresta, no ano em que consideram a safra boa, porém curta.

Desde a primeira quinzena de janeiro, os homens, mulheres e crianças se reuniram para montar os acampamentos, à beira da CE-060, em Barbalha, ponto estratégico para as vendas e próximo da área de colheita.

Os produtores saem do Distrito de Novo Horizonte, localidade conhecida por Cacimbas, em Jardim. Muitos chegam a percorrer até 20 quilômetros por dia e passar por 500 pés de pequi em busca do fruto, que, para estar em condições de ser consumido, deve ser colhido no chão.

Preparo do óleo

Os próprios catadores fazem o trabalho de coleta e comercialização. Algo que requer muita disposição. O óleo do pequi é preparado em alguns dos ranchos, também pelos moradores temporários. Uma alternativa de arrecadar mais, já que é considerado medicinal - e durante esse período a procura aumenta bastante. O fruto, que vem sendo alvo de pesquisa em universidades da região, há décadas serve de alimento nutritivo para os sertanejos. Há até uma lenda de que é afrodisíaco.

À beira da estrada, é frequente a parada dos carros para compra dos sacos com 200 pequis, comercializados a R$ 10,00. O agricultor Zilmar Francisco dos Santos (Nenem), a mulher e os filhos vieram das Cacimbas para se abrigar nas casas de taipa feitas para acamparem o período da colheita.

O local não possui condições sanitárias favoráveis. O abastecimento de água é feito pelos caminhões-pipa, alguns dos quais cedidos pela Prefeitura local ou comprados pelos próprios produtores. Segundo Nenem, a saída do local acontece apenas depois da festa do pequi. É o ápice da safra, numa festa que reúne a população e os próprios catadores. Ele chegou no início de janeiro e planeja ficar até o mês de março. Nos dias melhores consegue até R$ 100,00 com a venda. Se acrescentar o óleo, esse valor pode chegar a R$ 200,00. Uma renda impensável para quem alterna o serviço da cata com os quatro hectares de roça plantados nas Cacimbas. Na floresta, ele se embrenha com os filhos maiores, que ajudam na coleta e comercialização. O dinheiro é favorável para a compra do material escolar das crianças neste começo de ano e outros investimentos básicos, além de poupar para as despesas do ano. Zilmar também prepara o óleo. Numa caldeira rala, ferve mais de 4 mil pequis para a retirada de alguns litros do produto. A agricultora Sandra Pereira está num dos casebres com os quatro filhos e o marido para a lida da coleta do pequi. "É um dos períodos do ano que mais aproveitamos. Até a alimentação melhora", diz ela. As crianças estudam e nas horas que estão em casa auxiliam no trabalho.

Associação

Para organizar melhor as atividades, Pedro Martins dos Santos, seu Pedrinho, assumiu a coordenação de Associação dos Pequizeiros. É um dos mais antigos que chegou ao local. Nos anos considerados melhores, a coleta chegou a auxiliá-lo na construção de sua casa de tijolos, com oito compartimentos. Antes, eram mais famílias na área, mas, por conta da diminuição do fruto na Flona, com a mata fechada, o grupo se dividiu para outras áreas. A festa do pequi auxiliou no processo de estrutura do espaço. Um arco com a estátua do Padre Cícero foi colocado na entrada do acampamento e dois banheiros foram construídos.

Seu Pedrinho afirma que o trabalho é organizado e todos os catadores são cadastrados junto ao Ibama. Uma pequena parte dos pequis é cedida para o Ibama, em Crato, e outra, a uma base de Jardim, para que sejam feitas mudas voltadas ao replantio. Serão repassados neste ano cerca de 200 caroços por semana, para o viveiro, em Crato. Segundo a chefe do escritório do Ibama, em Crato, Verônica Figueiredo, o acampamento não é feito em área da Flona, mas parte dos pequis é coletada na floresta e a outra, em áreas particulares, onde está a produção maior.

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